Butch Cassidy (1969) [Pop Cine]

Em 1969, os norte-americanos estavam perdendo território no mais icônico gênero cinematográfico do país: o faroeste. O mestre John Ford estava morto, as carreiras de John Wayne e companhia caminhavam para o último ato, e os maiores êxitos recentes do western tinham saído das mãos de um diretor italiano chamado Sergio Leone que, apesar de trabalhar com atores americanos, era bem mais fiel ao “western spaghetti” da sua terra natal.

Seria necessário deixar o faroeste morrer? Não necessariamente: a saída foi o abandono, em parte, das velhas fórmulas através de mudanças bem-humoradas.

Para dar o pontapé para o futuro do cinema foi necessário que Hollywood buscasse inspirações no passado: o tema escolhido foi a vida dos ladrões Butch Cassidy e Sundance Kid. Apesar de eles terem sido pessoas reais, o roteiro do filme tomou várias liberdades, e já começa com o irônico aviso: “a maior parte do que se segue é verdade”.

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A dupla de foras-da-lei não poderia ser mais carismática. O escolhido para interpretar Butch Cassidy foi Paul Newman, e Robert Redford deu vida a Sundance Kid. Dois belos galãs de olhos azuis, sorriso maroto e atitude rebelde: era de se esperar que os novos frequentadores das salas de cinema se identificassem com Newman e Redford.

Eles não roubam apenas bancos, como Bonnie e Clyde, mas também trens (o primeiro faroeste do cinema, “The Great Train Robbery”, de 1903, teria sido inspirado por um crime cometido pela dupla três anos antes). Mas Butch e Sundance não são homens audaciosos, tampouco espertos. São violentos, sim, brigam de faca para manter a gangue unida, mas sabem quando a única saída é correr desembestados e pular de um penhasco. São personagens falhos, contestadores, e, apesar de pertencerem ao passado distante do Velho Oeste, são realistas até demais.

Há todo um quê de malandragem na vida desregrada de Butch e Sundance, e também no triângulo amoroso de comum acordo que envolve também a professora Etta (Katharine Ross), que os acompanha em uma fuga em tons de sépia até a Bolívia.

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A amizade sincera entre Butch e Sundance refletia a relação de Newman e Redford na vida real: os amigos adoravam pregar peças um no outro (e também no diretor George Roy Hill). Newman mais tarde confessou que a época mais divertida de sua carreira foi durante as filmagens de “Butch Cassidy”, que aconteceram nos estados do Colorado e Utah, e também no México. Newman e Redford voltariam a trabalhar com George Roy Hill na comédia “Golpe de Mestre”, um grande sucesso de 1973.

A sequência mais conhecida do filme decepcionou muita gente, mas conquistou o público. O passeio de bicicleta de Butch e Etta teve como música de fundo a hoje icônica “Raindrops Keep Fallin’ on my Head”, de Burt Bacharach. Reza a lenda que Robert Redford ficou muito decepcionado com a música, pois preferia que a ação da cena acontecesse em silêncio.

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E outro fenômeno da contracultura se concretizou com “Butch Cassidy”. Provando que a mídia e os críticos de jornal não importavam mais como antes, o filme teve êxito devido ao boca-a-boca que foi conquistando espectadores por todos os lugares. Os críticos não viram a produção com entusiasmo, mas mesmo assim filas se formavam em frente aos cinemas para as sessões do faroeste-paródia. O sucesso seria garantido com a fórmula que foi estabelecida: a partir de 1969, Hollywood não mais se levaria tão a sério.

Nota do Autor: 10
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Leticia Magalhães
Letícia Magalhães é estudante universitária e tem dois livros publicados. Atualmente mantém o blog Crítica Retro, sobre cinema clássico, e colabora também nos sites Leia Literatura, Antes que Ordinárias, Red Apple Pin-Ups e Gene Kelly Fans.

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