Fica Nolan, vai ter bolo.

(LIVRE DE SPOILERS)

Tudo o que eu esperava de Batman, O Cavaleiro das Trevas Ressurge, era que fosse um filme “ok” e que fechasse a trilogia com uma história que mantivesse o respeito pelos anteriores, mas não esperava nada acima do normal.

Mentira, no fundo eu estava me enganando. O que queria era conter minhas expectativas para não esperar de mais e receber de menos. Ao me sentar na cadeira uma reação estranha, que corresponderia ao que eu iria vivenciar nas quase 3 horas do filme: tentei (juro) procurar cintos de segurança (?!?!?!) na cadeira da sala. WTF?

No filme, 8 anos depois de o (inesquecível) Coringa tocar o terror, Gotham se tornou uma cidade de paz, com o morcego desaparecendo após assumir a culpa pela morte de Harvey Dent, o Duas Caras. O herói permitiu que sua imagem fosse manchada para que uma lei fosse decretada contra os criminosos da cidade. Mais do que isso, Wayne cria que com sua atitude as chamas da esperança continuassem vivas através do idealismo de Dent e de sua pessoa. O político, conhecido como “Cavaleiro Branco”, era a figura ideal, que o povo precisava para continuar crendo que um mundo livre de corrupções e mentiras ainda era possível.

Mas isso tem seu preço. Bruce se retira da vista de todos e vira praticamente uma lenda, já que ninguém mais o viu. A exceção surge quando o bilionário, durante uma festa em sua mansão, recebe uma visita inesperada e a ponta da história começa a surgir.

A partir daqui é difícil escrever sem soltar spoilers ou detalhes que entreguem a gloriosa trama. O playboy sente na pele a pressão causada por sua reclusão. E mais do que isso, finalmente Christian Bale tem a oportunidade de poder atuar de verdade. Quando ele aparece, sua figura frágil e quase arqueada nos convence de que o Batman morreu. Bruce não tem músculos, forma física ou qualquer chance de ser rapidamente o herói que foi antigamente, mas se vê forçado a isso quando Bane aparece. Vale citar que a cena de abertura do filme é espetacular.

Com o palco armado, o show começa e vale citar algumas novidades bem legais no filme, como a “Mulher-Gato”. Primeiro é necessário dizer que Nolan também deixou a personagem mais crível. Ela não é a acrobática personagem que já vimos antes, mas uma ladra com papel fundamental no desenvolvimento da trama. Mas senti a falta de algumas “Cat Weapons”, mas pra resumir, o chicotinho faria muita gente suspirar. Anne Hathaway, como sempre, está ótima, mesmo vestida de empreguete e depois com bota da Madonna “Girls Gonna Wild”. Muito marmanjão suspirando, isso sim.

John (Fuckin) Blake é outra novidade no filme. O policial é a expressão daquilo que Bruce Wayne sonhou, a justiça partindo de valores. E Joseph Gordon-Levitt estraçalha na atuação de seu personagem. O cara é o vigor daquilo que enxergamos um dia em Bruce. Gostaria de ver mais filmes “morcego-nolísticos” com esse cara atuando.

E se tivemos muitas cenas fantásticas no anterior, esse tem cenas mais icônicas ainda. Algumas já foram entregues nos trailers, como a implosão do campo de futebol. Mas gostaria de deixar meu amor expresso aqui para os que já viram o filme: “The Bat”, I <3 YOU.

Como é difícil não soltar spoilers, então trabalhemos também com alguns conceitos nessa resenha.

 

DKR 37446r1 Crítica   Batman: The Dark Knight Rises

Ressalto aqui que Batman de Nolan foi (e continuará sendo) uma escola para a criação de longas  baseados em super heróis. Ele conta a história sem a pressa rotineira que um dia assolou aos filmes de outros universos antes do primeiro filme com o morcego Begins. Alguns podem reclamar que o filme tem muitas paradas, mas acredite, tudo isso vai construindo a credibilidade e humanidade sem precedentes ao nosso herói. É ótimo ver o processo pelo qual Bruce passa até assumir a máscara do Cavaleiro das Trevas novamente. E quando isso acontece, você enxerga muito mais o ser humano por trás daquela armadura do que o cavaleiro das trevas. Isso é fantástico! Vibrante.

O vilão consegue o inacreditável ao deixar Gotham sitiada. Sua ameaça é muito pior e mais real que a do famoso palhaço. Seu intuito de entregar a cidade aos cidadãos e ainda planejar uma explosão nuclear nos faz sentir pressionados junto aos personagens da película. A tensão escoa por todos os lados. Tom Hardy não convence como Heath Ledger, longe disso. Sua máscara, apesar de o deixar ameaçador, esconde todas as suas feições e sua atuação é sim prejudicada. Mas quer saber, e dai? Christian Bale quando está de máscara também tem sua expressão apagada e isso não atrapalha em nada.

 

DKR 16679rC2 Crítica   Batman: The Dark Knight Rises

Esse terceiro filme é melhor que o segundo? Bane é melhor que o Coringa? Essas e outras perguntas assolam as rodinhas de conversas sobre o filme. Deixe de lado as comparações, nós temos uma continuação que, no mínimo, faz tão bonito quanto o segundo filme. É um desfecho embasbacante. Algumas pessoas disseram que “O Cavaleiro das Trevas Ressurge” ficaria à sombra do filme anterior com o Coringa. Acredite, isso não acontece, porque aqui literalmente  o Batman chega ao fundo do poço. A coisa é bem diferente de seu antecessor.

E os pontos fracos do filme? Creio que são soterrados pelos positivos. Mas ainda sim incomodam. Algumas resoluções são fracas e rápidas e outras se agarram nos clichês. Ah Nolan! Se eu pudesse citar alguma coisa sem estragar surpresas certamente abordaria o desfecho do filme, mas enfim, é a vida. Já foi.

Esse desfecho, Rise, é a ascensão do herói. Mais do que isso, é o filme mais equilibrado da trilogia. Se Begins foca na humanidade e na construção de valores do personagem, Dark Night fala sobre a quebra do que foi construído, sobre a humanidade atrás da máscara encontrando um “muro” (Coringa), o extremo, o questionamento ao herói se realmente vale a pena lutar por pessoas egoístas e seguir adiante levando a justiça. Mas nesse a receita pega o que havia de melhor nos dois e nos entrega um filme que (quase me fez chorar) maravilhoso. É o melhor dos 3? Para mim isso não importa por saber que é um encerramento digno de ser aplaudido de pé.

Quando o símbolo do cavaleiro surge novamente é emblemático: é o morcego assumindo a responsabilidade por Gotham. Mais do que isso, é literalmente o herói batendo no peito e chamando a responsabilidade para si, quase que um “YES, WE CAN”.

Fico triste por não saber o que vem no futuro do Batman. Torço demais para que uma nova trilogia surja e óbvio que os resultados na bilheteria mundial serão o respaldo para que isso aconteça. Mas ao final fica a crença de que um cinto de segurança ficaria bem nas cadeiras desse filme. Eu me contorci para todos os lados.

PS: Me desculpe pelo longo texto. O filme também é. Desculpe a mim e ao Nolan.

PS 2: Assista ao filme duas vezes. Tem muitas referências. Games, filmes, quadrinhos… muita coisa pode ser observada lá.

PS 3: O Hollywood Reporter escreveu que o avanço do universo Marvel nos cinemas parece muito bobo e infantil.  Eu sempre achei isso.

NOTA: 9/10

FONTE IMAGENS: http://www.thedarkknightrises.com/