Na Natureza Selvagem – Crítica [Catálogo]

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Há certos filmes que servem apenas para diversão pura e simples, durante aquelas duas horas de projeção. Mas existem filmes que nos fazem pensar, nos deixam refletindo sobre nossas vidas por semanas, meses, ou até mesmo nos fazem mudar definitivamente a forma como enxergamos o mundo. Não estou falando de algum documentário chato, mas de histórias inspiradoras como a de Chris.

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“Na natureza Selvagem” (“Into de Wild” no original), é um filme baseado em um livro, que por sua vez conta a história real de Christopher McCandless, vivido por Emile Hirsch (o garotinho de “Show de Vizinha”) um americano que simplesmente decidiu que não havia motivos suficientes para batalhar a vida toda por coisas supérfluas em uma sociedade consumista.

Assim que se forma, com méritos, na faculdade Chris, um jovem de família rica e com um futuro promissor pela frente, decide doar todas as suas economias de vida (cerca de 24 mil dólares) para caridade, queimar seus documentos e o dinheiro da carteira, abandonar seu carro e pegar carona rumo ao desconhecido, para viver na natureza.

Ele acreditava que a beleza da vida não está em posses e que todos os seres conseguem viver única e exclusivamente da natureza. Dois anos depois seu corpo em avançado estado de decomposição foi encontrado por caçadores, dentro da carcaça de um ônibus abandonado, no Alaska.

Into-the-Wild-upcoming-movies-216153_1024_768Não, isso não é spoiler se considerarmos que a história de Chris teve uma certa repercussão na época em que seu corpo foi encontrado 1992. E que o filme foi baseado em um livro depois que Sean Penn passou quase 10 anos tentando conseguir com a família de Chris uma autorização para adaptar sua história para o cinema. O roteiro e a direção do longa feitos por Sean Penn estão sensacionais e me arrisco a dizer que foi o maior feito de sua vida, depois de pegar a Madonna, é claro.

O filme não é apresentado de forma cronológica, logo no inicio vemos Chris chegando no Alaska, e a história é contada em forma de flashbacks, hora por sua irmã, hora pelo próprio através de suas cartas e poemas encontrados juntos a seu corpo.

Desta forma vamos acompanhando a jornada do rapaz desde sua formatura, até sua chegada “em casa”, no ônibus casino online mágico, e conhecemos as pessoas que ele tocou no caminho e como suas vidas foram mudadas.

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Pode parecer apenas mais uma história boba, de um jovem rebelde em busca de autoconhecimento, fugindo da sociedade e seus padrões estabelecidos sobre o que é certo e o que é errado, e buscando uma vida em harmonia com a natureza, mas o filme não é só isso. Definitivamente não é só isso.

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Na Natureza Selvagem comove e te transporta para uma outra perspectiva do que é a vida, muito graças à brilhante narrativa mas sobretudo pela música. Meu Deus, a música…

A trilha sonora do filme, 11 músicas originais compostas e interpretadas por Eddie Vedder, o líder do Pearl Jam, te deixa realmente embarcado, emocionado e tocado…mesmo se você não estivesse a fim de conhecer a história, bastaria ouvir a trilha sonora, e ver as belas paisagens mostradas para se emocionar. Elas completam o filme de maneira magistral.

A música “Guaranteed” inclusive ganhou o Globo de Ouro de Melhor Canção, e o filme foi indicado ao prêmio também na categoria de Melhor Trilha Sonora Original. Não consigo entender como não levou não só Globo de Ouro como o Oscar nesta categoria.

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Na Natureza Selvagem não é um filme para ser assistido, analisado e interpretado. E um filme para ser sentido.

Trailer legendado:

 

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O verdadeiro “Supertramp”

Mau Franco
Formado em ciências da computação e pós-graduado em administração e gerenciamento de projetos, trabalha 9 horas por dia em uma grande empresa. O pouco tempo que lhe resta é passado com sua esposa, filhos, cachorros, alguns poucos games e algumas centenas de filmes.

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  • Rhuan Passos

    Esse filme é realmente muito bom. Você disse tudo que eu penso em relação ao filme nessa crítica. Ótimo texto, Mau. Parabens 😀

  • Rayana Lima

    Sabe quando a gente tem insônia e abre a televisão pra ver qual besteira está passando?? Pois é, foi isso que aconteceu comigo numa madrugada dessas. O detalhe é que o filme não era nenhuma besteira e me deixou acordada até o amanhecer. Depois fiquei pensando se deveríamos passar pela vida ou simplesmente deixá-la passar por nós.

  • fábio

    Acho interessante como o livro casou bem com o filme, de alguma forma
    toda a atmosfera do livro foi passada para as telas por Sean Pean e
    intensificada pela trilha de Eddie Vedder. Livro e filme obrigatórios!
    Tem um texto que li que complementa esse, que é bem bacana http://cabinecultural.com/2012/06/04/na-natureza-selvagem/