Cocoon (1985) [Pop Cine]

Os extraterrestres estão invadindo nosso planeta! Alerta vermelho! Com essa ideia começa a maioria dos filmes de ficção científica feitos a partir dos anos 50.  A chegada dos visitantes poderia ocasionar pânico geral, curiosidade, ação policial ou conflito armado. Felizmente, com o passar das décadas ficamos mais amigáveis com as criaturinhas que vêm do espaço. Spielberg mostrou que é possível amar um ET que interage com crianças e fica lindo de peruca. Três anos após o alienígena mais fofo da galáxia voar em uma bicicleta, a interação homem-alien se deu no extremo oposto da vida: agora era a vez de ver Ets interagindo com idosos… e devolvendo-lhes a juventude.

Em uma casa de repouso (tá, asilo) vivem os três amigos Joe (Hume Cronyn), Ben (Wilford Brimley) e Art (Don Ameche). John é casado com Alma (Jessica Tandy, esposa de Cronyn na vida real), Art tem uma namorada e os dois grandes amores de Ben são sua esposa Mary (Maureen Stapleton) e seu neto David (Barret Oliver). A atividade favorita dos três amigos é atravessar o jardim entre o asilo e uma propriedade abandonada para nadarem na bela piscina coberta que ninguém usa. Por isso eles ficam um pouco chateados quando a propriedade é alugada. Mas só um pouco, porque decidem invadi-la para nadarem assim mesmo.

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O que encontram no fundo da piscina são estranhos casulos gigantes, duros como pedras e cobertos por algas. São essas coisas que a equipe que alugou a casa tira do mar todos os dias, após longas horas de mergulho com golfinhos. Sim, é meio estranho, mas os amigos não desistem de entrar na água. Eles saem de lá completamente renovados. O que se segue são noites calientes e muitos mais banhos de imersão.

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A visão de Ben melhora significativamente, Joe é curado de um câncer e Art se torna o idoso mais animado e pé-de-valsa das redondezas. Eles são finalmente descobertos pelos inquilinos do lugar, mas a interação com os seres brilhantes de outro planeta é muito mais harmoniosa do que se podia imaginar. Os casulos que estão na água são energizados para permitir a sobrevivência de 20 criaturas que foram resgatadas pelos habitantes da estrela Altaria. Segure-se na cadeira para ouvir o resto da história: essas 20 criaturas foram deixadas para trás na Terra após a destruição de Atlântida porque não havia espaço na nave.

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O filme rendeu a Don Ameche o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, que foi mais uma homenagem da Academia por seu trabalho no cinema desde os anos 30. De galã de musicais e intérprete de Alexander Graham Bell na juventude, Ameche viu, com o Oscar, o renascimento de sua carreira com uma chuva de novos papéis em comédias, inclusive na sequência deste filme, “Cocoon – O Regresso”, de 1988.

Efeitos especiais, comédia, romance (na terceira idade!), drama e suspense: todos os ingredientes de um clássico da Sessão da Tarde estavam ali. “Cocoon” é um filme perfeito para ser assistido com a família toda reunida ao redor de uma tigela enorme de pipoca. Como todo bom filme, “Cocoon” passou no teste do tempo, e não se tornou obsoleto mesmo 30 anos após seu lançamento (e a morte da maioria de seu elenco). A busca pela juventude é um tema universal. Mas até então ninguém tinha pensado que a fonte da juventude poderia estar fora da nossa galáxia.

Nota do Autor: 9.5
Nota do público:(1 voto) 9
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Leticia Magalhães
Letícia Magalhães é estudante universitária e tem dois livros publicados. Atualmente mantém o blog Crítica Retro, sobre cinema clássico, e colabora também nos sites Leia Literatura, Antes que Ordinárias, Red Apple Pin-Ups e Gene Kelly Fans.

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  • RΩdгi9Ω.Ω6iıbΩЯ

    N sei pq, mas eu tinha sempre uma sensação esquisita com esse filme. era tipo acordar de um sonho surreal ou ter fumado um bagulho leve ou WTF?

  • FernandoGoias81 .

    Este filme é uma delícia de assistir! A história, o enredo, as atuações, enfim… São marcantes as atuações de Jessica Tandy e de Brian Dennehy (aliás, é impressionante a imponência cênica deste ator, quando aparece domina mesmo!).
    Passou bastante na Sessão da Tarde.
    Curiosamente, tenho o hábito de vê-lo à noite, como se fosse um Supercine (o horário torna mais imersivo).

    Tenho este clássico e revejo sempre com nostalgia.