[Game Design] Pokémon

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Pokémon é muitas coisas legais, mas me parece que o pessoal esquece o principal dessa marca. Não é o desenho. Não é o cardgame. Não são os bonequinhos. Nem nenhum álbum de figurinhas ou qualquer coisa do tipo. O principal são os jogos de Game Boy! E eu não estou falando dessas novas versões insossas! Estou falando das origens! Do Game Boy tijolão!!! Dos gráficos duídos e da trilha sonora de dar dor no ouvido – mas que davam mó emoção legal nas batalhas de ginásio! Senhores, Pokémon é um jogo MUITO bom e não é só pela nostalgia de infância! É um jogo de MUITA qualidade! E vejamos o porquê!

Como já disse, a série começou no Game Boy Classic, sendo um jogo de RPG para todas as idades com 151 monstros para capturar, colecionar e batalhar. A premissa parece simples, mas o jogo foi uma verdadeira febre até antes do anime! Crianças pelo mundo todo levavam o Game Boy pra escola pra travar batalhas e trocar os bichos! Acho que nem a Nintendo esperava uma repercussão tão boa. Pokémon foi a franquia mais vendida do Game Boy – tão vendido quanto o Tetris! Véio, tão vendido quanto TETRIS!!!

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Para começa a compreender esse sucesso, logo de cara encontramos o elemento RPG. Na época, o gênero estava em alta e Final Fantasy era um dos grandes destaques do Super Nintendo. RPGs são jogos focados no enredo, sem muita ação, mas com uma trama envolvente e elementos de evolução e personificação de personagem – ou seja, os seus monstros de bolso ficavam mais fortes conforme você jogava! Legal, não? Isso parece óbvio hoje em dia em que praticamente todos os jogos têm sistema de progressão, mas nós estamos falando dos tempos em que as opções eram Mario, Donkey Kong, Street Fighter e afins – e nenhum deles evoluía, os personagens eram os mesmos do começo ao final do jogo! Sem falar que eles evoluíam, o que dava uma sensação ainda mais forte de progressão – o lagartinho com fogo na ponta da cauda virava um dinossauro maneiro, que virava um dragão alado irado!

Pokémon também permitía uma forte lógica de estratégia. Não só as criancinhas jogavam com os bichinhos fofinhos, mas muito marmanjo se vislumbrou com a ideia de poder montar seu próprio time e ter uma infinidade de táticas diferentes. Durante o jogo, você ia descobrindo espécies novas de monstros, podia capturá-los e montar uma equipe de até 6 membros diferentes. Existiam diversos tipos de pokémons – fogo, água, planta, voador, fantasma etc – e um nunca era igual ao outro. Sendo assim, o monstro peixe que você capturou agora não tem as mesmas estatísticas e nem habilidades que o monstro tartaruga que você escolheu no começo, mesmo ambos sendo de água, e você ainda pode montar equipes focadas em um elemento – “se o próximo chefão usa monstros aquáticos, um time de elétricos e de plantas cairá bem, então eu posso deixar os de fogo guardados pra depois” – ou diversificar ao seu próprio gosto – fogo, água, psíquico, fantasma, lutador e dragão sempre estão no meu time. Pois é, Pokémon PARECE um jogo de criança, mas tem muito moleque de 9 anos que te daria uma surra pela estratégia, meu amigo!

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E, para viciar de vez, o jogo traz elementos de coleção! Quem não acha divertido explorar um mundo descobrindo novos monstros e capturando todos? O grande desafio de completar a Pokeagenda! Muita gente já varou horas procurando um único bicho para completar sua coleção, ou treinando um monstro até um nível altíssimo pra descobrir se ele tinha evolução ou não. Pessoas colecionam coisas e Pokémon transportou isso para o meio digital! Cá entre nós, figurinhas, selos e miniaturas ficam entediantes pertos de monstros que você pode usar pra batalhar! – sem falar que depois que o anime foi lançado, o pessoal jogava pra encontrar dentro do jogo aquele pokémon que apareceu no episódio novo, ou então pra encontrar os que ainda não tinham aparecido no desenho, o que intensificou ainda mais a vontade de buscá-los a todo custo!

E tudo isso com um enredo incrível! “Ah, é só um jogo de capturar monstrinhos e vencer os chefes de ginásio”, NÃO, NÃO É SÓ ISSO, SEU IDIOTA!!! Essa é a premissa do jogo, o ponta pé inicial! Um garoto que sai de casa para derrotar treinadores mais experientes e se tornar o melhor de todos. Porém, no meio da jornada, há contraposições! Você conhece alguns personagens no meio do caminho e tem que realizar missões que não estão diretamente ligadas à sua jornada pessoal, como ajudar um pesquisador a sair da fantasia que ele vestiu para imaginar como que um pokémon se comporta na pele – e acabou ficando preso nela -, descobrir o que fazer com o fóssil que você encontrou no meio na Caverna da Lua, salvar uma cidade da dominação do grupo criminoso que usa os monstros em seus atos vilanescos, batalhar contra o rival e assim por diante. Não é um enredo complexo e profundo, como nos jogos da Square Enix, mas tem uma história acontecendo! Não é uma linha reta entre o ponto de partida e o objetivo! Tem movimento! Tem pedras no caminho! Tem inimigos a serem derrotados! O mundo do jogo é vasto, seja um bom gamer e explore-o!

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Senhores, é assim que se faz um jogo excelente! Vários elementos bem equilibrados e ordenados! Jogabilidade simples, mas rica. Cenário grande e diversificado. Enredo claro e divertido. Pokémon é uma das franquias mais vendidas do mundo até hoje e não é por acaso ou por popularidade sem mérito! O jogo tem força para tal! Raros são os casos em que jogos ficam famosos sem merecimento, e Pokémon é um exemplo de jogo que merece a posição de um dos melhores do mundo!

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Bernardo Stamato
Vencedor do Concurso Cultura "Eu, Criatura" da Devir Livraria, formado em Letras, professor de Game Design e 3D Fundamental na empresa Seven Game e escritor (http://entrevirtudesevicios.blogspot.com/). Quando dá tempo para respirar, lê e joga PS3 também.

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