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Todo mundo que é fã de filmes de terror, mais especificamente de filmes de fantasmas sabe que nos últimos anos uma nova febre atingiu os roteiristas de cinema e passou a fazer com que todo fantasma, no final do filme, seja bonzinho.

Calma que não estou falando do Gasparzinho tentando fazer amigos, com “bonzinho” quero dizer que, passamos noventa minutos (ou as vezes bem mais do que isso) com medo de um espírito mas no final descobrimos que ele estava apenas tentando pedir ajuda. Afinal, todo fantasma, nos filmes atuais, está com algum assunto mal resolvido na Terra e precisa da ajuda de um vivo para resolvê-lo, seja achando os seus restos mortais, seja ajudando a polícia a capturar seu assassino.

Está certo que estes fantasmas escolhem métodos nada úteis de chamar a atenção, aparecendo de repente, derrubando livros, fazendo barulho e dando sustos.

Ainda acho que seria mais efetivo o fantasma simplesmente bater na porta e se apresentar educadamente:

- Por favor não se assuste, sou um fantasma e preciso da sua ajuda.

Mas como nenhum faz isso continuamos nos assustando.

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Em “Mama”, longa metragem de estreia do diretor Andrés Muschietti ,  temos uma situação um pouco diferente e, até por isso, o filme surpreendente positivamente.
O fantasma em questão, a tal de Mama pode ser interpretada, logo de 130121092324-mama-movie-story-topinício, como boazinha, já que salva duas meninas da morte, após um surto psicótico do pai, um executivo arruinado financeiramente.
Mama cuida das duas crianças durante cinco anos, inclusive alimentando (apenas com cerejas e mariposas, é bem verdade, mas alimentando) e fazendo brinquedos para elas.

Mas quando as meninas são encontradas e levadas para viver com os tios, Lucas (Nikolaj Coster-Waldau, o Lannister que gosta de traçar a própria irmã em “Guerra dos Tronos”) e Annabel (Jessica Chastain de “Os Infratores”, aqui com cabelo preto, o que resulta em uma baixista pra lá de sexy) todo o ciúme de Mama vem à tona.

Uma mãe faz qualquer coisa para não ser separada de seus filhos, e se essa mãe for um fantasma poderoso os problemas podem ser realmente sérios.

mama-01O filme tem tudo o que um fã de horror pode querer,  cenas extremamente tensas e aterradoras, como no início do filme quando o pai das meninas decide acabar com a vida de toda a família e muitas cenas arrepiantes de susto, apesar de clichês, extremamente efetivas.

Há também cenas emocionantes para quem não quer apenas sustos e medo, como o desenvolvimento do relacionamento de Annabel com as meninas, que é tocante e pode arrancar algumas lágrimas dos mais sensíveis em alguns momentos.

 

Mama tem a chancela de Guillermo Del Toro, o gênio por trás de Labirinto de Fauno, que quase jogou toda a sua credibilidade no lixo com o intragável “Não tenha medo do escuro”de 2010.

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Outro ponto positivo é que ao contrário de 99,99% dos filmes de terror, Mama não perde grande parte do seu poder amedrontador ao revelar totalmente a criatura. Mesmo após darmos uma boa olhada em Mama, conhecermos a aparência dela antes e depois de virar fantasma, ainda continuamos nos arrepiando a cada frame em que ela aparece.

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Como eu havia antecipado em meu post no inicio do ano, Mama é realmente o primeiro grande terror de 2013 e serve como um excelente aquecimento antes da estréia de “A Morte do Demônio” que promete ser o queridinho de 2013 para os fãs do cinema fantástico.

Curta também nosso quadro, Saindo do Cinema, onde eu e o Leandro Vallina gravamos nossas primeiras impressões sobre o filme, logo após a sessão. O vídeo contém spoilers.

Trailer:

Divirtam-se!