O Mágico Inesquecível (1978) [Pop Cine]

Você nunca viu o superclássico infantil cinematográfico assim. Este é um Mágico de Oz com elenco totalmente negro. Dorothy (Diana Ross) não é mais a garotinha da fazenda no Kansas, e sim uma batalhadora professora do Harlem. Levada por um furacão de neve, ela aterrissa na Terra de Oz e lá encontra seus companheiros de jornada, o Espantalho (Michael Jackson), o Homem de Lata (Nipsey Russell) e o Leão Covarde (Ted Ross).

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A paisagem nova-iorquina é ela própria um cenário que dá origem a estes personagens tão peculiares: o Espantalho é montado a partir de detritos do lixão, o Homem de Lata é parte de um parque de diversões abandonado e o Leão Covarde se esconde entre as estátuas de leões em frente à biblioteca.

Há um quê psicodélico rondando o tempo todo, e ele finalmente se liberta quando Dorothy chega à sua cidade das Esmeraldas estilizada. Logo depois encontramos também a bruxa boa Glinda (Lena Horne, lenda da música negra). Talvez o elenco todo negro seja hoje uma curiosidade, mas na época era uma tendência do gênero “blaxploitation” (sério, teve até “Blácula”, o “Drácula” negro!).

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Originado nos palcos da Broadway, onde ganhou muitos prêmios, o musical “The Wiz” teve seus direitos adquiridos pela produtora / gravadora Motown, e a superestrela Diana Ross lutou bravamente para conseguir o papel principal, embora fosse considerada velha demais para interpretar Dorothy (Diana tinha então 33 anos… e teve um sonho profético em que ela interpreta Dorothy no cinema e é um sucesso). Mas foi uma chantagem que lhe rendeu o papel: o estúdio se viu obrigado a contratá-la como protagonista porque sabia que ela era a única capaz de convencer Michael Jackson a participar do filme.

Hoje, sem dúvida Michael é a razão principal para ver o filme. Charmoso, simpático, afinado como nunca e super elástico, Michael faz do Espantalho o personagem mais memorável desta que poderia ser só mais uma das muitas adaptações do livro de L. Frank Baum. Sim, o filme pode ser considerado importante por adaptar o universo de Oz à realidade afro-americana nova-iorquina dos anos 70, mas, convenhamos: quem não quer ver Michael Jackson como um adorável espantalho?

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O Espantalho é molenga, e quase não para em pé. Deve ter sido um verdadeiro malabarismo para Michael perder o equilíbrio a cada cinco segundos, mas isso demonstra muito bem a fragilidade do personagem. Então Michael tinha menos de 20 anos de idade e fazia malabarismos (metaforicamente) para que sua carreira solo decolasse. E foi no set de “O Mágico Inesquecível” que isso aconteceu. Expliquemos: o responsável pelos arranjos musicais, Quincy Jones, já contava então com duas indicações ao Oscar, decidiu produzir o álbum seguinte de Michael. O que se seguiu foi “Off the Wall”, e logo depois um certo disco chamado “Thriller”.

Sidney Lumet, responsável por sucessos econômicos como “Doze Homens e uma Sentença”, foi escolhido como diretor graças à sua habilidade de terminar o filme sempre no menor tempo possível. Como para tudo há sempre uma primeira vez, esse foi o primeiro fracasso épico de Lumet, que enfrentou muitos problemas para gravar em locações de Nova York, e acabou não recuperando na bilheteria os gastos exagerados da produção. Os críticos também não foram bonzinhos, e assim acabou a carreira cinematográfica de Diana Ross.

Mas, como nem todos os filmes são bem compreendidos em seu lançamento, “O Mágico Inesquecível” também demorou a ser apreciado. A partir dos anos 80, e cada dia mais (em especial agora, que, do quinteto principal, apenas Diana Ross está viva), “O Mágico Inesquecível” atrai uma legião de admiradores, que mostram que toda desculpa é válida para percorrer a estrada de tijolos amarelos.

Nota do Autor: 9.5
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Leticia Magalhães
Letícia Magalhães é estudante universitária e tem dois livros publicados. Atualmente mantém o blog Crítica Retro, sobre cinema clássico, e colabora também nos sites Leia Literatura, Antes que Ordinárias, Red Apple Pin-Ups e Gene Kelly Fans.

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