Além da Fronteira (Out in the Dark) – Crítica

Por que sofrer de um preconceito se você pode sofrer por uma porrada deles?

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Além da Fronteira é o primeiro filme do diretor Israelense, Michael Mayer, que esteve recentemente no Brasil para a divulgação do seu filme. O longa mostra um casal gay formado por um palestino e um israelense. É claro que apenas a amizade deles já seria o suficiente para provocar algumas brigas, mas o filme ainda consegue ser mais polêmico, já que eles são gays e um deles possui um irmão militante extremista, que ajuda a piorar ainda mais a situação.

O filme se divide em duas partes. O inicio é meio lento e cansativo, já que tenta apresentar os personagens em detalhes exagerados a ponto de ficar meio sonolento. O diretor usou e abusou de cenas consideradas fortes para o público casual. Não se preocupe (caso você queira levar a vovó para o cinema) que o filme não mostra cenas de sexo.

As carícias entre os dois garotos chegam a levar longos e demorados segundos, o que acaba por prejudicar um pouco o filme, já que eles não parecem estar confortáveis nas situações, a química passou longe dali e podemos perceber apenas dois atores se esforçando o máximo possível para passar uma imagem verídica, mas que acaba parecendo robótico, por mais que os personagens se digam apaixonados a cada dois minutos, não existe alma nesse amor, apenas o contato físico de um beijo ou toque no rosto mais de forma totalmente ensaiada.

Apenas a título de informação, ambos os atores são héteros, e um deles está em seu primeiro grande papel. Não acredito que apenas por ser hétero as cenas de amor tenham passado a sensação de serem falsas, mas talvez o peso do papel deveria ter sido passada para atores com mais experiência.

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Apenas após a metade do filme é que Além da Fronteira começa a tomar um ritmo de thriller e faz com que o telespectador se interesse mais pelo filme. Por mais que o público possa não ser tão aprofundado aos conflitos do oriente, o diretor faz o suficiente para entendermos a situação.

Por algumas boas vezes, usa de takes que dão a impressão de documentário, onde sentimos que estamos presenciando o ocorrido ao lado do protagonista. Mas essas cenas são poucas tendo a ocorrência mais de cenas de ação.

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Outra parte importante de se mencionar é a fotografia do filme que tende a ser escura e em ambientes fechados, são poucas as vezes que conseguimos perceber a luz do dia e a cidade ao redor, acredito que a escolha da escuridão tenha mais a ver com a facilidade em realizar as filmagens (já que nunca é fácil filmar fora de estúdios) do que o próprio tema do filme, já que o nome em inglês é Out in the Dark.

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Apesar de não ter gostado do lento início do filme, o filme melhora do meio para o final e consegue passar a mensagem.

Minha nota para Além da Fronteira é 7 de 10

Sinopse:

Nimer, é um jovem palestino, que sonha em ter uma vida melhor no exterior e consegue um visto para entrar em Tel Aviv para estudar. Numa noite, ele conhece Roy, um advogado israelense, por quem se apaixona. Quando o relacionamento dos dois fica sério, Nimer precisa encarar a dura realidade de ter que esconder sua vida da sociedade palestina que não aceita sua orientação sexual, e a sociedade israelense que o rejeita por sua nacionalidade. Quando um amigo é morto após ser descoberto ilegalmente em Tel Aviv, Nimer precisa escolher entre a vida que deseja ter ou seu amor por Roy.

 

Trailer:

Leandro Vallina
Formado em Comunicação Social. Tem como prioridade na vida cuidar da filha, jogar videogame, alimentar e passear com os cachorros, alimentar e passear com a esposa e jogar mais um pouco de videogame.

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