24 horas não são o bastante

[OBS: QUEM PUDER, LEIA O TEXTO OUVINDO A MÚSICA NO FINAL DO POST.]

Uma coisa é certa: 24 horas não são o suficiente, para um humano comum, de fazer tudo aquilo que desejaria fazer num dia. Se você é adulto e trabalha, sabe, assim como o autor que vos fala, que os 1440 minutos, contados no gargalo, se tornam insípidos para os dias de hoje.

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É hora de acordar, tomar um banho rápido, comer – se tiver tempo – pegar o ônibus, o carro, a bike ou a moto, ficar num trânsito infernal, ouvir palavrão, desfeita e desgosto, chegar no trabalho, bater o ponto, sentar, fazer o que precisa ser feito no mesmo, descansar, ver o Facebook, o Twitter, o Instagram, voltar para o serviço, ou enrolar, almoçar – por uma ou duas horas – e sentar-se novamente na frente do PC, com relatórios e mais relatórios para preencher, ou ver porque aquele programa não está funcionando, ou atender a mais um cliente, ir para uma reunião ou ter uma com o chefe, e mais alguns minutos vendo email, Facebook ou Twitter.

Dá 5 horas da tarde – ou para os menos afortunados, 6 horas da tarde – e volta para a rotina de ir para casa, passar pelo trânsito novamente, até, por vezes, bem pior. Reclamar, ouvir reclame, atender telefone, urgente, esqueceu o email de um relatório que tinha de mandar, presta atenção da pista, o motoqueiro quase leva o retrovisor, ou você mesmo – motoqueiro – leva o retrovisor de alguém.

Manda email, esqueceu de anexar, recebe ligação, está guiando o carro, bike, moto ou está no ônibus lotado, não pode atender outra vez, só quando chegar em casa, sem contar na tentação de olhar o Facebook, Twitter ou Instagram. Muitas coisas acontecem ao mesmo tempo, mas nada o faz acontecer também.

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Chega-se em casa, respira fundo, ainda tem coisas para fazer. Que horas são? 7, 8 da noite? Se for solteiro tem de lavar prato sozinho, preparar uma janta rápida, tomar um banho e tentar relaxar, se for casado, pode ser que seja a sua vez de pegar o pimpolho – se tiver filho – ou, ainda a mulher o pegou e você tem de levar para o treino, para o cursinho de inglês, ou algo mais, e lá se vai mais um tempo e um tempo a mais se vai.

Que horas são? Dez da noite? Onze? E tudo o que a sua mente te diz é CAMA, EU QUERO CAMA.

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E, assim, nos dias que se passam, todos os dias, ou quase todos eles, nossos filmes, livros, seriados, jogos vão deixados de lado, porque, por mais que tenhamos o controle de nosso tempo, este não é o suficiente para suprir as demandas do dia a dia.

Temos os fins de semana, mas estes o servem para preencher os muitos buracos que vamos deixando pelo caminho – assim como acabamos por pouco assistir um filme que a gente tanto espera ver, ou aquele seriado que já está acabando a temporada e todos os seus amigos – e até o seu filho – já sabe o final.

Não que isto seja ruim, pelo contrário, sabemos que a vida é assim, cheias de batalhas e lutas diárias, mas, por vezes, queremos o nosso momento, único e singular, de assistir aquilo que gostamos, de ler aquilo que amamos, de jogar aquilo que ansiamos, de escapar deste mundo real e louco, que é o moderno. E que ele nos leva, de pouco em pouco para dentro da sua loucura habitual e, por fim, acabamos por nos tornar verdadeiros zumbis do trabalho.

Alguns, por aí, conseguem ter mais sorte e conseguir equilibrar bem a sua vida social, a sua vida profissional e sua vida familiar com o restinho que lhe sobra para assistir algum filme, seriado, ler um bom livro ou jogar um pouco de videogame. Como fazer isto? Depende de cada um… mesmo que assim que você pisca o olho tem mais uns 10 filmes para assistir a mais, 100 livros novos para ler, 1000 músicas para ouvir e assim vai, não, não vou piscar de novo, nãoooooo!

24 horas nunca serão o bastante! Nunca, mas você pode mudar isto aos poucos e, aos poucos, mudar a sua relação com o dia.

Texto baseado na música O Caminho Pisado – Paralamas do Sucesso.

Da cama p’ro banho, do banho P’rá sala
O sono persiste, o sol já não Tarda
A vida insiste em servir um velho Ritual
Que sempre serve a tantos outros
O mesmo pão comido aos poucos

Se senta e abre o jornal
Tudo parece normal
Um dia a menos, um crime a mais
No fundo no fundo no fundo
tanto Faz

Já é hora de vestir o velho paletó Surrado
E caminhar sobre o caminho pisado
Que conduz rumo à batalha que
Inicia a cada dia
Conseguir um lugar p’rá sentar e
Sonhar na lotação
E é tudo igual, igual, igual…

No fim dos dias úteis há os dias
Inúteis
Que não bastam p’rá lembrar ou
P’rá esquecer de quem se é

O ar pesado nesse bairro pesado em
Plena barra pesada
A mão pesada vem oferecer

E conta os trocados contando Vantagem
E toma uma bola, começa a viagem

E enquanto não chegar a velha Hora
Que inicia cada dia
Em várias partes da cidade,
por Lazer ou rebeldia
A mão pesada se abrirá
Oferecendo a garantia barata de Que tudo vai mudar

E é tudo igual, igual, igual…

Daniel G. Fernandes
Este ser é um viciado em games, sejam de consoles, sejam de PC's e tem uma paixão arrebatadora em Tecnologia, aficcionado em filmes dos anos 1980 e 1990, ele pode não se lembrar o nome do diretor, do filme ou do ator, mas quando tem opinião ele fala mesmo! SegaManiaco de Coração, ele também bate ponto nos sites Gamehall, Marketing & Games, Blast Processing, Brazuca Gamer e Comunidade Mega Drive!

Daniel G. Fernandes publicou 49 posts. Veja outros.

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  • mau_franco

    Daniel, Belíssimo texto…me deixou bem deprimido mas é um belíssimo texto.
    Eu só mudaria o “Para os menos afortunados – 18:00”, por que meu horário sempre foi 19.
    Abs que agora eu vou alí chorar e já volto…

    • danielgfm

      É só colocar uma correção mau e dizer 19:00, by Mauricio! xD

      Mas a vida não é assim? Nós escolhemos como viver ela, o osso quando a vida se torna maior que a gente e perdemos um pouco o controla dela. :/

  • Eu me peguei reclamando a um colega de infância o quanto de responsabilidades e deveres adquirimos na vida adulta. Parece que nunca temos tempo o suficiente, e pensar de que quando jovem eu reclamava de que não podia fazer nada, hahaha!!

    Infelizmente é um processo natural, mas que aprendemos a apreciar o pouco de tempo que nos resta e preenche-lo de coisas boas.

    Texto fantástico, Daniel ^^

    • danielgfm

      Com certeza, mas uma coisa é certa, temos de aproveitar o tanto quanto, nunca ficar planejando algo como: “Quando eu chegar nos 50 vou viajar”, porque vai que com 51 você tá doente por isso ou aquilo?

      É Carpe Diem, com responsabilidade.