Crítica – Colegas

Não é de hoje que filmes sobre amigos que abandonam suas vidas para alcançarem seus sonhos entopem os cinemas e suas reprises nas televisões. O Brasil mesmo já fez isso em diversos filmes, com o mesmo clichê de aventuras, amizades e comédia, mas dessa vez acertou a mão com Colegas, filme dirigido por Marcelo Galvão, que leva ao espectador um filme divertido e delicado – talvez até mais graças a um detalhe: levar às telas protagonistas portadores de síndrome de Down. A primeira vez que ouvi falar sobre o filme Colegas veio de uma campanha pela internet em trazer o ator Sean Penn para assistir à estreia do filme e realizar o sonho do ator Ariel Goldenberg em conhecer o seu ídolo. Nada mais justo, já que Colegas se trata justamente na busca da realização de sonhos.

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Colegas conta a história de três jovens que vivem em uma instituição para portadores de síndrome de Down, Stalone (Ariel Goldenberg), Aninha (Rita Pokk) e Márcio (Breno Viola), que, inspirados pelos filmes que sempre assistiram na instituição por cuidarem do acervo audiovisual, resolvem fugir para realizarem seus maiores sonhos: Stalone quer ver o mar, Aninha quer se casar, e Márcio quer voar. Então, com um plano articulado, resolvem fugir roubando o carro – um Karmann Ghia vermelho – do inspetor Arlindo (Lima Duarte), onde passam por diversas situações para conseguirem o que querem, chamando a atenção da polícia e da mídia.

O que chama a atenção no roteiro de Colegas são as inúmeras referências a outros filmes famosos, já que é assim que os três colegas tomam a maioria de suas decisões. A lista não é pequena: vai de Thelma e Louise (a referência fica clara por estarem em um conversível vermelho), Cães de Aluguel, Scarface, Perfume de Mulher, Taxi Driver, Blade Runner (na minha opinião, a melhor e mais divertida de todas!), entre outras, tudo muito bem adaptado às situações dos amigos. Mesmo quem não reconhecer (ou até conhecer) as referências, Colegas diverte com isso, além de homenagear grandes obras do cinema.

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Obviamente, o que chamou a atenção de muitos ao filme é o fato dele tocar em um assunto que, infelizmente, não é mostrado no cinema. Apesar dessa ‘polêmica’ gerada por muitas pessoas desentendidas, engana-se quem acha que Colegas é um filme de conscientização aos portadores de Down, pois em nenhum momento o filme demonstra qualquer apelo a isso. É, aliás, uma homenagem de Marcelo Galvão (que também escreveu o roteiro) ao seu tio portador de Down. Claro que, com essas condições, as atuações dos protagonistas são ainda mais cativantes e, em muitos momentos, nos divertem e emocionam. Porém, outros personagens, como os agentes policiais Souza e Portuga (interpretados por Deto Montenegro e Rui Unas) roubam a cena com seus diálogos, tornando o filme ainda mais cômico. Como todo bom filme, Colegas tem suas poucas falhas (na minha opinião, alguns clichês previsíveis), mas é um ótimo resultado do que o cinema nacional vem a oferecer recentemente – ainda mais ganhando prêmios como Melhor Roteiro no 1º Festival de Paulínia, melhor filme, direção de arte e prêmio especial do júri no 40º Festival de Gramado, além de muitos outros prêmios internacionais, o que não me deixa mentir.

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De uma maneira geral, Colegas é um ótimo filme e sabe nos divertir e emocionar, independente de condições e limitações. É uma comédia que nos conscientiza, no final, que correr atrás dos nossos sonhos e objetivos é o melhor que temos a fazer. Merece ser assistido por todos, com ou sem a presença do Sean Penn. Você vai sair do cinema satisfeito.

 

Colegas (2013) – 103 min.
Com Ariel Goldenberg, Rita Pokk, Breno Viola , Lima Duarte, Marco Luque, Deto Montenegro, Rui Unas, Leonardo Miggiorin.
Nota final: 8

 

Trailer do filme:


 

Campanha #vemseanpenn:

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