118 Dias (Rosewater) – Crítica

Este é um longa que, por mais interessante que a história seja, talvez em filme não tenha sido bom transmiti-la. Este é 118 Dias.

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Baseado no livro Then They Came For Me de Maziar Bahari, o filme conta a história de Maziar Bahari (Gael García Bernal, Babel), um jornalista iraniano que trabalha para a revista americana Newsweek. Em 2009, o jornalista foi encarregado de cobrir a eleição presidencial no Irã entre Mahmoud Ahmadinejad e Mir-Hossein Mousavi. Após a virtória de Ahmadinejad, o país se rebelou e começaram a surgir inúmeros protestos e Maziar continuou cobrindo tudo até que, em um destes, o jornalista gravou um dos protestantes sendo morto por um soldado iraniano.

Colocando as imagens na internet, Maziar Bahari é preso sob a acusação de ser um espião estadunidense, sofrendo inúmeros interrogatórios e alguns momentos de tortura.

Fato real, para ter um filme é sempre algo que nos apresente uma história no mínimo interessante. E realmente esta é porque eu duvido que a maioria das pessoas tenha ouvido falar dela. Porém, o modo como tudo acontece deixa essa narrativa, que deve ter sido muito melhor aproveitada no livro, desinteressante com cenas que acabam sendo ridículas por causa do contexto em que foram colocadas. Mas eu não estava lá, então não posso dizer se aquilo ocorreu ou não.

Em primeiro lugar as atuações, o melhor ponto do filme. Ninguém vai mal, todos conseguem fazer de modo ótimo o seu papel. O mexicano imerge completamente em seu papel, faz um excelente trabalho junto de seu, quase único, companheiro de tela, o dinamarquês Kim Bodnia na pele de seu interrogador. Os dois juntos conseguem criar um clima muito bom, nos passando a tensão do momento e até a pressão de um personagem sobre o outro.

Mas do que adianta esses climas tensos cheio de ameaças, algumas torturas e pressão psicológica, se você cria uma única cena onde o momento é completamente cômico? É como eu disse, eu não estava lá para dizer se aquilo aconteceu, mas na atmosfera que o filme criou, aquilo quebrou completamente o clima. Sem contar que o filme tenta preencher alguns espaços como uma estranha “loucura” que o personagem vive em que ele conversa com o pai e a irmã, mas aquilo fica óbvio que foi posto apenas para criar alguns diálogos juntamente de um único flashback basicamente inútil.

A fotografia do filme é repleta de solidão junto da quase nula trilha sonora mórbida e triste que o filme nos apresenta. Mais um fator positivo mas que não agrega em nada.

Esses são alguns detalhes, principalmente a cena cômica, que acaba quebrando tudo que o filme quer passar: o Irã é uma ditadura radical. Ele realmente passa isso, mas após a cena, você chega à conclusão de que o Irã é uma ditadura repleta de incompetentes. 118 Dias acaba nos mostrando uma história pouco conhecida em que o poder da mídia conseguiu salvar uma pessoa, mas ao mesmo tempo acabou por criar um deslize, e alguns momentos desnecessários, que comprometeram (ao menos para mim) a qualidade do filme, tornando essa uma experiência que basicamente não nos agrega em nada. Espero que está história tenha sido melhor desenvolvida em livro, porque ela vale a pena.

Nota do Autor: 7
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Trailer:

Arthur Lopes
Canal pessoal - Marmota Frita Fanático por cinema e video games em geral desde sempre, estuda administração mas seu verdadeiro amor permanece no mundo da sétima arte. Ama qualquer gênero cinematográfico, indo de romance até terror mas com preferência no drama, o que fez com que Batman - O Cavaleiro das Trevas se tornasse o seu filme favorito, consagrando Nolan como o mesmo. Mas também admira outros mestre do cinema como Eastwood e Tarantino. Escreve nas horas vagas e está adaptando um conto no intuito de transforma-lo em um roteiro para longa-metragem.

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  • mau_franco

    Realmente, nem o livro deve ser bom…