Nicolas Cage – Biografia

Nicholas Kim Coppola (Nicolas Cage ou simplesmente Nicolau Gaiola, para os brasileiros íntimos) é dono de uma filmografia gigantesca com mais de 80 filmes, 36 só na última década. Vencedor do Oscar de melhor ator em 1995, e indicado novamente ao prêmio em 2003, passa por um momento complicado de sua carreira, massacrado pela grande maioria dos críticos, mas ainda adorado por boa parte do público que segue paciente, esperando sempre que seu próximo filme seja um grande longa e sua redenção em Hollywood.

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Terceiro filho do professor universitário August Coppola (irmão do diretor Francis Ford Coppola e da atriz Talia Shire) com a coreógrafa Joy Vogelsang, Nicolas chegou a ter um irmão gêmeo que morreu minutos após o parto.

Nicolas Cage ainda criança

Quando Cage tinha 5 anos, seus pais se separaram e então ele passou a morar com o pai e os irmãos. Teve uma adolescência conturbada, uma vez que sua mãe desenvolveu transtorno bipolar e boa parte das vezes que a visitou, foram em clínicas psiquiátricas onde estava internada. Aos 12 anos se mudaram de Long Beach para São Francisco, onde ele começou a estudar teatro e pouco tempo depois, aos 15 foi para Los Angeles, onde conseguiu seu primeiro papel, no filme para a TV, The Best of Times.

Em 1982, conseguiu seu primeiro papel para o cinema, no filme Picardias Estudantis, mas ainda sem muita expressão e bons cachês trabalhava como vendedor de pipoca na bomboniere de um cinema. As coisas começam a melhorar quando seu tio (Francis Ford Coppola) lhe ofereceu um papel em O Selvagem da Motocicleta e depois em The Cotton Club. Então, para evitar ser excessivamente ligado ao tio, Nicolas decide deixar de usar o sobrenome Coppola e adota o nome artístico de Nicolas Cage, em homenagem ao personagem Luke Cage dos quadrinhos, do qual era fã.

Nicolas, em cena de Picardia Estudantis

Nicolas, em cena de Picardias Estudantis

Já com dois filmes no currículo os convites começam a aparecer, porém até seu oitavo filme, Peggy Sue: seu passado a espera, sempre atuou como coadjuvante, até que em 1987 surge o convite para estrelar Arizona Nunca Mais, dos irmãos Coen, e em seguida para participar de O Feitiço da Lua, filme que lhe rendeu sua primeira indicação a um prêmio importante, o Globo de Ouro de melhor ator em comédia ou musical.

Em 1990, novamente ao lado de um grande diretor, Nicolas estrela Corações Selvagens de David Lynch. Após este, uma série de filmes medianos, até que em 1995, surge a oportunidade de interpretar o bêbado depressivo Bem Sanderson, em Despedida em Las Vegas, filmaço que se tornou o ponto alto de sua carreira, quando ganhou o Oscar de melhor ator, o Globo de Ouro e uma enxurrada de outros prêmios.

Nicolas Cage e seu Oscar

Nicolas Cage e seu Oscar

Logo após o grande sucesso de Despedida em Las Vegas, Cage parte para alguns blockbusters de ação como A Rocha, A Outra Face e Con Air: a Rota da Fuga, que apesar de fazerem grande sucesso, deram início a críticas em relação à sua atuação e dividem opiniões até hoje. Em seguida vieram filmes como Cidade dos Anjos, 8 Milímetros, 60 Segundos, Homem de Família e Os Vigaristas, com destaque para os bem legais Olhos de Serpentes, O Senhor das Armas, O Sol de cada Manhã, Vivendo no Limite de Martin Scorsese (filme não muito popular quanto os demais do diretor, mas ainda assim muito bom) e Adaptação, em que atuou ao lado de Meryl Streep e foi novamente indicado ao Oscar de melhor ator.

Cartaz de adaptação

Cartaz de adaptação

A partir de meados dos anos 2000, Cage chega a uma situação financeira complicada. Ainda sendo um dos atores mais bem pagos de Hollywood (tendo ganhado quase 40 milhões de dólares só entre os anos de 2008 e 2009, segundo a Forbes), adquire uma dívida de U$ 13 milhões em impostos com o governo americano, e outras várias com bancos, por investimentos imobiliários que deram errado. Uma vez que boa parte de sua fortuna era investida em imóveis de luxo, quando precisou se desfazer de alguns para pagar as dívidas, as coisas não deram muito certo. Quando colocou à venda, por exemplo, uma casa em Bel Air, na Califórnia, por U$ 35 milhões de dólares (ou R$ 100 milhões) e, sem interessados, o imóvel teve que ir a leilão. Mesmo pelo preço mínimo de US$ 10,4 milhões de dólares (quase R$ 30 milhões), ninguém apareceu para arrematar a casa, que terminou nas mãos do banco que a financiou. Uma mansão em New Orleans foi arrematada também em leilão por U$ 5,5 milhões de dólares (um pouco mais de R$ 15 milhões) dentre outros imóveis que tiveram o mesmo fim, aí então sua estratégia para sair do buraco, foi a mais simples: trabalhar.

De 2006 em diante, com O Sacrífício, Nicolas entra em um ritmo alucinado, lançando uma média de quase quatro filmes por ano, e aí começa o problema, uma vez que grande parte desses filmes são medianos e que não se destacam em muita coisa como A Lenda do Tesouro Perdido, Presságio, Caça as Bruxas, O Pacto e etc, e outra boa parte, filmes ruins como o próprio O Sacrífico, O Vidente, Reféns, Perigo em Bangkok, O Resgate, O Assassino do Alaska, O Apocalipse dentre outros, sua imagem fica saturada e filmes bons como As Torres Gêmeas, Vicio Frenético, Joe e o divertidíssimo Fúria Sobre Rodas passam desapercebidos  pelo grande público.

Cena de Fúria Sobre Rodas

Cena de Fúria Sobre Rodas

Mas toda esta situação pode melhorar, em breve teremos oportunidades animadoras para ver Nicolas Cage nas telas, primeiro em Snowden, em que trabalhará novamente com o diretor Oliver Stone (que também já esteve em dias melhores, mas sempre gera expectativas), em USS Indianapolis: Men of Courage (filme baseado em fatos reais sobre um navio que foi bombardeado no Pacífico Sul após entregar partes das primeiras bombas atômicas, durante a Segunda Guerra Mundial) e em uma comédia que tem tudo para ser insana e genial: em Army of One, Cage irá interpretar um cidadão comum americano, que parte para o Oriente Médio, com uma pistola e uma espada, para caçar sozinho Osama Bin Laden. A deste direção fica a cargo de Larry Charles que dirigiu comédias de  Sacha Baron Cohen como Borat – O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América, Bruno e o Ditador.

Cage, tranformado, no set de Army of One

Cage, tranformado, no set de Army of One

E ainda esse ano será lançado o documentário Death of Superman Lives: What Happened? que investiga o porquê um filme que traria Nicolas Cage no papel de Superman, com roteiro de Kevin Smith e direção de Tim Burton não chegou a ser filmado. Segundo o ator o filme não foi feito por falta de coragem dos executivos da Warner de colocar em prática as ideias corajosas do projeto.

Teste de figurino para Superman Lives

Teste de figurino para Superman Lives

Agora só nos resta ter esperança de que esses projetos respondam às expectativas e que Nicolas Cage já tenha acertado sua vida financeira podendo selecionar melhor os seus trabalhos, voltando assim a atuar em grandes filmes condizentes com sua capacidade, como inúmeras vezes no passado.

Luiz Cobra
Um aficionado por cinema, quadrinhos e rock,n,roll

Luiz Cobra publicou 17 posts. Veja outros.

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  • Leon Nunes

    Considero Nicolas um excelente ator, mesmo em filmes ruins – que, a meu ver, ele salva.
    Filmes que não me chamam tanto atenção, acabam por se tornar algo interessantes pela presença dele, segundo minha óptica.