As paródias que marcaram os anos 80 [Pop Cine]

Os anos 80 foram uma década bem maluca. Um tempo de mudanças no mundo e novidades na sétima arte. Entre o clássico e o moderno, os filmes da década foram díspares, únicos e alguns foram muito, muito loucos. Na onda de recriar o sucesso do cinema do passado, Hollywood apostou em paródias, começando com elas já em meados da década de 70 (“Bugsy Malone”, que coloca crianças para interpretar gângster com armas de massa de bolo, estreou em 1976). Mas foi na década de 80 que as melhores, mais loucas e completamente inesquecíveis paródias chegaram aos cinemas.

Sem dúvida, a mais lembrada é “Apertem os cintos… O piloto sumiu”, que satiriza os filmes-catástrofe da franquia “Aeroporto”, tanto que é seu título original é “Airplane!” (avião), mas a tradução brasileira captou perfeitamente o espírito da película. A trama gira em torno de um provável acidente com um voo depois que o piloto e boa parte da tripulação comem um peixe estragado. A única esperança de todos é Ted Striker (Robert Hays), um ex-piloto traumatizado que tem muito, muito medo de fazer algo errado.

airplane

Muito mais importante que o destino do avião de “Apertem os cintos” é a composição de sua galeria de passageiros. O grande destaque deste hospício voador é Leslie Nielsen, intérprete do Dr. Rumack, mas os outros também têm suas particularidades e momentos de riso: há uma freira com comportamento imprevisível, uma garotinha que viaja em uma maca, ligada em um tubo de soro, um co-piloto que sempre é confundido com o jogador de basquete Kareem Abdul-Jabbar, um piloto automático inflável e a aeromoça Elaine, por quem Ted é apaixonado.

Em 1982 estreou a sequência, “Apertem os cintos, o piloto sumiu – 2ª parte”. Desta vez, Ted tinha como desafio pilotar um ônibus espacial que está indo em direção ao sol por causa de um erro do computador (uma clara homenagem a “2001 – Uma odisseia no espaço”). É um filme que também nos arranca algumas risadas, mas não na mesma proporção do anterior, e isso pode ser explicado pela ausência de Leslie Nielsen e do trio de diretores composto por David Zucker, Jim Abrahams e Jerry Zucker.

Nos anos 80, a Guerra Fria chegava ao seu último suspiro, mas os temas de espionagem e perigo nuclear foram ressuscitados pelo cinema de um modo nada sério. Em 1984, “Top Secret! – Super Confidencial” juntou o mundo da espionagem com os musicais de Elvis Presley, com uma trama que importava menos que as piadas que dela poderiam derivar: o cantor de rock Nick Rivers (Val Kilmer) se envolve em um acidente diplomático ao tocar na Alemanha Oriental. Ele se apaixona pela rebelde Hillary Flammond (Lucy Gutteridge), a filha de um cientista que foi sequestrado pelo governo. Com uma rápida participação de Omar Sharif no início do filme e tiradas de humor certeiro, foi mais um sucesso do trio Zucker-Abrahams-Zucker.

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Uma década antes, os filmes de gângster foram ressuscitados por “O Poderoso Chefão”, partes 1 e 2. Em 1984, Michael Keaton (com muita maquiagem nos olhos) protagonizou a comédia “Johnny, o gângster”, em que não apenas os últimos sucessos do gênero eram parodiados, mas também os grandes clássicos. O melhor exemplo é a divertidíssima cena do telefone sem fio na cadeia, que presta uma homenagem satírica ao último filme da era de ouro dos gângsters, “Fúria Sanguinária”, de 1949. Lá, James Cagney recebia pelo telefone sem fio a notícia da morte de sua mãe e surtava em uma cena espetacular. Aqui, Michael Keaton precisa receber uma mensagem de vida ou morte, mas ela é alterada por cada novo receptor na brincadeira do telefone sem fio.

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Pouco conhecido e valorizado, “Johnny, o gângster” é a melhor das paródias aqui citadas. E não é para menos: a diretora do filme é Amy Heckerling, que em 1995 escreveria o roteiro e dirigiria o filme definidor de uma geração: “As Patricinhas de Beverly Hills”. O trio Zucker-Abrahams-Zucker também continuou fazendo sucessos: juntos foram os responsáveis pela trilogia “Corra que a polícia vem aí” e, separadamente, trabalharam em comédias como as da franquia “Todo Mundo em Pânico”. Mas é inegável que as três cabeças juntas fizeram mais pelo cinema que muita gente.

Leticia Magalhães
Letícia Magalhães é estudante universitária e tem dois livros publicados. Atualmente mantém o blog Crítica Retro, sobre cinema clássico, e colabora também nos sites Leia Literatura, Antes que Ordinárias, Red Apple Pin-Ups e Gene Kelly Fans.

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  • Rodrig o.O girdoR

    “Johnny, o gângster” e “Apertem os cintos, o piloto sumiu – 2ª parte” não me lembro de ter visto. me diverti muito com os outros na época, hoje acho o Top Secret!bem sem graça, vou buscar esses que “não vi” pra preencher essa lacuna de risos.

    Valeu