X-Men – O Filme – [Tem que Ver Isso Aí!]

Lançado há 14 anos, X-Men foi, juntamente com Blade – O Caçador de Vampiros, responsável por inaugurar um novo ciclo de filmes baseados em histórias em quadrinhos. Até então, apenas as obras baseadas em personagens da editora DC Comics tinham conseguido a aprovação do grande público (Superman e Batman).

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Título de maior vendagem da Marvel Comics, os heróis mutantes, chamados assim por uma evolução em sua genética que lhe conferem variados superpoderes, sempre foram uma analogia às diversas questões que permeavam a sociedade norte-americana desde os anos 60, colocando para o adolescente médio situações em paralelo com o movimento negro, a luta dos gays e, mais recentemente, a denúncia da xenofobia contra árabes e imigrantes.

Para levar às telas essa história, repleta não apenas dessa simbologia, mas também de muito som e fúria, a 20th Century Fox (detentora dos direitos cinematográficos após a Marvel abrir falência e licenciar de maneira picada suas propriedades a diversos estúdios) apostou suas fichas em Bryan Singer, um diretor ainda novato, cujo primeiro filme, Os Suspeitos, tinha sido um grande sucesso do circuito independente, recebendo inclusive dois Oscars. Embora a obra seguinte, O Aprendiz, não tenha tido o resultado esperado, ainda assim confirmou que Singer possuía competência, especialmente na direção de atores.

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Após a contratação de Patrick Stewart e Ian McKellen para os papéis de Professor Xavier e Magneto, cujas filosofias em relação à coexistência de mutantes e humanos são completamente antagônicas, a grande questão ficou realmente na escalação do protagonista da história.

Como ocorrido também nos quadrinhos, o personagem Wolverine – que apenas passou a integrar a equipe em sua segunda formação, 12 anos após o título ser criado, e inicialmente como coadjuvante – acabou se tornando o grande destaque. É pelos olhos dele e da mutante sugadora de poderes Vampira (vivida por Anna Paquin, de True Blood) que descobrimos esse mundo novo de super-humanos inacreditáveis e embarcamos na luta da equipe de Xavier para deter os planos de Magneto, que incluem a tentativa de transformar à força líderes mundiais em mutantes.

O papel de Wolverine foi entregue ao ator Dougray Scott. Porém, ao filmar o clímax de Missão Impossível 2, Scott acabou sofrendo uma lesão na perna e impossibilitado de participar das extenuantes cenas de corrida do filme. Sendo assim, Singer optou pelo plano B: Hugh Jackman, um ator australiano que fazia grande sucesso em musicais em seu país.

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Jackman agarrou a chance com unhas e dentes (e garras) e personificou o mutante canadense de maneira memorável na telona (o que não quer dizer completamente fiel às HQs). Sua atuação não apenas carrega o filme, encantando os espectadores, como também foi suficiente para transformá-lo em astro da noite para o dia.

Já Singer conseguiu utilizar o orçamento moderado que recebeu para entregar uma aventura envolvente e que, ao mesmo tempo, reflete sobre temas como racismo e responsabilidade. O sucesso carimbou sua credibilidade para dirigir superproduções, a começar pela sequência de X-Men, que dessa vez recebeu de bom grado da Fox um orçamento bem maior, permitindo ao diretor exercitar sua técnica visual.

Aproveite e escute nosso FGcast sobre X-Men – O Filme.

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X-Men – O Filme
(X-Men, 2000)
D: Bryan Singer
E: Hugh Jackman, Patrick Stewart, Ian McKellen e Anna Paquin

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Marcelo Paradella
Publicitário, redator e cineasta (quer dizer, no momento tenta escrever, produzir, dirigir e editar um curta pra concluir seu curso). Acredita piamente na Hipótese do Universo de Tommy Westphall, que Nós Vamos Invadir Sua Praia e Armação Ilimitada são os pontos altos da cultura jovem brasileira e que um apocalipse zumbi é inevitável.

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