Abutres (Carancho) – Crítica

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Não é só no Brasil que o cada vez mais podre sistema de saúde pública sofre com as mazelas de um governo corrupto até as entranhas. O thriller dramático Abutres (Carancho/2010) escancara o problema enfrentado também pela Argentina, cuja precária rede de saúde pública está ligada de maneira perigosa com outra classe de profissionais nem um pouco apreciada pelo povo: os advogados (leia-se os “abutres” do título).

Sosa (Ricardo Darín, sempre ele) é um destes abutres. Um advogado que após perder seu certificado da OAB, sobrevive encenando acidentes automobilísticos para ganhar dinheiro em cima das seguradoras que representam os envolvidos nos acidentes. Para o esquema sujo de Sosa e seus “parceiros de crime” funcionar, é necessário uma conexão com o serviço de emergência de hospitais e pronto-socorros, todos envolvidos em uma teia de corrupção que remete à esquemas mafiosos, onde ninguém está limpo.

No entanto, Sosa há muito tempo deseja largar essa vida que continuamente o atormenta. E quando ele conhece a jovem paramédica Luján (a bela Martina Gusman, de Elefante Branco), ele começa a enxergar uma possível oportunidade de um novo começo.

Dirigido de maneira crua e energética por Pablo Trapero (também de Elefante Branco), Abutres transita entre a denúncia política e o thriller padrão. Ao mesmo tempo em que esta estrutura traz mais dinamismo à narrativa, acaba também por deixar um certo gosto de indecisão na boca do espectador.

No entanto, as ótimas atuações da dupla de protagonistas e sua conclusão completamente visceral, não deixam o ritmo e a proposta do filme desvanecer, e Abutres acaba por ser uma experiência cinematográfica forte, polêmica e de extrema relevância social.

Em uma sociedade onde o lixo e as carniças da conduta humana estão cada vez mais na superfície, os abutres tendem a fazer a festa. Infelizmente.

Nota do Autor: 8
Nota do público:(2 votos) 4.2
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Eduardo Kacic
Fanático pela sétima arte. Roteirista de longa-metragens (com duas obras registradas na Biblioteca Nacional) e crítico de cinema com mais de 2.000 textos publicados, Eduardo assiste à todo tipo de filme, desde blockbusters até experimentais, mas seu Olimpo é habitado por Spielberg, Eastwood, Scorsese e Tarantino. Seu filme preferido (e insuperável) é Os Bons Companheiros, do Scorsese. https://www.facebook.com/eduardo.kacic.7 https://www.instagram.com/kacicedu/ https://br.linkedin.com/in/eduardokacic https://twitter.com/edukacic1

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