Há muito que quero escrever sobre este tema, desconhecido para a maioria dos nossos leitores mais novos: A Duna. Minha grande angústia era, sobre o que escrever? O livro, os filmes, a série de TV ou sobre  os games? Então, após criar coragem, decidi que todos mereciam ser mencionados.
Dune é um clássico da literatura americana, escrito por Frank Herbert em 1965 (Dune), e considerado um dos maiores romances de ficção científica de todos os tempos. Por lá, ainda há muitos seguidores. Por aqui, esse livro já não tem mais repercussão significativa, e é mais conhecido entre os leitores sci-fi, geralmente na sessão “cult” da livraria.

Dune cover [C:\Jogos>] A Duna   Literatura, Filmes e Games

Livro
De forma bem resumida, a história se passa em um futuro distante, a cerca de 22.000 anos, em um planeta árido, Arrakis, conhecido como a Duna. O planeta é a única fonte da especiaria (“spice”) mais preciosa do universo, o Melange. Esse recurso não-renovável tem propriedades rejuvenescedoras, de desenvolvimento mental e pré-ciência. Quem controla o “spice”, controla o universo.
A Duna é regida pela casa imperial dos Corrinos. Também disputando o poder político, estão feudos representados pelas casas Atreides e Harkonnen.
A casa Atreides representa virtudes, e tem um líder popular, o Duque Leto. Isso inspira inveja e desconfiança ao imperador Corrino, levando-o a se aliar com a casa Harkonnen, que representava ganância e ambição.
Em meio a esse conflito político, figuram também os Fremen, que representam os nativos. Por estarem constantemente expostos ao “spice”, esse povo tem poderes psíquicos e místicos. Veneram os vermes de areia, que são protetores e fonte do Melange.
Devido ao sucesso, Frank Herbert ainda escreveu cinco continuações: O Messias de Duna (1969), Os Filhos de Duna (1976), O Imperador-Deus de Duna (1981), Os Hereges de Duna (1984) e As Herdeiras de Duna (1985).

Filmes
A história criada por Frank Herbert é tão rica e complexa, que deu origem a muitas interpretações, contos e mini séries. Alguns deles deram origem a curtas e longas para o cinema e TV.
O primeiro e mais famoso filme sobre a Duna, foi o dirigido por David Lynch, em 1984. Filmado na cidade do México, a película contou com atores americanos e europeus. Seu ator mais famoso, não necessariamente mais talentoso, era Sting, no papel de Feyd-Rautha (sobrinho do tirano Harkonnen). Com visual exagerado e cenas estilos “gore”, esse filme deu um prejuízo de US$10 milhões na bilheteria, detonado pela crítica ficou conhecido como um clássico “cult”.

images 150x150 [C:\Jogos>] A Duna   Literatura, Filmes e Games 015 dune theredlist 150x150 [C:\Jogos>] A Duna   Literatura, Filmes e Games
dune 1984 harkonnens 150x150 [C:\Jogos>] A Duna   Literatura, Filmes e Games 014 dune theredlist 150x150 [C:\Jogos>] A Duna   Literatura, Filmes e Games

 

FileDune miniseries [C:\Jogos>] A Duna   Literatura, Filmes e Games

Em 2000, o diretor John Harrison adaptou A Duna para a TV numa minissérie para o canal Sci-Fi. Essa adaptação, descrita pelo próprio diretor como “interpretação fiel ao livro, dispunha de um orçamento melhor, efeitos especiais e gráficos de melhor qualidade e um bom elenco, contando com William Hurt no papel de Duke Leto Atreides.

Remake
Há muito tempo se pensa em um “remake” digno da grandiosidade do livro, mesmo porquê o tema “recursos não-renováveis” nunca saiu de moda e agora, mais do que nunca, está em alta. O mesmo diretor da minissérie cogitou refilmá-la, mas não conseguiu chegar em termos satisfatórios ($) com os produtores.

Games
Em 1979 foi lançado um jogo de tabuleiros e em 1984 um jogo da Parker Brothers (o mesmo do Monopoly) com o tema. Mas não são esses os jogos que atraem nossos leitores, certo? Vou então falar dos Games (PC e PSX) lançados. Como escritor da coluna “C:\Jogos>” não poderia deixar de privilegiar os lançamentos de 1992:  ”Dune” e “Dune II: The building of a Dynasty” (Virgin Interactive).
O primeiro deles foi um jogo no estilo adventure, com gráfico relativamente bons para a época. No entanto o enredo era tão voltado à históra da Duna, que acabava sendo um pouco entediante, haja visto que a capacidade técnica dos computadores na época não permitiam muitas “cut scenes” ou ações muito complexas. Sinceramente, não joguei muito e prefiro nem comentar tanto pra não cometer alguma injustiça.

dune 1 [C:\Jogos>] A Duna   Literatura, Filmes e Games  dune 2 [C:\Jogos>] A Duna   Literatura, Filmes e Games
dune 3 [C:\Jogos>] A Duna   Literatura, Filmes e Games dune 4 [C:\Jogos>] A Duna   Literatura, Filmes e Games

Já Dune II é considerado por mim um jogo revolucionário. Era um jogo de estratégia estilo “real-time strategie” (RTS), em que cada casa teria que conquistar uma região de Arrakis, culminando no domínio da Duna. O jogador escolhia sua casa entre Atreides, Karkonnen ou Ordos (nunca mencionado no livro). Começava com apenas a sede, e paulatinamente tinha que construir fábricas de armas, quartéis de soldados, usinas de energia, colher e armazenar o “spice”. Em meio a isso, lutar contra a outra casa, o exército dos Corrino, os Fremen, ou eventualmente lidar com um verme da areia. Não me arrisco a dizer que foi o primeiro jogo RTS (embora desconheça outro mais antigo), mas certamente foi um dos mais marcantes para a época, sendo seguido de títulos de sucesso como “Warcraft”. Trazia alguns diferenciais como “cut-scenes” (ou melhor “cut-frames”) que davam suporte ao enredo, algo que era comum aos arcades e consoles novos (NES e SEGA), mas não tão comuns no PC. Já estávamos na era dos “Multimedia kits”, Soundblaster, Adlib, ou seja, o jogo já dispunha de recursos sonoros pouco mais avançados, como fala dos soldados (aos mais novos, acreditem, era o máximo).

 dune a 300x187 [C:\Jogos>] A Duna   Literatura, Filmes e Games  dune b 300x187 [C:\Jogos>] A Duna   Literatura, Filmes e Games
 dune c 300x187 [C:\Jogos>] A Duna   Literatura, Filmes e Games  dune d 300x187 [C:\Jogos>] A Duna   Literatura, Filmes e Games

Depois disso foram lançados ainda para PC e PSX Dune 2000 (1998), Frank Herbert’s Dune (2001), e Emperor: Battle for Dune (2001).

 

Música

O Iron Maden compôs sua música “To tame a land”, lançado em 1983, em homenagem à Duna, no entanto o escritor Frank Herbert não permitiu que levasse o seu título. No Canadá e Itália a música saiu com o nome de Dune.

 


 

A Duna é uma história grandiosa, de análise extremamente complexa e vasta. Eu escrevi de forma bem resumida, e talvez leviana, no intuito de despertar a curiosidade dos que não a conheciam, e a nostalgia (ou revolta) de seus entusiastas. Comentários dos Dunemaníacos são bem-vindos.