Bronson – Crítica

Em poucas palavras, podemos dizer que Nicolas Winding Refn criou uma jornada pela mente do “Coringa”. Que filme!

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Nesta que podemos chamar de uma psicodélica experiência cinematográfica, Nicolas Winding Refn nos trouxe uma história verídica sobre uma figura muito peculiar, contado sua história de um jeito mais ainda.

Michael Gordon Peterson (Tom Hardy, Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge) é um homem que desde pequeno possuiu tendências violentas. Sendo assim, aos seus 19 anos, Michael tenta roubar uma agência de correio e acaba sendo preso e condenado a 7 anos na prisão. Mas, como Michael apresenta um comportamento tão violento e psicótico, ele acaba sempre aumentando sua pena, pulando de presídio em presídio e causando dezenas de milhares de dólares a menos para o governo da Grã-Bretanha, e com sua fama aumentando, Michael acaba por criar um alter ego chamado Charles Bronson.

Essa é uma sinopse muito básica do filme pois tudo acaba acontecendo muito rápido, então não há como se aprofundar muito. Mas é aquilo, história verídica não há como se dizer se o enredo é ou não criativo, mas Refn ao menos pegou a história de um personagem pouco conhecido no resto do mundo, mas que tem uma fama grande em ser o prisioneiro mais violento do mundo. E, ao mesmo tempo em que conseguiu uma história pouco conhecida, ele fez um trabalho de narração diferente para compensar.

Bronson não é uma história contada normalmente em que os acontecimentos vão rolando e o enredo vai fluindo. O personagem de Hardy é quem nos conta sua história em cima de um palco de um teatro, onde faz comentários sobre pessoas que apareceram em sua vida e sobre alguns acontecimentos mesmo. Isso tudo dá a impressão de que estamos imergindo dentro de sua mente psicopática e doentia, fazendo você criar uma certa empatia com o personagem e entender o seu ponto de vista. Um trabalho fenomenal de narrativa e talvez o melhor do filme junto com a magistral atuação do (desconhecido na época) Tom Hardy e a trilha sonora.

Nesse filme há outros personagens sim, mas todo o enredo se sustenta em Bronson, o seu personagem, pois nenhum outro é de certa forma marcante. Então, coube a Hardy conseguir interpretar este personagem tão doentio mas que transmite uma ironia que consegue te fazer rir, amenizando alguns momentos de extrema violência. Uma das melhores atuações de Hardy em sua carreira com certeza.

Toda a direção é estranha. Nicolas Winding Refn transforma os cenários em locais peculiares com uma atmosfera pesada e estranha, sempre jogando umas cores fortes e marcantes no ambiente como feito no clássico Laranja Mecânica, nos fazendo imergir mais ainda dentro da mente perturbada de Bronson. Sendo assim, essa fotografia mais psicodélica cai muito bem no filme e não nos deixa apenas com a impressão de Bronson ser um louco perturbado, mas que todos os personagens no filme possuem uma tendência à loucura.

Agora, a trilha sonora é completamente Laranja Mecânica. Que coisa de louco! Temos rock, um misto de rock com eletrônico, instrumental e muito mais! Escolhida cada música a dedo, Refn colocou cada uma em um ponto estratégico e conseguiu criar contrastes entre a violência do filme e músicas calmas, instrumentais e lindas o que conseguiu culminar mais uma vez ao favor da psicopatia do personagem.

E pelo que viram, já citei sobre a violência várias vezes. Pois é, a violência é algo constante no filme e isso se deve muito ao personagem principal. Ela se resulta muito por torturas psicológicas e lutas, fazendo com que haja muito sangue na tela. Mas, algo que na minha opinião não ficou bem feito em muitas cenas, foi a coreografia. Você consegue ver facilmente em algumas cenas que Hardy não acerta um soco. É uma pena que ela não tenha sido feita com perfeição pois o filme se apoia bastante nisso, mas ao mesmo tempo não atrapalha de forma alguma e não tira o fato também de o filme ser para maior de 18 anos. Aliás, não é só a violência que o torna para maiores de 18 porque Hardy aparece nu.

Bronson conseguiu criar uma narrativa fantástica com uma direção bizarra tanto de arte, quanto fotografia e nos trouxe também uma das melhores trilha sonoras que eu já ouvi. E o resultado de tudo isso foi uma imersão total dentro de uma história muito interessante em que podemos nos afundar na loucura e mente do sádico Bronson. Um filme obrigatório para o mundo!

Nota do Autor: 9
Nota do público:(9 votos) 9.1
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TOM HARDY is Charles Bronson in Nicolas Winding Refn?s BRONSON movie

 

Trailer:

Arthur Lopes
Canal pessoal - Marmota Frita Fanático por cinema e video games em geral desde sempre, estuda administração mas seu verdadeiro amor permanece no mundo da sétima arte. Ama qualquer gênero cinematográfico, indo de romance até terror mas com preferência no drama, o que fez com que Batman - O Cavaleiro das Trevas se tornasse o seu filme favorito, consagrando Nolan como o mesmo. Mas também admira outros mestre do cinema como Eastwood e Tarantino. Escreve nas horas vagas e está adaptando um conto no intuito de transforma-lo em um roteiro para longa-metragem.

Arthur Lopes publicou 264 posts. Veja outros.

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  • mau_franco

    Acabo de incluir na lista…parece bem legal.
    E sobre esse papo dos golpes não pegarem em cheio…todo mundo adora Rocky e alguns golpes passam a quilômetros de distância. hehehe

    • Stefanny Oliveira

      Acabo de incluir na lista porque… Tem o Hardy nu. Só isso já é um bom motivo Q

  • Arthur Lopes

    realmente, não é um defeito que atrapalhe o filme mas é um defeito uashuahsu. E eu imaginava que a mulherada fosse se interessar pelo Hardy peladão

  • Thiago Boss

    Filmão!