Agente Do Futuro (Automata) – Crítica

Eu apostava muita coisa nesse filme. E ele estava correspondendo até metade do longa.

agente do futuro

Em 30 anos no futuro, o sol se esquentou muito e começou a afetar a Terra, até que nosso planeta azul se tornou um enorme deserto. Por isso foi criada a Robotic Corporation, uma empresa que criaria robôs com 2 protocolos em sua programação. 1º protocolo: nunca ferir nenhum ser vivo. 2º protocolo: nenhum robô pode modificar outro ou a si próprio. A função dos robôs seria construir nuvens mecânicas para refrescar o planeta, mesmo que muitas delas sejam ácidas. E o mundo se acostumou a sua nova realidade, até que um policial destruiu um robô que estava se aprimorando. Desta maneira, o segurado da empresa, Jacq Vaucan (Antonio Banderas, A Pele Que Habito), é encarregado de investigar o que ocorreu. Ele descobre que o robô tinha peças de outros lugares e, com suas novas informações, Vaucan começa a desvendar informações que podem mudar a realidade presente nesse futuro devastador.

O enredo de Agente Do Futuro é intrigante, não perde tempo mostrando o passado da Terra e como tudo aconteceu, indo direto ao ponto com apenas uma introdução curta. Porém, o longa está longe de ser original. As pessoas que leram a sinopse e amantes da ficção científica, com certeza já notaram a semelhança com Eu, Robô no momento que disse sobre os 2 protocolos. Mas é como dizem “Nada se cria, tudo se copia”, o que não quer dizer que o filme não possa ter criado uma história boa com influências de outras ficções. E Agente Do Futuro corre bem, criando uma trama envolvente mais voltado pro estilo policial, com um ritmo excelente.

Mas é nesse mesmo ponto que Agente Do Futuro peca, já que quando chega no meio do segundo ato em diante, o filme perde o ritmo completamente, seguindo uma sequência de cenas que não levam a nada. Personagens novos são apresentados com importância alguma, e muito menos profundidade em suas personalidades, além de alguns Deus ex machina. E isso é uma pena, pois a importância da história que estavam criando se perde quase que por completo devido às mudanças drásticas que ocorrem no enredo.

Sobre as atuações, em geral são boas. Banderas se sai bem como Jacq Vaucan, mas comparado à sua atuação no ótimo A Pele Que Habito, nem parece ser o mesmo ator, já que em Agente Do Futuro ele está simplesmente bem, e no outro, fantástico. Dentre os personagens também temos um robô fêmea com uma personalidade curiosa que é bem explorada até certa parte do filme.

A fotografia deve ser o melhor fator do longa junto da trilha sonora, que tem um ritmo calmo e melancólico, com toques de violino, lembrando os velhos e bons filmes orientais. Mas a fotografia consegue criar cenários muito bonitos, e em certas partes, sombrios também. Sem contar os efeitos que também são excelentes. Os robôs são feitos com imenso capricho, chegando no nível daqueles que aparecem em Elysium.

A direção de arte é praticamente inexistente já que quase tudo é inspirado no clássico da ficção científica, Blade Runner. Em alguns momentos, principalmente na primeira cena do filme, você até acha que aquilo está acontecendo no mesmo universo. É aquela cidade sombria, triste e melancólica onde há lixo por toda parte, aparelhos futuristas mas de uma forma retrô, utilizando máquinas antigas (mas que na época de Blade Runner não eram antigas).

Agente Do Futuro é um filme que te empolga até a sua metade, na qual se perde completamente depois disso. Seus personagens que tinham um enorme potencial se tornam completamente rasos, o enredo desinteressante e toda a influência que levava de outros filmes revela ser apenas preguiça de seus desenvolvedores de criarem algo novo. É algo triste, pois ficção científica é um tema no qual as mentes podem alçar voo e criar novos mundos, por mais que leve influências consigo. Agente Do Futuro não conseguiu fazer nada de novo, salvando apenas alguns tópicos da sua produção.

Nota do Autor: 5.5
Nota do público:(36 votos) 4.5
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Trailer:

Arthur Lopes
Canal pessoal - Marmota Frita Fanático por cinema e video games em geral desde sempre, estuda administração mas seu verdadeiro amor permanece no mundo da sétima arte. Ama qualquer gênero cinematográfico, indo de romance até terror mas com preferência no drama, o que fez com que Batman - O Cavaleiro das Trevas se tornasse o seu filme favorito, consagrando Nolan como o mesmo. Mas também admira outros mestre do cinema como Eastwood e Tarantino. Escreve nas horas vagas e está adaptando um conto no intuito de transforma-lo em um roteiro para longa-metragem.

Arthur Lopes publicou 261 posts. Veja outros.

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  • Kirito Jhon

    Fiquei com pena dos robôs que foram destruídos.

  • Giovanni Vidal

    Tanto potencial e terminamos com uma (spoiler a frente!) ….BARATA?

  • Petrosmalk

    Esse filme nos induz a sentirmos pena dos robores e a torcermos por eles.

  • Reinaldo José Nunes

    Gosto muito do filme, mas até agora não entendi o porque de os robôs construírem aquele bichinho no final. Se alguém entendeu o porque, por favor, me explica.