Holocausto Canibal (Canibal Holocaust) – Crítica

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Considerado um dos filmes mais horríveis e polêmicos da história do cinema, Holocausto Canibal, querendo ou não, conseguiu deixar a sua marca.

O longa conta a história de Harold Monroe (Robert Kerman), um antropólogo e professor famoso que parte para a Amazônia no intuito de executar uma missão de resgate de quatro cinegrafistas. Chegando lá, Monroe não consegue encontrar os cinegrafistas vivos porém, consegue as latas dos filmes que estes usaram nas filmagens de seu documentário. Sendo assim, Monroe volta para Nova Iorque e lá começa a assistir as filmagens dos cinegrafistas, criando leves dilemas morais em sua mente enquanto vê o pavor que sofreram e um pouco da desgraça que estes criaram.

O filme é de 1980 então, antes que todos digam que é um clichê e mais um filme de horror “found-footage”, pensem bem. A história não é grande coisa, mas, querendo ou não, foi diferente para a época e foi a pioneira dos “found-footage”, ou seja, mais um mérito para o filme que trouxe inovações além de polêmicas.

Sobre as atuações, quase todas são boas, chegando a serem ótimas, com destaque nos tais cinegrafistas e quando falar nas polêmicas eu vou dar um bom motivo para que elas sejam ótimas. Já os outros atores, de verdade, eles chegam a ser bem ruins, parece que ninguém leva o filme a sério, quase todo mundo atua como se fosse um trabalho para escola. São atuações que em alguns momentos dão um frio na espinha e devo dizer que o ator Robert Kerman se esforçou bem, fazendo um bom trabalho.

Em relação à filmes de terror nunca falo da maquiagem, mas este filme merece um destaque especial nisso. Holocausto Canibal possui uma das melhores maquiagens que eu já vi. Como o título já indica, temos cenas de assassinato junto de canibalismo e para um filme de 1980, essas cenas são feitas com muito mais perfeição que muitos filmes de hoje em dia. Mais um tema para as polêmicas.

A trilha sonora não é ausente. Não foi preciso som ambiente como em filmes terror, mas como este é um horror, a trilha toca com bastante frequência sendo completamente original mas contendo poucas músicas e que muitas vezes acabam por ficar extremamente altas se mistunando com o som do que está acontecendo na cena. Também devo dizer que em alguns momentos ela acaba por ser um tanto psicótica demais, já que é tocada uma música calma e doce em momentos de morte e com frequência.

Agora o momento que muitos estão esperando pelo modo que estou criando a crítica desse filme: as polêmicas. Ruggero Deodato, o diretor do filme, chegou a ser levado para um tribunal e acusado de assassinato, por seu filme ser considerado “snuff” (filme proibido em que matam pessoas de verdade). Porém, após conseguir apresentar os cinegrafistas para um tribunal e explicar como uma cena de empalhamento havia sido feito, Deodato foi liberado.

Após tudo isso, inúmeros países como Itália, Austrália e Reino Unido no geral proibiram a veiculação do filme. Após esses fatos, entende-se porque eu disse que as atuações são boas e a maquiagem também. E última polêmica, talvez a mais extraordinária: no filme existem mortes de animais e todas elas são verdadeiras. Deodato filmou a morte de uma cobra, macacos-aranha, um porco e uma tartaruga que foi cruelmente assassinada tendo sua cabeça e membros cortados juntamente com o seu casco que foi destruído e arrancado, tudo isso em cena e com inúmeros detalhes. Essa, para mim é de longe a cena mais forte do filme todo e quando eu descobri que a tartaruga foi morta de verdade, o meu respeito pelo filme caiu e muito, mas como eu não quero criar mais polêmicas sobre a crítica, paramos por aqui.

Holocausto Canibal é um clássico do horror que marcou uma era e muita gente. Sem sombra de dúvidas ele revolucionou com sua forma de filmagem, o “found-footage”, efeitos e maquiagem. Mas também teve todas aquelas atuações ruins com exceção de algumas, e uma história que não oferece grande divertimento. Agora se vale a pena ver, isso depende de cada um, mas não deixem de notar os méritos do filme e a mensagem que o mesmo passa. Só não era necessário tanto para nos transmitir aquilo, aliás, nenhuma arte justifica a morte.

Nota do Autor: 7
Nota do público:(18 votos) 6.1
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Trailer:

 

Arthur Lopes
Canal pessoal - Marmota Frita Fanático por cinema e video games em geral desde sempre, estuda administração mas seu verdadeiro amor permanece no mundo da sétima arte. Ama qualquer gênero cinematográfico, indo de romance até terror mas com preferência no drama, o que fez com que Batman - O Cavaleiro das Trevas se tornasse o seu filme favorito, consagrando Nolan como o mesmo. Mas também admira outros mestre do cinema como Eastwood e Tarantino. Escreve nas horas vagas e está adaptando um conto no intuito de transforma-lo em um roteiro para longa-metragem.

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  • mau_franco

    Lembro de ver este filme em um VHS pirata nos anos 80 (ou começo dos 90). Realmente a cena da tartaruga é de longe a mais terrível…Eu me senti muito chateado em ver o bichinho agonizando em frete as câmeras…
    Um ponto curioso deste filme é que não temos vitimas humanas, os que foram mortos, a medida que assistimos as cenas encontradas, se mostram mais cruéis que qualquer canibal…
    Bom filme, mas não pretendo ver de novo…