Crítica: TOMMY (1975)

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Uma das bandas mais icônicas dos anos 60 sem sombra de dúvida foi THE WHO. Roger Daltrey, Pete Townshend, John Entwistle e Keith Moon representavam o que havia de maior no rock n’ roll daqueles tempos: música alta, ótimas letras e muita atitude no palco.

Em 1969 eles lançaram o seu quarto álbum de estúdio, intitulado TOMMY. Mais do que um simples disco de rock, este álbum inaugurou o estilo conhecido como OPERA ROCK, que se tornaria o referencial para diversas obras que vieram nos anos seguintes, álbuns conceituais em que todas as músicas se ligam umas às outras, formando uma história completa.

The Who

The Who

Pete Townshend compôs quase todas as canções do álbum.

TOMMY, considerada uma das obras mais importantes da história do rock n’ roll, narra a história de Tommy Walker, que aos sete anos de idade, presencia a morte do pai, militar de volta da Primeira Guerra Mundial, pelas mãos de sua esposa e do amante dela. Eles forçam o garoto a acreditar que ele não ouviu, não viu, nem iria jamais falar sobre o assunto. Dessa forma, Tommy perder a visão, audição e fala.

Ao longo da infância, o garoto sofre abusos por parte de parentes e outras pessoas, sentindo-os como música, sem poder expressar essas sensações.

Quando adulto, ele encontra uma máquina de pinball e instantaneamente se torna um mestre no jogo, mais precisamente, um mago do pinball. Uma legião de fãs passa a acompanhá-lo, transformando Tommy numa espécie de messias de uma geração.

Depois que recupera os sentidos, Tommy passa a guiar seus seguidores “rumo à luz” por meio de um culto religioso. A imensidão criada por aquela situação obriga Tommy a novamente se fechar em seu próprio mundo de imagens e fantasias, numa clara alusão aos perigos de qualquer tipo de fanatismo.

Algumas faixas como “Pinball Wizard”, “I’m Free” e “See Me Feel Me/Listening To You” foram lançadas como compactos, e ainda são executadas isoladamente nos concertos da banda.

O álbum foi lançado originalmente como um LP duplo e capa tripla, com arte inspirada no trabalho de Mike Mclnnerney, representante da Pop Art. A capa mostrava uma esfera adornada por pequenos losangos, tendo gaivotas e nuvens ao fundo. Nas esferas há pequenas imagens, quase imperceptíveis dos membros da banda, por decisão da gravadora, que insistiu que uma foto da banda ilustrasse o álbum. O encarte é formado por imagens de personagens que ilustram a história, como malabaristas e mágicos, além de algumas pinturas.

Capa original do álbum TOMMY.

Capa original do álbum TOMMY.

A obra foi executada ao vivo por diversas vezes, tanto em festivais e concertos, quanto para lançamentos de álbuns. Além disso, TOMMY foi executada em 1972 pela Orquestra Sinfônica de Londres, com participação aos integrantes da banda, além de astros pop da época, como Rod Stewart e Ringo Starr, interpretando os personagens. Em 1993, Towshend e o diretor Des MacAnuff escreveram uma versão para os palcos da Broadway, com a adição de novas canções, o que resultou em êxito.

E não podemos nos esquecer da versão para as telas do cinema, lançada em 1975 e assinada por Ken Russell, com um elenco estelar, que incluía Elton John, Oliver Reed, Tina Turner, Eric Clapton, Ann-Margareth, Jack Nicholson, além dos próprios integrantes da banda, com destaque para Roger Daltrey no papel-título.

O filme contava com estrelas como Ann-Margareth e Oliver Reed...

O filme contava com estrelas como Ann-Margareth e Oliver Reed…

Tina Turner como a "Rainha do Ácido"...

Tina Turner como a “Rainha do Ácido”…

e Elton John como o "Rei do Pinball".

e Elton John como o “Rei do Pinball”.

O filme possui algumas diferenças bem acentuadas em relação à obra original, como a ambientação da história após a Segunda Guerra Mundial (quando na ópera rock acontece após o fim da Primeira Guerra Mundial); a morte do Capitão Walker (pai de Tommy) pelo amante da mãe (quando originalmente, este morria); além de composições criadas especialmente para o filme, entre elas, “Prologue 1945”, “Bernie’s Holiday Camp”, “Champagne”, “Mother and Son” e “T.V. Studio”, e algumas modificações nos versos de “Pinball Wizard”, “Christmas”, “Amazing Journey” e “1921”.

Roger Daltrey, cantor da banda, vivia o personagem-título.

Roger Daltrey, cantor da banda, vivia o personagem-título.

Por ser uma produção de 1975, são inegáveis as influências psicodélicas dos anos 70, além dos cenários e figurinos extravagantes, comuns aos filmes da época, sobretudo, musicais. A produção recebeu algumas críticas em relação a isso, somando-se o fato de que os atores não sabiam cantar bem, fora os profissionais da área, evidentemente, como Turner, Clapton e John.

Pessoalmente, eu não considero isso como um fator que venha a prejudicar a experiência do espectador que assiste à versão cinematográfica de TOMMY, já que na maioria dos musicais, sempre há aqueles que “cantam melhor” e os que “não cantam tão bem assim”. Os temas retratados de forma exagerada e os personagens icônicos representam bem a trama ácida e cheia de simbolismos presente na obra original.

Welcome to te camp!

Welcome to te camp!

Lembro-me bem que assisti a este filme pela primeira vez lá nos idos dos anos 90, ainda em VHS. Já conhecia a banda, mas não era muito fã. Após assistir, gostei bastante da história, e principalmente, das canções. Após isso, ano após ano, mais para perto do Natal, revia o filme. Tempos atrás, comprei em DVD o filme e ainda assisto de vez em quando.

Mesmo sendo uma versão mais independente do “texto” original e que tenha a assinatura de seu diretor, a versão de TOMMY para os cinemas consegue ser uma das melhores adaptações de ópera rock para as telas, com atuações inspiradas de seus atores e momentos históricos, como a sequência do “Mago do Pinball” ou a cena da “Rainha do Ácido”, nada mais anos 70.

Tanto o filme, quanto a obra original em que se baseia, apresentam a força e o poder de fogo da banda THE WHO, a essência da música elevada á milésima potência, não como simples manifestação de arte, e sim como, o retrato mais puro e incendiário de uma geração, que se perpetua pelo tempo como a mensagem de que o espírito livre deve ser a razão que motiva nossas vidas.

VEJA-ME. SINTA-ME. TOQUE-ME. CURE-ME. Liberte a mente e as sensações para o mundo que te aguarda, não aquele manipulado pelos poderosos, tampouco, o que as pessoas querem que você veja. É o mundo que sua mente cria e que pode se tornar aquele que lhe trará as sensações e emoções de estar e ser livre. É a mensagem de TOMMY, a resposta a um tempo de guerras e conflitos políticos e éticos, algo que não necessita de época ou lugar.

Isso é o que faz TOMMY ser uma obra imortal.

ESCUTANDO VOCÊ, EU TENHO A MÚSICA. OLHANDO VOCÊ, EU RECEBO O CALOR. SEGUINDO VOCÊ, EU ESCALO A MONTANHA. EU TENHO A EXCITAÇÃO A SEUS PÉS. ATRÁS DE VOCÊ, EU VEJO MILHÕES. EM VOCÊ EU VEJO A GLÓRIA. DE VOCÊ EU OBTENHO OPINIÕES. DE VOCÊ, EU COMEÇO A HISTÓRIA.

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