Crítica – O Hobbit: Uma Jornada Inesperada

Falar de um filme como O Hobbit é algo complicado pra mim, afinal, há 10 anos eu espero pra ir no cinema ver as aventuras de Bilbo, Gandalf, Thorin e Companhia… e quer saber de uma coisa? A espera valeu a pena!

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada, o primeiro filme da trilogia que precede os acontecimentos de O Senhor dos Anéis (SdA), narra às aventuras de Bilbo Bolseiro, um Hobbit do condado acostumado à sua vida calma e rotineira, mas que depois de um encontro com o mago Gandalf, se vê no meio de uma aventura para ajudar um grupo de anões a recuperar seu reino na Montanha solitária.

Uma Jornada inesperada foi um filme produzido com dois desafios: Levar o espectador de volta pra Terra-Média da mesma forma que a Trilogia SdA fez, e agradar os fãs (exigentes) do livro, e quer saber de uma coisa? Conseguiu!

Tá bom, não vou falar pra você que o filme é 100% fiel ao livro, pois não é, mas ele consegue ser quase tão bom quanto à obra original, o filme já inicia com uma sequencia que mostra ao espectador aquele que vai ser o plot principal da trilogia, e faz um bom trabalho em desenvolver todo o conteúdo que é apresentado, o que não é pouco, afinal além de mostrar a história principal o filme ainda consegue, de forma genial, fazer os links com o Senhor dos Anéis, seja com o “Um Anel”, ou outros detalhes mais sutis, como a volta de personagens como Gollum e o mago Saruman(dessa vez ainda do lado “bom”).

E vale muito a pena falarmos dos personagens… Ah os personagens… Bom, em O Hobbit temos como protagonista o senhor Bilbo Bolseiro, que é muito bem interpretado pelo ator britânico Martin Freeman (O Watson de Sherlock) que fez o personagem exatamente como ele é descrito no livro. Temos também o retorno do mago Gandalf, mas o que mais merece destaque é a companhia dos anões liderados por Thorin, Escudo de Carvalho. Esse admito que foi um ponto que fiquei com o pé atrás desde o começo da produção, afinal temos 13, sim 13, anões mas para minha surpresa cada um dos anões foi bem apresentado no filme, principalmente por suas roupas e cabelos, os anões do filme são muito marcantes visualmente, o que facilita o reconhecimento, diminuindo assim qualquer tipo de confusão com os mesmos.

O Design do filme está belíssimo, mas os Orcs e os Wargs, seres que já foram apresentados em SdA, tiveram mudanças significativas no filme, enquanto em SdA os Orcs era seres bem definidos visualmente, no Hobbit eles são muito mais deformados e até caricatos de certa forma, o que parece pra mim uma clara influência do senhor Guillhermo Del Toro (Que era pra ser o diretor do filme, antes de Peter Jackson), enquanto os Wargs tiveram uma mudança para melhor, já que são descritos no livro como Lobos gigantescos e nos filmes do SdA pareciam mais hienas gigantes. Os cenários continuam maravilhosos, já que o filme foi também gravado na Nova Zelândia, neste quesito todos os filmes são praticamente idênticos, aumentando ainda mais a sensação de “Retorno” à Terra-Média.

Mas pra mim um detalhe que ajuda muito na imersão em todo aquele universo, é o motivo pelo qual devemos agradecer ao senhor Howard Shore, responsável pela Trilha-Sonora do filme que é algo que merece ser tratado à parte. As composições de Shore para o filme lembram muito as usadas em SdA, ajudando a trazer de volta o clima de Terra-Média para o filme mas ao mesmo tempo definem o filme, principalmente as faixas que trazem um pouco do clima infanto-juvenil do livro parta a tela, mas uma boa novidade em o Hobbit são as canções. Os leitores sabem que o livro possui várias canções e é muito interessante (e emocionante) ver algumas delas no filme, afinal que fã do livro não sentiu um arrepio na espinha quando ouviu os anões cantando Misty Mountains no Trailer?

Já que eu falei do livro, vou falar um pouco da fidelidade do roteiro. Se você decidiu ler ou reler o livro antes de ver o filme, você com certeza notará várias diferenças grandes no roteiro, e como fã devo dizer que houve algumas decisões ruins sim, sem dar nenhum spoiler (fiquem a vontade para discuti-los nos comentários), em algumas sequencias o personagem do Bilbo cresceu demais, se mostrando “confiante demais”. Aqueles familiarizados com a história original sabem que o momento onde o Bilbo “muda” é muito mais intenso e importante, e acho que ele vai perder um pouco do seu valor. Mas algumas adições foram felizes, como a inclusão de Azog, o Orc Branco, antagonista direto de Thorin que ajuda muito no desenvolvimento do personagem.

Mas mesmo com essas mudanças, e adaptações no roteiro o Hobbit se sai muito bem sendo um filme incrivelmente fluido, e você nem percebe as mais de 2 horas e meia de filme passando, já que a ação é quase ininterrupta, não há muitos momentos “lentos” no filme tudo se desenvolve rápido e bem!

Um último detalhe, o filme foi rodado em 48fps, e em algumas salas você pode ver a exibição HFR (high frame rate) do filme, eu indico você ver assim, a imagem está linda e incrivelmente realista, várias pessoas dizem que isso tira um pouco da experiência de se estar vendo um filme, e que é possível notar detalhes como maquetes de isopor e tal, mas acredite… o filme te prende tanto e a imersão e tal, que é muito difícil se notar algo. Além de o 3D do filme ser o melhor já visto até hoje!

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada conseguiu cumprir as suas missões, fazendo um excelente trabalho em nos levar de volta a Terra-Média, como fã do livro dou um 10 para o filme com um sorriso no rosto, mesmo com as diferenças na adaptação o filme é excelente, pra mim o melhor filme do ano! Agora é aguardar até Dezembro de 2013 para assistirmos “A Desolação de Smaug

Guilherme Vitoriano
Devorador de Livros e Quadrinhos, domador de jogos.e Nerd assumido. Apreciador de uma boa música e apaixonado por suas meninas.

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