Digging Up The Marrow – Crítica

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O inventivo e original Digging Up The Marrow (EUA/2014) é o filme de terror que eu vinha esperando aparecer há muito tempo. Um admirável exercício cinematográfico de um jovem diretor que pode, realmente pode, ter conseguido entrar no rol dos grandes realizadores do gênero.

Concebido como um documentário fake, Digging Up The Marrow coloca seu próprio roteirista e diretor, o jovem Adam Green (do eficiente Pânico na Neve e da franquia Terror no Pântano), e seu diretor de fotografia, Will Barratt, em uma jornada até uma cidadezinha dos EUA onde um homem, William Dekker (o ótimo Ray Wise, de Olhos Famintos 2), afirma ter encontrado monstros reais escondidos, vivendo sob a superfície do cemitério da cidade.

Empolgados com a oportunidade de conseguir imagens reais das supostas criaturas para a execução de um novo documentário, a dupla se envolve cada vez mais com o estranho Dekker, que parece guardar mais perigosos segredos do que Green e Barratt podem imaginar.

Digging Up The Marrow é um verdadeiro sonho molhado cinematográfico para os fãs do Horror. A produção discute como poucas o fascínio exercido pelas criaturas classificadas como os “monstros” do cinema, literatura e quadrinhos, apresentando sequências ambientadas em convenções para os fãs do horror, contando com depoimentos e participações de nomes tarimbados dentro do gênero.

Diretores como Tom Holland (A Hora do Espanto), Mick Garris (colaborador habitual do mestre Stephen King), Don Coscarelli (Bubba Ho-Tep), diversos cartunistas, além de Tony Todd (o Candyman da franquia cinematográfica) e Kane Hodder (o Jason Vorhees de diversos capítulos da série Sexta-Feira 13), todos dão as caras em depoimentos pertinentes ao gênero e ao tema apresentado no filme.

A questão é que além de todos estes fatores positivos, Digging Up The Marrow ainda honra as raízes do gênero ao ser uma produção assustadora e até impressionante em momentos pontuais, graças a uma trama original e bem trabalhada, que traz uma curiosa justificativa para a existência dos supostos monstros em nossa sociedade, como não vi em nenhuma outra produção.

Em cima desta justificativa (que não revelarei aqui para não estragar o filme), o diretor Adam Green constrói uma obra inteligente, que desvia com sucesso dos clichês e que é valorizada pela atuação do veterano Ray Wise, em um papel tragicômico que rende ao ator momentos realmente inspirados.

Os poucos efeitos especiais são usados com parcimônia, mas quando utilizados, impressionam, e em uma sequência em especial nos minutos finais da produção, realmente chegaram próximo de me apavorar.

Como nem tudo são flores, Digging Up The Marrow só não se torna uma obra realmente excepcional devido à sua conclusão desnecessariamente apressada, que não chegou nem perto de explorar toda a complexidade e clima que o restante da produção apresenta.

No entanto, Digging Up The Marrow não merece ser descartado devido à sua decepcionante conclusão. Pelo contrário, trata-se de um filme simplesmente OBRIGATÓRIO para os fãs do horror e que coloca Adam Green como um dos nomes mais promissores deste gênero que eu, pessoalmente, admiro demais.

Nota do Autor: 8
Nota do público:(1 voto) 7.5
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Eduardo Kacic
Fanático pela sétima arte. Roteirista de longa-metragens (com duas obras registradas na Biblioteca Nacional) e crítico de cinema com mais de 2.000 textos publicados, Eduardo assiste à todo tipo de filme, desde blockbusters até experimentais, mas seu Olimpo é habitado por Spielberg, Eastwood, Scorsese e Tarantino. Seu filme preferido (e insuperável) é Os Bons Companheiros, do Scorsese. https://www.facebook.com/eduardo.kacic.7 https://www.instagram.com/kacicedu/ https://br.linkedin.com/in/eduardokacic https://twitter.com/edukacic1

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