E.T. The Extra-Terrestrial – Atari (Botão Solitário)

Você já jogou a sério o game do E.T.?

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Pois é, todo mundo sabe que o game foi um dos principais responsáveis pelo crash dos games nos anos 80, mas muitos não sabem por quê o game foi o responsável, apenas que o jogo é ruim.

Então vou usar a coluna Botão Solitário para colocar um dos games mais conhecidos (e mais odiado) da história dos vídeo games.

A Lenda:

Após fabricar mais de 8 milhões de cartuchos e vender apenas 1,5 milhões, a Atari, evitando arcar com prejuízos de armazenagem, acabou enterrando todo o estoque de cartuchos do game no deserto do Novo México.

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Desenterrando o passado:

Financiado pela Microsoft, que está com o intuito de produzir um documentário que irá passar exclusivamente na sua rede online (LIVE), foi contratada uma equipe profissional de escavação que conseguiu judicialmente a liberação para escavar o local indicado e descobrir se a lenda urbana dos cartuchos do E.T. eram reais. E SIM!!! A lenda era um fato real.

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O Game:

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Baseado no filme de Steven Spielberg, E.T. foi lançado as pressas para o Natal de 1982, lembrando que o filme foi lançado em junho do mesmo ano, este é um dos motivos pelo qual o game tenha ficado tão ruim, algumas pessoas alegam que o jogo não foi terminado, outras que o jogo foi feito nas coxas.

O game contava a mesma história do filme, onde um E.T. se perdia na Terra e precisava coletar itens para fazer a tal ligação para a espaçonave.

Eu particularmente lembro-me de ter jogado o game na minha infância, mas como tínhamos muitos games de Atari que também não faziam muito sentido, esse game não me comoveu pelo seu fraco desempenho. Mas com todo o reboliço que tivemos nos últimos dias, por causa da escavação, eu resolvi joga-lo de novo, dessa vez com a minha humilde experiência de mais de 30 anos de games, imaginei que iria quebrar a cabeça e descobrir as dificuldades que o game empunha a jogadores mais novos. De fato até que descobri algumas coisas interessantes.

Gráficos e Som:

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A primeira vista o jogo não parece ruim, até porque a primeira tela é algo que dificilmente se via no Atari, uma tela de apresentação e ainda com a trilha sonora do filme. Acredito que essa foi a parte mais bem trabalhada do jogo.

Ao dar o start no game, o jogo vai para uma tela com um gramado verde onde desce a espaçonave com o E.T., após a nave deixar o coitado na terra ela vai embora.

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Também não questionei os traços da espaçonave e nem do E.T., afinal com os games que conhecíamos do Atari, já podíamos até ficar contentes só de perceber a semelhança do personagem do vídeo game com o do filme.

Mas infelizmente o game só tem esses detalhes diferentes, até porque o resto das telas se repete em gramados verdes, uma tela com uma casa e colinas, e o maldito buraco.

Jogabilidade e dificuldade:

É aqui que o bicho pega, não reclamo das poucas telas do game, já que eu me diverti com muitos games do Atari que possuíam apenas uma tela. Isso era normal. Mas o problema é que o jogo não parece ter um objetivo claro. Você até sabe que tem que coletar os itens, mas algumas informações que a tela te passa não faz sentido algum.

O game tenta ser original, deixando o jogador escolher o caminho que quer percorrer, ao contrário da grande maioria dos jogos que faziam o jogador ir apenas para a direita. Aqui você pode subir, descer ou ir para qualquer um dos lados. Uma seta maluca fica em cima da tela e até dá a impressão de tentar indicar alguma coisa. Não consegui descobrir o que era. A grande pagadinha do E.T. é que os buracos são as partes escuras do gramado, então você imaginava que estava apenas passeando pelo jardim e o buraco surgia do nada, mas após visualizar as partes escuras como buraco o game fica um pouco mais racional (mas não divertido).

O gramado escuro "são os buracos" e não apenas um gramado escuro

O gramado escuro “são os buracos” e não apenas um gramado escuro

Alguns buracos possuem as tais peças para montar o telefone, mas o problema é que sempre poderá aparecer um homem de amarelo (FBI talvez?) que vai passar pelo seu E.T. e pegara de você o item coletado. Apertando o botão de ação o seu E.T. dá até um passo mais rápido, mas a chance de você cair em um buraco é imensa.

Passeando pelo game descobri uma outra tela, a da casa, mas não descobri o que se faz nela, percebi então que eu deveria cair muitas vezes nos vários buracos para achar as peças necessárias. Mas a dúvida era: como sair dos malditos buracos?

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Após muito tempo quebrando a cabeça, descobri que segurando o botão de ação, o E.T. estica o pescoço e não sei por que motivo ele levita, saindo do buraco, mas após você trombar com o humano (automaticamente o item que você tinha coletado passa pra ele) e você volta a andar sem rumo no gramado verde, até cair em outro buraco. O jogo é praticamente isso, e quando o seus pontos, que estão em contagem regressiva a cada passo dado, chegarem a zero, o seu E.T. irá morrer e aí aparece o garoto do filme para chorar a morte do amigo.

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O jogo não é difícil porque tem plataformas ou puzzles absurdos, mas sim porque é recheado de bugs e nenhuma diversão. Não dá pra decorar as telas e após cair em tantos buracos sem itens você já não sabe mais onde está, ou às vezes consegue levitar e sair do buraco, mas ao voltar no gramado seu personagem cai automaticamente no buraco e fica nesse bug eterno até ele morrer.

Conclusão:

Passei em torno de 40 minutos tentando decifrar o game, ver se tinha algum sentido ou algo que eu pudesse me apegar, mas infelizmente o game não possui nenhum atrativo ao jogador.

Não cheguei nessa tela e não tenho ideia do que seja isso.kkk

Não cheguei nessa tela e não tenho ideia do que seja isso.kkk

Sinceramente eu imagino a cara de decepção das crianças de 82 ao ganharem e jogarem o game na noite de Natal e principalmente a fúria que os pais devem ter ficado ao ver que gastaram o suado dinheiro em uma porcaria que não iria mais ser jogada.

Lembrando que os grandes clássicos do Atari, como Seaquest, Enduro, Pac-Man, River Raid, Megamania, entre outros, possuem gráficos e efeitos sonoros pobres, mas um fator replay e diversão altíssimos, muitas crianças e adultos passaram horas e viraram madrugadas realizando competições atrás do melhor placar.

E.T não tem nada que possa sustentar o fator replay ou diversão, e já entedia o gamer nos primeiros minutos.

Agora que já conheci profundamente o game, posso afirmar com clareza que minha nota para E.T é 1 de 10, o único motivo por ter dado 1 ponto é pela tela de abertura bem desenhada e com o tema do filme, agora o resto do game é lixo, por isso mando um recado para a Microsoft: – Já descobriram a verdade? Agora por favor volte e enterrar.

Gameplay: (nesse vídeo o cara decifrou e zerou o game, isso não quer dizer que ele tenha gostado)


 

Se você curte jogos antigos, visite as colunas Botão Solitário (Atari), NEStalgia (Nes) e 16 Bits Fever (Mega/Snes).

E ouça aos podcast que gravamos desses consoles clássicos.

FGcast Atari AQUI.

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FGcast Nintendinho AQUI.

Até a próxima e bons jogos.

Fui pro game…

Leandro Vallina
Formado em Comunicação Social. Tem como prioridade na vida cuidar da filha, jogar videogame, alimentar e passear com os cachorros, alimentar e passear com a esposa e jogar mais um pouco de videogame.

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  • bolapucc

    Depois de velho, joguei essa bosta em emulador de Atari (Stella). Sabendo o q os sinais e setas malucos significam ajudam bastante. Em resumo, botei o Et na nave e mandei ele de volta pra casa em dez minutos. E aí começa td a desgraça de novo.

  • Jusier de Melo

    Otima materia. Quando criança minha mãe comprou um atari pra mim e dias depois numa troca de jogos com um colega eu adquiri essa bomba. No primeiro buraco que caí, desisti de jogar.