Já quero começar essa análise dizendo que sou, provavelmente, um dos maiores fãs de Rocky Balboa que existe. Rocky é espetacular, inigualável, imbatível, insuperável.
Tenho toda a série em DVD e assisto repetidas vezes utilizando minha réplica do roupão do garanhão Italiano. Mas nem só de Rocky Balboa vivem os filmes de luta, ainda fazem filmes muito bons deste gênero

Todo mundo gosta de um bom filme de superação, onde o “herói” enfrenta todas as dificuldades possíveis e imaginárias, para conseguir a conquista.

E quando o assunto é superação, nada se encaixa melhor do que os filmes de luta. Neles, invariavelmente temos o herói solitário, que tem como companheiros no máximo um cachorro pulguento e um treinador velho, doente e, possivelmente, também pulguento. As esposas eu não incluo neste grupo de companheiros por elas sempre tentam convencer (e nunca conseguem) o cara a desistir de lutar.
Enfim, a mensagem dos filmes de luta é sempre a mesma, apenas com força de vontade se consegue tudo nessa vida. É verdade que em alguns casos o herói morre, mas até quando isso acontece, ele o faz com glórias

Talvez seja até possível fazer um filme de luta sem utilizar clichês. Mas quem disse que clichês são, necessariamente, uma coisa ruim?
Warrior (Guerreiro) filme de 2011 do diretor Gavin O’Connor, que até então era conhecido apenas por ter dirigido Força Policial em 2004 com Edward Norton, veio provar justamente isso. Que é possível fazer um filme de qualidade utilizando todos os clichês possíveis e imaginários já utilizados em outros filmes do gênero

E como apenas um lutador não conseguiria absorver todos os clichês (por exemplo, não dá para ser maluco e santinho ao mesmo tempo), ele resolveu utilizar dois lutadores para trazer a única coisa no filme diferente do padrão. Aqui não temos um herói bem definido (e não estou falando do abdômen) para torcer, temos dois lutadores bem diferentes, ambos com motivações completamente justas, tanto que muitas vezes ficamos em cima do muro, sem saber para qual dos dois vamos torcer até o final do filme.

Não vou dar spoilers aqui, pelo menos nada além dos óbvios, mas vou falar um pouco sobre alguns dos clichês que fazem este filme ser tão bom.

No filme conhecemos Paddy Collon (Nick Nolte, de 24 horas…o filme não a série) um ex combatente do Vietnam que destruiu sua família devido ao abuso do álcool. Ele tem dois filhos, Tommy e Brendan. Tommy fugiu de casa com a mãe para escapar das agressões do pai e cuidou dela até sua dolorosa morte. Já Tommy optou também por abandonar o pai agressor, mas ao invés de acompanhar o irmão e a mãe optou por se casar com a namorada, com quem teve duas filhas.

Tommy serviu no Afeganistão e voltou para casa para pedir ao velho pai que o treine. Ele jamais perdoou o pai, mas não poderia negar que ele era um grande treinador e eles faziam uma grande dupla quando ele foi campeão mirim de Luta Greco Romana.
O objetivo de Tommy é participar de um grande torneio chamado Sparta, organizado por um bilionário entusiasta do esporte que pagará 5 milhões de dólares ao vencedor (e nada para o segundo colocado, que sacanagem!)

Brendan é um professor de física que hipotecou a casa duas vezes para pagar o tratamento médico que salvou a vida da filha mais nova e agora, prestes a perder o lar, decide lutar em torneios amadores para tentar arrecadar dinheiro.

É claro que o destino conspira e os dois lutadores não profissionais acabam inscritos no torneio Sparta, definido no filme como o Super Bowl do MMA. Em Esparta eles enfrentarão os lutadores clássicos já vistos em outros filmes, como o mal caráter de moicano (Rocky 3) e o monstro russo indestrutível (Rocky 4).

No torneio Tommy faz o estilo maluco ou “touro bravo”, acabando com as lutas de forma devastadora, e Brendan faz o estilo Balboa que apanha, apanha e apanha mais um pouco até cansar o adversário e conseguir o golpe final.

E justamente abusando de todos os clichês, “Guerreiro” consegue entreter e emocionar. O desenvolvimento dos personagens é completo e perfeito, conseguimos gostar de todos eles de forma intensa, mas diferente. Nick Nolte está perfeito no papel de pai arrependido e os traumas e sofrimentos dos meninos são expostos no filme de forma perfeita e não exagerada.

No filme temos a clássica frase dita por Bruce Lee em Operação Dragão: “A tábua não revida” só que transformada em “O tanque não revida” e a não menos clássica frase dita por todos os narradores em todos os filmes de Rock Balboa: “Quanta porrada este homem é capaz de suportar?”

Como nos filmes da série “Rocky” os árbitros das lutas não tem o costume de interrompê-las para preservar a integridade dos lutadores, em Rocky deixaram o Apolo morrer em pé, e aqui deixam um lutador continuar lutando mesmo, visivelmente, com um braço quebrado.

Se há algum ponto negativo neste filme, eu diria que é o fato de as cenas de luta não serem mais explícidas. Quem se lembra dos lutadores da série Rocky levantando do chão a cada golpe na barriga se lembra do impacto daqueles socos, mesmo alguns sendo visivelmente no vazio. Aqui temos pouco, ou absolutamente nenhum sangue e muitos golpes “off screen”, talvez para que o filme não recebesse a classificação 18 anos.

A maquiagem por sua vez está muito mais real, ao contrario daqueles bifes colados na cara do Stallone em 1976, mas também acho que poderiam ser mais impactantes.

Enfim, se você é um dos muitos fãs de MMA que ficam órfãos das transmissões devido ao monopólio TV por assinatura que cobra uma fortuna pelo Pay Per View, talvez este filme amenize um pouco esta sua carência. Se você é fã de filmes como Touro Indomável e Rocky ou se você simplesmente gosta de um filme emocionante de superação, corra para ver Warrior, é diversão garantida.

Trailer legendado: