Pirataria S.A.

Pirataria de filmes ganhou força com surgimento dos DVDs

Pirataria de filmes custa US$ 58 bilhões anuais aos EUA. Será mesmo?

Brasil: 81% dos usuários do País baixam filmes e músicas piratas.

FBIas-Anti-Piracy-Warning-Seal Estas três chamadas de reportagem representam, em parte, o problema da Pirataria no Brasil e no mundo, mas será que, REALMENTE, a Pirataria de filmes é um problema? Será que, de fato, as empresas de Hollywood perdem 58 Bilhões de dólares anuais por causa da pirataria? Será que só por causa da pirataria os preços dos produtos culturais precisam se encontrar da forma que o são hoje em dia, isto é, com preços exorbitantes?

Não há, e ainda não haverá, nenhuma resposta definitiva para a questão da pirataria, além de pensar que, desde os tempos idos, ela existiu, existe e continuará a existir, seja por meio de cópia ilegal de um produto cultural, seja por cópia malfeita de um eletrônico, de um tecido, de um calçado e assim vai. A pirataria está entre nós.

E nem precisamos ir muito longe para acharmos um a outro exemplo. É bem provável que você, caro leitor, esteja usando um software pirata para ler este artigo. No mínimo, o seu Windows XP/Vista ou 7 deve ser daqueles que o seu “técnico” cobra bem baratinho para instalar, juntamente com o Office, Photoshop e afins, em que, destes programas citados, o mais barato é o Office 2010 Estudante, que custa 190 reais. Creio que você não vai querer saber quanto custa o “seu” Photoshop não é? De toda forma, este é um dos exemplos de pirataria, mas, o que vamos destacar aqui é a pirataria em Hollywood.

A Difusão da Pirataria

Antes, para se gravar um filme em VHS o processo era um tanto quanto complicado:

1º – O pirata precisava ter dois videocassetes para fazer a gravação;

2º – Precisava conhecer um pouco de eletrônica básica para montar os dois videocassetes, colocar a saída de vídeo – e áudio também – em um e a outra saída de vídeo na TV;

3º – Gravar na mesma velocidade do VHS, quando a gravação era feita no modo econômico (SLP), às vezes a qualidade saía péssima;

Tá na hora de gravar!

Tá na hora de gravar!

E assim vai. Estão vendo as etapas que se sucediam a uns bons 20 anos atrás? Era por isso que muito pouco se viam cópias piratas daqueles filmes de locadora e as mesmas ganhavam rios de dinheiro, pois era algo relativamente trabalhoso, e dispendioso, gravar as fitas dos seus filmes favoritos até então. A mudança deste tipo de coisa aconteceu por um único fator, as gravadoras de CD/DVD.

Exatamente. Aquele disquinho que você compra por 0,99 centavos e grava as suas fotos. Aquele mesmo DVD que tem o CD como o seu irmão mais velho, onde você copia os milhares de mp3 e coloca no som do seu carro – desculpe, o leitor daqui é chique e coloca agora as músicas num pendrive de 8 GB da Kingston. Sim, este pequeno prodígio da tecnologia foi quem deu início a vida da pirataria digital.

Sintam o poder da gravação!

Sintam o poder da gravação!

De acordo com Luciano Tadeu Damiani, presidente do Sindicato das Empresas Videolocadoras do Estado de São Paulo (Sindemvideo), “Com o DVD, a pirataria invadiu todas as esquinas do país. Tomou proporções gigantescas em São Paulo – e também outros lugares do país. O principal fator do fechamento de tantas videolocadoras em São Paulo foi a pirataria desenfreada”, segundo ele.

Assim de acordo com um artigo da Agência Sebrae:

“Por mais baixo que seja o custo de locação de um DVD, é impossível competir com o preço das vendas das cópias irregulares e ilegais, praticadas em todas as regiões brasileiras. Enquanto a locação de um DVD custa, hoje, entre R$ 4 a R$ 12 na videolocadora, a aquisição de cinco DVDs piratas costumam ficar em R$ 10. A queda brusca no faturamento do segmento gerou a demissão de cerca de 60% da mão de obra das locadoras, segundo Damiani. Entre 2005 e 2006, foram realizadas várias passeatas de donos de videolocadoras em diversas cidades paulistas, clamando por fiscalização mais intensa e combate à pirataria, mas não renderam resultados concretos, lamenta o presidente da entidade.”

E como isto aconteceu? Simples: as gravadoras de DVD para computadores tiveram uma queda brutal nos seus preços, juntamente com programas, como o DVD Shrink, que permitiam cópias perfeitas daquele DVD que tanto você queria, e, consequentemente, muitas empresas de mídia começaram a vender as unidades de DVD para gravação cada vez mais baratas. Com todas estas facilidades, não tão somente os usuários comuns, mas também aquelas pessoas que querem ganhar dinheiro a todo custo, podiam enriquecer a custa dos outros, então a pirataria começou a ficar mais forte e ficou por isso mesmo? LEDO ENGANO.

Banda Larga e o sumiço do Megaupload.

O artigo da Agência Sebrae continua:

“Depois da pirataria de DVD, veio a pirataria online, por volta de 2006, conta Damiani. Com a chegada da banda mais larga ao país, que permitiu a conexão menos lenta à internet, os games se tornaram a bola da vez da contravenção. “Mais pirateado do que os filmes, são os games”, afirma. Os produtos da primeira e segunda gerações de games continuam quase que na total ilegalidade no Brasil. Enquanto não doer no bolso do consumidor, que compra cópias piratas ou baixa da internet, o problema vai continuar, segundo ele.”

A pirataria online se sucedeu com a maior capacidade de armazenamento dos computadores, a forma como o conteúdo do DVD podia ser copiado. Antes eram DVD’s completos, atualmente, somente o próprio filme é copiado e, em seguida, disponibilizado em sites como o antigo Megaupload, 4shared ou sites que trabalham com distribuição digital, como o Pirate Bay. Por meio destes elementos, a pirataria digital ficou mais forte que nunca, até o começo de 2012.

E ainda bem que nenhuma deu certo, né?

E ainda bem que nenhuma deu certo, né?

No ano de 2012, vimos um evento nunca visto antes. O senado americano colocou em votação a Pipa e a Sopa e o que seriam estas duas coisas, que são coisas bem legais de se brincar e ótimo de se comer, quando faladas no português?

A PROTECT IP Act (Preventing Real Online Threats to Economic Creativity and Theft of Intellectual Property Act of 2011), também conhecida como PIPA, Senate Bill 968 ou S. 968, foi uma lei proposta nos Estados Unidos para combater sites relacionados à pirataria, especialmente sites hospedados fora dos Estados Unidos.

O Stop Online Piracy Act (em tradução livre, Lei de Combate à Pirataria Online), abreviado como SOPA, foi um projeto de lei da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos de autoria do representante Lamar Smith e de um grupo bipartidário com doze participantes. O projeto de lei amplia os meios legais para que detentores de direitos de autor possam combater o tráfego online de propriedade protegida e de artigos falsificados. No dia 20 de janeiro, Lamar Smith suspendeu o projeto. Segundo ele a suspensão acontece “até que haja um amplo acordo sobre uma solução”. Com estes dois elementos, um dos maiores sites que comportava elementos piratas era o MegaUpload, que foi fechado e o seu dono preso e solto alguns meses depois.

Mesmo com esta briga imensa sobre a pirataria que a indústria do entretenimento teima em lutar, não que não estejam em seu direito, fica uma pergunta básica. Enquanto que um produto original custa, pelo menos no Brasil, muito mais caro que um consumidor médio comum possa pagar, porque então este mesmo consumidor vai defender aquela empresa para acabar com a pirataria?

Eu acredito que se estes mesmos produtos fossem vendidos a preços mais condizentes, certamente a pirataria, que é um grande problema, seria minorado, ou, até mesmo, quase extinto. Mas não, empresas como a Sony, além de lançar filmes em DVD/Blu-ray a preços exorbitantes, ainda vende seus produtos como se a empresa fosse a rainha da cocada preta. Quem tem filho, certamente, tem medo de passar numa loja de eletrônicos e ver na vitrine um PlayStation 4 / XBoX One, um PSVita ou um New 3DS LL, onde os mesmos custam um rim.

Em breve estendido para PSVita, XBoX One e New 3DS LL

Em breve estendido para PSVita, XBoX One e New 3DS LL

Um colecionador de filmes, como eu, assalariado e com rendimentos curtos, não pode usufruir completamente da biblioteca de filmes que estúdios como a Paramount, Sony Pictures, Universal, Fox Filmes e outros tem por aí, quando lançam os seus DVD’s por módicos 39,90 ou Blu-rays por 59,90! O preço deste último é, basicamente, 10% de um salário mínimo, e mesmo que você ganhe 1.000 reais mensais, representa 5% do seu rendimento. Antes pensar que cultura fosse algo para ser usufruto de todos, mas, como tudo no mundo hoje, pode ser taxada e posta um código de barras.

A pirataria vai continuar a existir, agora depende de como a indústria do entretenimento – americana, europeia, brasileira – vai trabalhar com isto, se usando a força brutal – com o Pipa, Sopa ou o Acta, na qual as três foram postas de lado há algum tempo -, ou com um único interesse, conquistar o consumidor com preços baixos e atraentes.

E para você, contumaz pirateiro, digo, leitor, quais são as soluções para minorar a pirataria?

Daniel G. Fernandes
Este ser é um viciado em games, sejam de consoles, sejam de PC's e tem uma paixão arrebatadora em Tecnologia, aficcionado em filmes dos anos 1980 e 1990, ele pode não se lembrar o nome do diretor, do filme ou do ator, mas quando tem opinião ele fala mesmo! SegaManiaco de Coração, ele também bate ponto nos sites Gamehall, Marketing & Games, Blast Processing, Brazuca Gamer e Comunidade Mega Drive!

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