Chappie (2015) – Crítica

Nada de “Short Circuit” e muito menos de “Robocop”

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Quando saíram as primeiras informações a respeito de Chappie, novo filme do excelente diretor sul africano Neill Blomkamp, todos tiveram vividamente lembranças de dois filmes, o divertido e simpático, “Curto Circuito, O Incrível Robô” (Short-Circuit) de 1986 e o espetacular Robocop, de 1987. Sinto informar que, apesar das referências mais do que claras (algumas até cópias descaradas) a ambos os filmes, Chappie não chega aos pés de nenhum dos dois.

34582Confesso que fui ao cinema com as expectativas nas alturas, já que tenho uma enorme admiração pelo diretor de “Distrito 9” e “Elyzium” e que recentemente foi anunciado como o responsável pela continuação da série Alien e, como eu sempre digo, expectativa é tudo. Mas o filme não parece ter agradado nem mesmo os menos exigentes.

Em Chappie conhecemos um apaixonado engenheiro (Dev Patel, de “Quem Quer Ser Um Milionário”) que consegue criar um sistema que permite dar consciência a um robô, o próximo passo da escala evolucionária ou, como aprendemos com a Skynet, o inicio do fim. Ele acaba instalando este sistema em uma unidade da força policial robótica de Joanesburgo, uma cidade violenta que tem conseguido reduzir a criminalidade com o uso destes policiais cibernéticos.

34577É claro que nem tudo dá certo e Chappie, agora praticamente um bebê com força física e poder de aprendizado absurdos, acaba caindo nas mãos de bandidos que tentam utilizar o poder do equipamento para um grande roubo, ao mesmo tempo em que a própria empresa que construiu Chappie busca uma forma de acabar com ele.

O filme conta com nomes de peso no elenco. Temos o eterno Wolverine, Hugh Jackman, como um engenheiro mecatrônico pra lá de sarado e Sigourney Weaver, a melhor atriz do filme (aqui sub-utilizada) como a diretora da empresa produtora dos robôs.

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A história de Chappie começa muito bem, e faz com que os espectadores realmente comprem a ideia de um ser real vivendo ali, no meio daquelas engrenagens, afinal já estamos acostumados a aceitar no cinema qualquer coisa antropomorfizada como um igual, desde chaleiras até carros.

34583O problema vem com o desenrolar da história, nada em Chappie parece ter sido bem desenvolvido e as soluções adotadas, tanto pelo robô como pelos humanos a seu redor, simplesmente não fazem o menor sentido. O que acontece no final do longa ( e não vou dar aqui nenhum spoiler) chegou a tirar alguns suspiros de desaprovação da audiência que estava comigo na sala…Suspensão de descrença tem limites e o que alguns ainda chamavam de ficção científica virou um nonsense pra lá de fantasioso.

E nem mesmo o que era mais fácil de se fazer, a audiência se apaixonar pelo robozinho e entregar algumas lágrimas durante as reviravoltas da projeção, fizeram. O filme acaba sem que nos importemos com nenhum dos personagens…Nem mesmo Hugh Jackman consegue entregar um vilão que nos faça sentir algum tipo de emoção. Quer se emocionar, reveja Pinóquio.

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Uma pena que uma história com tanto potencial tenha sido mal desenvolvida. Começo a temer pela continuação da franquia Alien, e olha que eu sou um dos poucos que gostei, e muito, de Prometheus. Por Favor Neil, não brinque com Alien…

Assista o #SaindodoCinema especial onde gravamos no cenário do filme Chappie

Trailer legendado:

Já assistiu Chappie? Acha que eu tenho razão ou falei besteira? Deixe sua nota abaixo e seu comentário no final do post.

Nota do Autor: 5
Nota do público:(33 votos) 6.8
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Mau Franco
Formado em ciências da computação e pós-graduado em administração e gerenciamento de projetos, trabalha 9 horas por dia em uma grande empresa. O pouco tempo que lhe resta é passado com sua esposa, filhos, cachorros, alguns poucos games e algumas centenas de filmes.

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