[Catálogo] – Crítica – Prostituta morta no porta-malas (Dead hooker in a trunk)

Escrito, dirigido, produzido e estrelado pelas irmãs gêmeas idênticas Jen e Sylvia Soska, este filme independente de 2009 foi uma das surpresas mais agradáveis dos últimos anos.

A tradução livre foi por minha conta já que o filme, como era de se esperar, nunca foi lançado no Brasil, se fosse provavelmente eles iriam dar um nome estúpido como “Uma noite de aventuras” ou alguma coisa assim.

O filme acompanha a aventura de quatro amigos nada parecidos, duas irmãs gêmeas (estou ciente do absurdo que é dizer que duas irmãs gêmeas não são parecidas, mas é isso mesmo), uma durona (não consegui pensar em uma tradução melhor para “badass”) e uma Geek, uma amiga drogada e um católico radical.

Certo dia, passeando pelas ruas de Vancouver em busca de drogas para a amiga nóia, eles sentem um cheiro estranho vindo do porta-malas e ao olharem descobrem o corpo de uma prostituta. Eles decidem que é melhor se livrarem do corpo, e do monte de drogas que estava junto, do que chamar a polícia e não conseguir dar as devidas explicações e é aí que começam os problemas e que o filme fica bom.

Ao mesmo tempo em que buscam uma forma de se livrar do problema eles precisam evitar se tornar as próximas vítimas e ainda sair de algumas encrencas que se metem no caminho. Por encrencas entendam olho furado, braço arrancado e costurado de volta, gangue de chineses assassinos, caminhoneiro maluco, etc.

Foi com este roteiro, no mínimo original, e muito sangue em cenas bem executadas que as irmãs Soska arrebataram uma série de prêmios em festivais de cinema independente e conseguiram ter o filme proibido em alguns países, inclusive na sua terra natal, o Canadá.

Claro que o filme sofre com os problemas normais de todos os filmes independentes. O baixo orçamento faz com que algumas cenas sejam um pouco bizarras (toscas). A câmera (provavelmente uma super-8) usada nas filmagens treme muito mais do que deveria e o som não ficou dos melhores, provavelmente usaram apenas o microfone interno da handcam nas filmagens.

Mas tirando os probleminhas técnicos e as poucas falhas no roteiro, que teria feito bom uso de uma revisão final feita por alguém experiente, o filme é excelente, diverte muito e tem uma série de plot-twists que mantém o ritmo frenético durante todo o filme.

Além disso as irmãs Soska souberam criar belos diálogos e cenas de ação, algumas inacreditavelmente bem executadas. Confesso que, guardadas as devidas proporções, o filme me fez lembrar os melhores momentos do Tarantino.

Na indústria do cinema fantástico, onde sempre temos homens fazendo valer suas idéias com mocinhas indefesas e homens salvando o dia, é muito bom ver o ponto de vista de mulheres diretoras, extremamente criativas e corajosas. Se estas meninas conseguirem entrar no circuito de cinema de Hollywood pra valer, ainda farão muito sucesso.

Curiosidades:

 

– As irmãs Soska têm uma produtora chamada Twisted Twins Productions, e lançaram mais alguns filmes, infelizmente são muito difíceis de serem encontrados.  Ainda estou procurando.

 

– A equipe do filme gravou um comercial falso de um spray com cheiro de prostituta morta no porta malas, sensacional. (vídeo abaixo)

 

– O famoso diretor Eli Roth de “O Albergue” e “Cabana do Inferno” chamou o filme de “Fucking Awesome” e foi exatamente esta frase que colocaram na capa do DVD e no pôster oficial.

 

 

 

 

 

 

 

Trailer Original:

Mock comercial:

 

Mau Franco
Formado em ciências da computação e pós-graduado em administração e gerenciamento de projetos, trabalha 9 horas por dia em uma grande empresa. O pouco tempo que lhe resta é passado com sua esposa, filhos, cachorros, alguns poucos games e algumas centenas de filmes.

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