70 anos de Martin Scorsese

Em 17 de novembro de 1942 nascia em Nova York Martin Scorsese, filho de dois imigrantes italianos que, além do trabalho oficial, eram atores nas horas vagas. Sua paixão por cinema começou por causa de uma doença: durante a infância, por sofrer com crises de asma, não podia brincar com os outros garotos, e a única maneira de Martin se divertir era ir ao cinema com o irmão. Os grandes épicos foram os que mais lhe chamaram a atenção e o jovem Marty desistiu de ser padre para ser cineasta.

Com seus primeiros esforços, ainda na década de 60, surgem algumas características que o acompanhariam por toda a vida. A maioria das produções desse período é formada de filmes de curta-metragem, com destaque para seu primeiro longa, “Who’s that knocking on my door?”, de 1967, em que ele trabalha pela primeira vez com o ator Harvey Keitel, um amigo de faculdade que o diretor teria em mais quatro de seus filmes. A presença de colaboradores frequentes é, aliás, uma das marcas registradas de Scorsese. O maior exemplo de parceria é com o ator e amigo Robert De Niro, com quem Martin fez até hoje oito filmes, incluindo os sucessos “Taxi Driver” (1976), “Touro Indomável / Raging Bull” (1980) e “Os Bons Companheiros / Goodfellas” (1990).

A alternância entre filmes blockbuster e projetos pessoais está presente desde a consagração do diretor em Hollywood. Muitas vezes ele teve críticas negativas com seus projetos pessoais, como com “A Idade da Inocência / Age of Innocence” (1993). Outras vezes ele chocou e gerou polêmica, como com “A última tentação de Cristo / The last temptation of Christ” (1988).

Apesar de tão conhecido e celebrado, Scorsese não teve só êxitos em sua carreira. Depois de um começo turbulento, as críticas negativas de “New York, New Nork” (1977) fizeram-no afundar-se na depressão e no consumo de cocaína, vício do qual De Niro o livrou. Anos mais tarde, as críticas atrapalharam a distribuição do filme “Kundu” (1997), que contava o início da vida do Dalai Lama e hoje é uma peça praticamente esquecida da filmografia do diretor. Além disso, outro efeito colateral desse fracasso é que não é permitida a entrada de Scorsese no território do Tibete.

Seus filmes normalmente contam com bons banhos de sangue, protagonistas de atitudes ambíguas que muitas vezes sofrem com conflitos religiosos internos, resquício da infância de Martin. Vários de seus protagonistas passam por desilusões amorosas, talvez algo também espelhado na vida de Marty, que já está em seu quinto casamento. Outras marcas registradas do diretor são filmes que se iniciam no meio da narrativa e várias referências a faroestes e filmes de Alfred Hitchcock.

Não é só nos filmes comerciais que Scorsese se aventura. Sendo um homem de muitos interesses, ele já rodou documentários dos mais diversos temas, entre eles a história do Blues, a vida do Beatle Geroge Harrison e um show dos Rolling Stones. Certamente seu mais conhecido empreendimento no mundo dos documentários é “O último concerto de rock / The Last Waltz” (1978), sobre a apresentação final do conjunto The Band. Outra paixão do diretor é o cinema clássico. Marty foi influenciado por uma série de diretores fantásticos do passado e conta mais de 13 mil filmes assistidos em sua vida de cinéfilo. Ele já fez documentários sobre o cinema italiano e os filmes clássicos e atualmente assina uma coluna mensal no site do canal americano TCM, destacando alguns filmes imperdíveis da programação. E sem dúvida sua maior ode aos pioneiros do cinema é “A Invenção de Hugo Cabret / Hugo” (2011), ganhador de cinco Oscars.

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Além de dirigir, Martin também é responsável pelo roteiro de alguns de seus filmes e é o produtor de tantos outros. No entanto, vez ou outra ele decide dar uma de Hitchcock e aparece brevemente em cena. Uma exceção é o filme “Sonhos” (1990), dirigido pelo japonês Akira Kurosawa, que convidou Martin para interpretar o pintor Van Gogh. Em mutias ocasiões apenas sua voz é ouvida, como em “O Aviador” (2004), no qual Francesca, sua filha mais nova, também faz uma participação. A filha do meio, Domenica, começou nos filmes do pai e hoje é diretora e roteirista. Só a primogênita Catherine não seguiu carreira no cinema. E não são só as filhas que têm espaço garantido nos filmes de Scorsese: seus pais também já fizeram breves aparições.

A mãe de Scorsese em “Goodfellas”

Depois de seis indicações infrutíferas, Scorsese ganhou seu primeiro Oscar de Melhor Diretor com “Os Infiltrados / The Departed” (2006). Além do prêmio máximo do cinema, ele também conquistou Globos de Ouro, Palmas de Ouro em Cannes e até Grammys. Em 2011 ele recebeu um Emmy de Melhor Diretor pelo episódio piloto de uma das mais celebradas séries da atualidade, Boardwalk Empire. Muitos títulos especiais também foram-lhe conferidos em diversas áreas.

Considerado pelos fãs (como esta que escreve) e pela crítica especializada como um dos maiores diretores de todos os tempos, Martin altera com maestria o filmes sangrentos e biografias emocionantes. Trabalhar com ele é um sonho de consumo para qualquer ator de Hollywood. Seus próximos projetos incluem um drama histórico, uma adapatação de uma novela de crime e uma cinebiografia de Frank Sinatra. Sem dúvida serão mais sucessos de bilheteria que continuarão inesquecíveis pelos próximos setenta anos.

Leticia Magalhães
Letícia Magalhães é estudante universitária e tem dois livros publicados. Atualmente mantém o blog Crítica Retro, sobre cinema clássico, e colabora também nos sites Leia Literatura, Antes que Ordinárias, Red Apple Pin-Ups e Gene Kelly Fans.

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