Liga-te a nós
Coluna C:\JOGOS>
Postado em 12-06-2012 às 09:30
Categorias: Cinema, Comédia, Drama, Filmes

solteiros filhos Crítica   Solteiros com Filhos (Friends with Kids)

 

Quando se pensa em comédia romântica sempre se pensa em um casal feito um para o outro que , com uma certa dificuldade, acaba descobrindo isso durante o filme e acaba junto em uma linda cena de amor.

Todas as comédias românticas, sem exceção, seguem estritamente essa fórmula. Casal se conhece (ou já se conhecia no começo do filme), se gosta, briga (geralmente por um mal entendido) e quando tudo parece que vai dar errado um deles corre pro aeroporto e, na última hora, evita o que seria a separação definitiva (como se hoje em dia não existisse telefone, e-mail, skype, facebook, etc.) Na verdade, a coisa mais difícil nos dias atuais é conseguir se livrar de verdade de alguém. Ex-namorados(as) estão sempre aparecendo para dar uma curtida em algum post do seu facebook ou enviando correntes estúpidas pro seu e-mail.

Mas o mais importante em uma comédia romântica é o clima de amor e, definitivamente, Solteiros com Filhos (Friends with Kids, no original) não tem clima de amor nenhum. E aqui eu vou abrir um parênteses para reclamar de novo do nome adaptado do filme no Brasil, não sei qual a vantagem de trocar “amigos” por “solteiros” em português, acho que eles pensam que brasileiro é burro demais pra entender que amigos não são, necessariamente, casados.

A ideia é até criativa, dois amigos solteirões que querem muito ter um filho decidem fazê-lo e dividir a custódia da criança sem os problemas do casamento. Mas o filme não é sobre crianças, que quase não aparecem, é sobre relacionamentos.

E é justamente nos problemas do casamento que o filme desanda. O pôster aí em cima já diz: Amor, Felicidade, Filhos, escolha duas.  O que mostra que Jennifer Westfeldt tem muito o que conversar com seu analista.

Film Review Friends with Kids Crítica   Solteiros com Filhos (Friends with Kids)

Clima de romance? Onde?

 

O casal principal é cercado por amigos casados, e tudo o que vemos no filme são justamente os problemas que os dois casais de amigos enfrentam por serem casados. Um deles um casal que era super apaixonado (e tarado) no início enfrentando o fim do casamento e outro casal que ao invés do divórcio foi para o lado da estagnação em uma vida monótona no estilo, mulher infeliz e marido porco.

Temos sim bons momentos no filme, com alguns diálogos muito bem construídos mostrando os dois lados dos problemas conjugais, que te fazem rir e pensar, mas as discussões sempre tentam levar o espectador à conclusão de que casamento não tem futuro. Isso para uma pessoa bem casada é um tanto quanto desagradável e tira um pouco da graça em torcer para que Jason e Julie fiquem juntos. Pra que? Para acabar como os outros?

Além disso, e essa é a parte que mais me incomodou no filme, os atores escolhidos para interpretar o casalzinho não tem a menor química.

Se o seu orçamento não permite dar o tiro sempre certo que é Tom Hanks (ou Billy Crystal, que já está velhinho pra esse tipo de filme) e Meg Ryan, pelo menos invista um pouco mais de tempo em casting e traga pessoas, ao menos um pouco, interessantes.

Friends With Kids 4 600x350 Crítica   Solteiros com Filhos (Friends with Kids)

Que casal lindo (NOT!)

 

Adam Scott, que interpreta Jason, é um ator pouco conhecido que teve em uma ponta em Piranha 3D como o seu melhor filme até hoje, e simplesmente não emplaca como galã. Como podemos acreditar que um sujeitinho daqueles vai  pegar a Megan Fox (essa sim, no elenco apenas para atrair publico, tem o resultado esperado em tela, ser gostosa) com um papinho furado no parque, e com uma criança, coisa que a personagem de Megan não suporta.

OK, você pode estar indagando que eu não tenho o poder de julgar o que é preciso para ser um galã, mas eu posso garantir que as mulheres com quem conversei sobre o filme também não entendem como o carinha pode ser pegador.

Agora vamos falar do que eu (pelo menos no alto de toda a minha presunção) entendo, mulher.
Julie, é interpretada por Jennifer Westfeldt, de “Beijando Jessica Stein”, que também é a diretora e roteirista do filme (entendeu agora a escolha para o papel principal?) e eu realmente não vi nada demais na loura.

Não estou falando pelo fato dela não ser gostosa, isso é até bem explorado no filme, ela funciona como um contraponto para as gatas que Jason costuma pegar (não sei como).

Gostosona a Meg Ryan nunca foi, Debra Winger de “Esqueça Paris” também não é um avião, mas nos seus filmes sempre entendemos por que os caras se apaixonam por elas.

O problema é que ela não precisava estar tão feia no filme. Eu particularmente tenho um problema com mulher de olho fundo, mas não é só isso (o que já seria o suficiente para me afastar), ela é sem sal, tem lábios finos e principalmente, nenhum carisma.

Claro que se você pesquisar imagens da moçoila na Internet vai acabar encontrando belas produções, mas no filme tiraram tudo isso e o que sobrou foi uma coroa mais sem graça do que dançar com irmã.

megan Crítica   Solteiros com Filhos (Friends with Kids)

Melhor coisa do filme. Megan Fox fazendo o que sabe, sendo Megan Fox

Pra completar o corta clima, a química entre os dois, quase inexistente, ainda é prejudicada por alguns diálogos pra lá de mal escritos. Não vou dar Spoilers aqui, até por que esse é o tipo de filme que já sabemos como vai acabar antes da projeção iniciar, mas a cena final, que em toda comédia romântica costuma fazer as meninas (e alguns caras também, admito) chorarem, tem uma frase tão vulgar que corta toda a emoção e não provoca risos.

Enfim, se você está procurando uma comédia romântica para este dia dos namorados, recomendo um DVD em casa, boas opções não faltam, o próprio “Esqueça Paris” ou qualquer um com o casalzinho citado Hanks e Ryan (“Sintonia de Amor” é o melhor deles).

Poupe seu dinheiro e lembre-se, um sofá e um edredon é muito mais romântico do que uma sala de cinema lotada.

Trailer legendado

 

 








  • Anônimo

    hahaha, Mau, adoro ler suas resenhas de filmes, muito bom :)

    • Anônimo

      Valeu cara!

  • Anônimo

    pois é, e vc tem a Kristen Wiig e o Jon Hamm que são melhores atores e comediantes (o Hamm batia cartão no SNL e é o que se salva no Missão Madrinha de Casamento) e põe os caras de coadjuvantes

    • Anônimo

      Pois é Marcelo, mas eles não tiveram muito espaço no filme…eu tb gosto muito do Chris O’Dowd, que conhecia da série inglesa “The IT Crowd”. Qualquer um deles seria melhor escolha para protagonista.

  • http://www.vainaminha.com.br Eduardo Sena

    Bom texto, mas ainda assim parece que foi escrito por um velho rabugento.

    Quem quiser ver um filme que se parece com uma comédia romântica, mas passa longe disso, pode assistir sem medo. Pois ao contrário do que a maioria das comédias românticas propõem, essa tem discussões interessantíssimas e pesadas, que fazem do filme algo um pouco além do trivial. O título não é a melhor adaptação, a loira principal não é a melhor pro papel e sequer tem lábios (literalmente) pra isso. Mas ainda assim, vale ver.

    • Anônimo

      Pois é, a percepção é diferente entre uma pessoa casada e com filhos e um solteiro. Muita gente vai gostar desse filme.

      • http://www.vainaminha.com.br Eduardo Sena

        Exato! Este é o ponto. O filme parece ser conduzido pra uma ideia de que casar e ter filhos é uma merda e que ser solteiro e viver no modo avulso é o que há. Mas a gente sabe que não é bem assim. Cada situação tem seu ponto forte e uma não elimina a outra, é isso que eu acho que o próprio filme mostra depois, entre outras coisas rs

        Mas quando li o texto achei que você opinou como um velho rabugento que só viu um lado, manja? Eu mesmo pensei assim até uma parte do filme. Mas essa percepção muda depois e os diálogos e discussões são intensos, ajudam.

        Em tempo: quase pude ver você alguns anos à frente, tiozão, barba por fazer e batendo no teclado escrevendo o texto puto com o filme hahaha

  • http://profiles.google.com/marianelima Mariane Lima

    Muito boa a resenha, você pegou dois pontos bem importantes que os filmes tendem a ignorar o fato de que só se perde contato hoje em dia se quiser (e muito) e os filmes que falam de casais com filhos, dificilmente mostram os tais filhos, é como se eles já nascessem com 15 anos cuidando da própria vida.
    De qualquer forma, ainda quero assistir para ver se eu também sou uma velha rabugenta, rs.

  • http://www.facebook.com/people/Franklim-Alves/100001422546925 Franklim Alves

    Muito boa a sua resenha.
    Eu gostei de alguns diálogos, principalmente a discussão na cabana, que pra mim foi a melhor cena do filme.
    Só faltou dizer que a protagonista não é só pouco atraente, mas é chata demais!
    Fora os comentários sem noção como o das calcinhas no apartamento. Quanto a ele, concordo, Megan Fox é areia demais pro caminhão dele, haha.
    Achei que podiam ter caprichado mais na forma como o sentimento entre eles passa da amizade pro amor, ficou superficial, dando a impressão de que foi de uma hora pra outra.
    Fiquei pensando se não seria interessante fugir do clichê, e ao invés de juntar os dois, mostrar como seria essa história maluca de ter um filho através de um acordo, explorando mais o impacto sobre a família, amigos, a amizade entre eles e obviamente, a criança.

    • Anônimo

      É isso aí Frankilm…pensamos da mesma forma.
      Obrigado pela visita…