Drácula – Morto Mas Feliz (1995) [Pop Cine]

No cinema de terror, o Conde Drácula é o personagem mais prolífico da história: são mais de 500 “créditos” desde 1910. Nada mal para quem (ALERTA DE SPOILER) quase sempre morre com a luz do sol ou uma estaca cravada no peito. Foram muitas as encarnações (literalmente) do conde vampiro, desde as mudas e assustadoras até as coloridas, estilizadas e, por que não, bem-humoradas. Afinal, não é só no Dia das Bruxas que os monstros merecem se divertir.

Em 1995, Leslie Nielsen já era um ator cômico admirado e bem-sucedido, em especial pelos filmes “Corra que a Polícia vem aí”. Em 1995, Mel Brooks já tinha um Oscar em casa e sob seu nome estavam algumas das melhores paródias já feitas pelo cinema. E foi mais de 20 anos depois de parodiar Frankenstein que Brooks se voltou para o outro grande pilar do terror cinematográfico: Drácula. E Leslie Nielsen se mostrou uma excelente escolha para o papel principal.

A história é a clássica, como nos foi apresentada em “Nosferatu” (1922) e “Drácula” (1931). O senhor Thomas Renfield (Peter MacNicol) vai fazer um negócio imobiliário com Conde Drácula, um nobre morador da Transilvânia. O negócio é fechado, mas o conde segue até a cidade, com um único objetivo: morder o belo pescoço de Mina (Amy Yasbeck), sua nova vizinha, filha de um médico psiquiatra. Renfield, agora, é um homem paranoico que fará de tudo para ajudar seu novo mestre, o Conde Drácula.

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O próprio Mel Brooks interpreta Abraham Van Helsing, um caçador de vampiros que tem de ter a última palavra sempre. A esposa de Brooks, Anne Bancroft, está irreconhecível em um pequeno papel como a cigana Madame Ouspenskaya (nome esta dado em homenagem a Maria Ouspenskaya, atriz coadjuvante de numerosos filmes na década de 1940, incluindo “O Lobisomem”). No papel de Mina está Amy Yasbeck, que tem mais beleza que talento. Se o filme fosse feito 20 anos antes, sem dúvida a protagonista seria uma habitué de Mel Brooks, a hilária Madeline Kahn.

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Se a trama vem de um dos Dráculas clássicos, o visual é inspirado em outro: a versão de 1959, estrelada pelo recém-falecido ícone do terror Christopher Lee. Ao contrário do que fez com “O Jovem Frankenstein”, Mel Brooks quis se distanciar estilisticamente do horror americano dos anos 30, e optou pelo jogo de cores e sombras dos estúdios ingleses Hammer.

Mais inspirações vieram dos outros Dráculas do cinema: a peruca branca usada por Leslie Nielsen é claramente uma ilusão a “Drácula de Bram Stoker” (1992), e a transformação estilizada do homem em vampiro é feita através de uma animação, assim como em “Abbott e Costello às Voltas com Fantasmas” (1948).

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Drácula – Morto Mas Feliz” foi o último filme dirigido por Mel Brooks – até agora. Brooks continua trabalhando, e um de seus mais recentes papéis foi, curiosamente, dublando o pai de Drácula na animação “Hotel Transilvânia 2”. Sua paródia da história de vampiro mais famosa do mundo pode não estar à altura de “O Jovem Frankenstein” ou “Banzé no Oeste”, mas conserva algum humor e serve, sobretudo, como uma grande homenagem ao cinema de terror.

Nota do Autor: 7.5
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Leticia Magalhães
Letícia Magalhães é estudante universitária e tem dois livros publicados. Atualmente mantém o blog Crítica Retro, sobre cinema clássico, e colabora também nos sites Leia Literatura, Antes que Ordinárias, Red Apple Pin-Ups e Gene Kelly Fans.

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