Lara Croft: Reflections

Uma aventura épica em formato de batalha de “cards” com a mais icônica protagonista feminina da Square.

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Desde que a Square Enix “rebootou” a série Tomb Raider no ano passado, eles abriram os portões e permitiram que o jogo fosse transformado em dezenas de novos gêneros que surgiram desde o lançamento do jogo original em 1996. Portanto não é surpresa que, com a nova incursão da Square no mercado de games para plataformas móveis, Lara se aventurasse também neste território.

Lara Croft: Reflections (LC:R) é um jogo lançado para IPad e IPhone próximo ao final de 2013. E coloca os jogadores no universo de Tomb Raider, mas ao invés do tradicional jogo de ação, agora os jogadores interagem com o mundo usando um sistema baseado em “cards”. Em LC:R os jogadores coletam estes cards e batalham uns com os outros.

As batalhas de “cards” usam a mesma premissa de outros jogos do gênero que fizeram a alegria de jogadores no passado, jogos que são baseados no mecanismo do pôquer, ou seja, cada carta tem um valor com algumas cartas vencendo outras como “trunfos”. Em LC:R, os jogadores recebem “mãos” ao início de cada rodada feitas com as cartas que eles coletam durante o jogo. Eles também recebem “hit points” que vão diminuindo a medida que recebem danos  durante as batalhas. As batalhas em si não são novidade no cenário de games RPG’s, principalmente no desenvolvimento de RPG’s para dispositivos móveis.

Nós já vimos games como “Poker Knight” que trazem todo o jogo de pôquer para o cenário de RPG, substituindo as batalhas por partidas de pôquer. Há também jogos como “Sword & Poker”, que misturam os dois gêneros perfeitamente, encontrando um jeito de incluir os elementos de RPG em um jogo de pôquer.

Ao mesmo tempo a indústria do pôquer, por sua vez, também começou a olhar para os consoles como uma inspiração para inovação dos seus jogos clássicos. Apesar de o pôquer ser um jogo bem conhecido e jogado por milhões de pessoas diariamente, a indústria está bastante competitiva e os operadores procurando constantemente por novas “features” para os seus jogos. Ano passado quando a “Bwin Party”relançou o partypoker, eles olharam para o mercado de consoles como uma inspiração, incluindo elementos como o sistema de “achivements” e início rápido dos jogos. Estes são remanescentes do sistema “Gamerscore” popularizado pelo Xbox360 em 2005.

Esta não é a primeira vez que a Square Enix, uma gigante do mercado de consoles, se aventura nos RPG’s de ação baseados em cartas. A gigante dos games tem uma série exclusiva para o mercado de portáteis que é um relativo sucesso. Entretanto LC:R difere desta série ao ser lançada de forma gratuita porém, como muitos outros games gratuitos, o corte no preço vem com algum corte na qualidade do jogo. Por exemplo, a arte do game é simples e a falta de movimentos em 3D e vídeos entre as jogadas impedem uma melhor experiência ao jogar. O sistema de batalha de “cards” também é diferente do que a maioria das pessoas espera quando pensam em Lara Croft. A franquia Tomb Raider e a própria Lara Croft é basicamente feita de adrenalina pulsante, ação e emoção desenfreadas e colocar a Lara em um jogo de cartas baseado em turnos de certa forma renega todo o trabalho duro em criar um ícone feminino que rivaliza com os maiores heróis de ação masculinos.

E, é claro, disponibilizar o jogo na plataforma móvel, acaba fazendo mais mal do que bem. O tamanho pequeno do jogo significa pouco conteúdo direto e muito conteúdo sendo disponibilizado em forma de “updates” (porém o game não tem sido atualizado há quase dois meses). Além disso o jogo também exige que o jogador tenha uma conexão com a Internet para poder jogá-lo, o que significa que o jogo não é tão simples de ser jogado a qualquer hora e em qualquer lugar como se imagina em dispositivos móveis..

Mas afinal, Lara Croft: Reflections é um bom jogo?

Bem, ele certamente está um pouco  acima da maioria dos jogos do estilo RPG de ação baseado em cards, mas é menos do que esperávamos em se tratando de Square Enix.

O jogo em si não é ruim, mas certamente não mereceria fazer parte de uma franquia tão espetacular como Tomb Raider.

Mau Franco
Formado em ciências da computação e pós-graduado em administração e gerenciamento de projetos, trabalha 9 horas por dia em uma grande empresa. O pouco tempo que lhe resta é passado com sua esposa, filhos, cachorros, alguns poucos games e algumas centenas de filmes.

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