O Professor Aloprado (The Nutty Professor) [Pop Cine]

Muitos atores profissionais e críticos de arte concordam com uma coisa: é muito difícil fazer comédia. Arrancar lágrimas da plateia é fácil em comparação com a penosa tarefa de fazer rir. Oscilar entre um personagem engraçado e um sério dentro de um mesmo filme, então, é desafio que poucos conseguem cumprir. Um destes poucos é Jerry Lewis, rei das matinês dos anos 50 e 60. Em “O Professor Aloprado”, talvez seu mais conhecido e duradouro processo, Jerry alterna entre o dito professor atrapalhado e um sedutor baratinado.

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Julius Kelp (Jerry Lewis) é um atrapalhado professor de química. Com óculos de lentes grossas, dentes tortos protuberantes, corte de cabelo de tigela, voz fanhosa: um homem totalmente desajeitado, mas nem por isso imune ao amor. Ele se interessa por uma de suas alunas, a simpática Stella Purdy (Stella Stevens). Após sofrer bullying de um jogador de futebol americano (filme moderninho: professor vítima de bullying de aluno!), Kelp decide mudar de visual. Como ele não consegue fazer isso na academia, vai para seu habitat natural: o laboratório, onde cria uma poção transformadora.

Ao beber a poção, Kelp se transforma em Buddy Love, um homem extremamente confiante, espalhafatoso, excelente cantor e dançarino. Sua atitude foi durante muito tempo considerada uma paródia de Dean Martin, ator americano que fez dupla com Jerry Lewis em 17 filmes. Mais tarde, vimos traços de Buddy Love quando Lewis mostrou sua difícil personalidade no filme “O Rei da Comédia” (1983). O que importa aqui não é a origem do personagem, mas seu efeito em quem vê o filme: Buddy Love é tão desprezível que torna Julius Kelp adorável.

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Talvez você não tenha percebido, mas “O Professor Aloprado” é uma inteligentíssima releitura de “O Médico e o Monstro”. E Jerry, além de protagonista dois-em-um, é o diretor do filme. Havia uma década que ele flertava com a ideia de transformar em comédia a história clássica de Robert Louis Stevenson, e neste tempo rascunhou sete versões para o roteiro.

Assim como na maioria das comédias do período, muitas gags são completamente mudas: o que importa é uma expressão exagerada, um detalhe visual absurdo ou inesperado. Sim, há várias frases engraçadas, mas nada que tenha feito o filme envelhecer mal ou se tornar difícil de compreender pelas novas gerações.

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Depois do sucesso de “O Professor Aloprado”, Jerry Lewis quis muito fazer uma sequência. Foram necessários mais de 30 anos para que sua vontade quase fosse feita: em 1996 foi filmado um remake popularíssimo com Eddie Murphy, e Jerry Lewis foi produtor executivo da película. Em 2008, Lewis esteve por trás de um desenho baseado no filme original, mas desta vez com Harold Kelp, neto de Julius, experimentando a perigosa poção. Outra influência da película pode ser vista em Os Simpsons, já que o personagem Professor Frink foi baseado em Julius Kelp por sugestão de seu dublador, Hank Azaria.

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Não são poucos os momentos de diversão que “O Professor Aloprado” proporciona, mais de 50 anos após sua estreia. Com carisma, graça e brilho, o filme não envelhece, e conquista da mesma maneira quem o viu há décadas na televisão ou quem pela primeira vez tem contato com a obra-prima de Jerry Lewis.

Nota do Autor: 10
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Leticia Magalhães
Letícia Magalhães é estudante universitária e tem dois livros publicados. Atualmente mantém o blog Crítica Retro, sobre cinema clássico, e colabora também nos sites Leia Literatura, Antes que Ordinárias, Red Apple Pin-Ups e Gene Kelly Fans.

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