[Cátalogo] – A Hora do Espanto (Fright Night) 1985

 

Faz muito tempo, a criatividade acabou em Hollywood. Hoje em dia parece que a indústria do cinema só se sustenta através de adaptações de livros de sucesso, refilmagens do cinema oriental ou europeu ou ainda criando versões novas de filmes do tempo em que o cinema norte americano nos trazia diversas produções interessantes todos os anos, claro que estou falando dos anos 80.

E é com a terceira estratégia citada acima que lançaram em 2011 um filme bem meia boca chamado Fright Night (A hora do Espanto, no Brasil), refilmagem de um dos maiores clássicos da década de ouro do cinema de terror.

O filme foi, merecidamente, um fracasso e não fez jus ao grande filme original, de 1985.

Apesar do nome em inglês ser muito legal e ter até uma sonoridade bacana, optaram por chama-lo de “A hora do Espanto” por aqui pois estávamos em 1985, apenas um ano após Freddy Krueger arrebatar milhares de fãs com seu espetacular “A Hora do Pesadelo”.

Fright Night conta a história de Charley, um adolescente comum que descobre acidentalmente que seu novo vizinho é um vampiro.

Para os jovens de hoje que acham que um vampiro é aquilo que viram em Crepúsculo, é muito importante conhecer este filme e descobrir o que é um vampiro de verdade. Não, o Vampiro da versão de 2011 já não serve como referencia.

Me refiro a um vampiro que não suporta água benta nem alho, não pode encostar em um crucifixo, não pode entrar na sua casa se não for convidado e, principalmente, se exposto à luz do sol vira cinzas e não um globo de discoteca.

Vampiro que não tem seu reflexo em espelhos, que dorme em caixão e que se transforma em morcego.  Estava revendo este filme pela vigésima vez para escrever esta crítica e pensando, como é bom ver vampiros à moda antiga, quando a única coisa que eles queriam chupar eram pescoços.

Isso é um vampiro com gênero definido

 

No filme Charlie namora Amy, interpretada por Amanda Bearse que ficou famosa como Marcy Roads (e depois Marcy Darcy) na melhor sitcom de todos os tempos, Married With Children. Hoje ela saiu do armário e é uma das maiores defensoras dos direitos dos homossexuais. Pra quem a conhece hoje chega a ser estranho vê-la interpretando a gatinha indefesa no filme. Mas o fato é que justamente ela é a reencarnação de uma antiga namorada do vampirão e sua única chance de voltar a amar.

 

Marcy Darcy já foi gatinha

Como “surpreendentemente” ninguém acredita em Charlie quando ele diz que seu vizinho é vampiro, ele decide pedir a ajuda de Peter Vincent, um “famoso” apresentador de um programa de TV sobre filmes de terror (eu particularmente sempre preferi a Elvira, procurem no Google por que vale a pena) que se diz matador de vampiros profissional, mas na realidade é apenas um ator decadente que acaba de ser demitido por que, segundo ele, a juventude da época não queria mais saber de vampiros, apenas de “assassinos lunáticos com máscara de hockey estraçalhando mocinhas virgens” numa clara crítica à série de filmes “Sexta-Feira 13” que também fazia muito sucesso na época.

Quando Vincent decide ajudar a convencer Charlie que ele está errado e acaba acidentalmente descobrindo a realidade, o filme adquire um clima de tensão espetacular, mantendo o espectador na ponta da poltrona até a última cena através de um roteiro muito bem escrito e de efeitos especiais simplesmente espetaculares para 1985. Até hoje eu não sei como eles conseguiram fazer a boca da vampira ficar daquele tamanho.

Peter Vincent, uma bela homenagem a Vincent Price

Fright Night precisa ser visto por todos aqueles que gostam de cinema, sejam fãs de terror ou não. Precisa ser visto por todos que já se deram ao trabalho de assistir Crepúsculo e, principalmente, por todos aqueles que viram (e provavelmente não gostaram) o remake de 2011.

Boquinha de dar inveja a Mick Jagger

É um excelente filme de terror que ao mesmo tempo em que tem um clima leve como o das comédias adolescentes da época, te cativa e te mantém tenso sem saber o que vai acontecer. Um filme de vampiro que faz uma coisa simples, mas pouco usual: Honra o tema e suas tradições.

Curiosidades:

– A garota de programa que aparece (e morre) no começo do filme, que eu achei por anos que fosse a Hellen Hunt fazendo uma pontinha, é na verdade Heidi Sorenson, Miss Julho da Playboy em 1981

– No começo do filme quando Peter Vincent vai matar uma vampira em um dos seus filmes, a estaca está virada ao contrário, uma piadinha para mostrar como os filmes do programa dele eram toscos.

– Existem muitos outros bons filmes sobre pessoas que descobrem que seus vizinhos são assassinos desde Janela Indiscreta de Hitchcock em 1954 até Paranóia em 2007, passando por “Meus vizinhos são um terror” com Tom Hanks em 1989

– No filme eles citam, e mostram, que Vampiros também podem se transformar em lobos, essa eu sempre considerei uma falha já que, até onde eu sabia, esta capacidade sempre foi exclusiva dos lobisomens. Mais tarde descobri que a mitologia dos vampiros envolve transformação em muitos outros animais além de morcegos.

 

Mau Franco
Formado em ciências da computação e pós-graduado em administração e gerenciamento de projetos, trabalha 9 horas por dia em uma grande empresa. O pouco tempo que lhe resta é passado com sua esposa, filhos, cachorros, alguns poucos games e algumas centenas de filmes.

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  • Marcos

    Sinceramente, uma das melhores críticas que já li a respeito de filmes clássicos da melhor década de filmes – isso em minha opinião – década de 80!!!

    Não mudo uma vírgula e uma palavra sequer, crítica competende, de alguém que realmente provou entender de filmes clássicos, e principalmente, do verdadeiro significado de Vampiros: mal. Hahahahaha….

    • mau_franco

      Valeu Marcos. A gente tenta passar uma opinião sincera, acima de tudo.
      Abs,

  • Slag, o desnecessauron

    Bem legal sua crítica. O bom deste filme é que nunca me canso de vê-lo (aliás, já vou ver hoje a noite, por isso encontrei seu video no youtube que me direcionou ao seu site)

    E para nós brasileiros ele tem um atrativo a mais: como a dublagem do primeiro ficou a cargo da BKS, é muito gostoso ver que utilizaram quase todas as vozes do pessoal do De Volta para o Futuro neste filme. Portanto a voz do Dr. Brown ficou para Peter Vincent, a mãe do Marty dublou a namoradinha do Charlie e o Evil Ed ficou com a voz do Marty McFly.

    • mau_franco

      Valeu Slag…Obrigado,

      Abs