A Chegada (Arrival) – Crítica

É, Denis Villeneuve é um gênio.

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Louise (Amy Adams, Batman Vs. Superman) é uma linguista professora de universidade que vive uma vida sozinha e depressiva. Repentinamente, seres de outro planeta invadem a Terra, mas sem uma razão ou ameaça eminente. Sendo assim, o Coronel Weber (Forest Whitaker, Star Wars: Rogue One) convoca Louise e Ian (Jeremy Renner, O Legado Bourne), um cientista, para participarem da missão de adentrar na nave e se comunicar com a espécie tentando entender a mensagem que os seres querem nos passar.

Dramas pessoas entre pais e filhos; seres superiores; uma ameaça a vida da Terra; transcendência de mente no espaço tempo. Estou falando de Interestelar? Não, mas podemos considerar A Chegada o Interestelar de Denis Villeneuve. Não que o filme seja igual, mas as coisas irão se explicar com o tempo.

Denis Villeneuve é o fantástico de diretor de filmes com clima pesadíssimos e que abordam o suspense psicológico tais como Incêndios, Os Suspeitos, Sicario: Terra de Ninguém e O Homem Duplicado. É de se admirar que este tipo de diretor vá se aventurar em um tema o quão não tem nenhuma experiência, a ficção-científica, e ainda assim fazer um trabalho magnífico.

Mesmo assim, Villeneuve não deixa de se aventurar nas suas zonas de conforto. Os personagens aqui são peças fundamentais na trama, mas principalmente Louise. Por mais que A Chegada conte sobre extraterrestes, o foco, subjetivamente, é Louise e todo o seu arco, toda a sua história é linda e emocionante assim como aconteceu com Cooper em Interestelar. Sendo assim, Villeneuve consegue nos fazer adentrar dentro da mente de Louise, um personagem abordado de forma profunda e cativante cuja história e motivações são compreendidas pelo espectador do começo ao fim.

Mas sim, os seres são ferramentas fundamentais na trama e é aí que a mão de Denis Villeneuve para com o suspense e o choque pesam na medida certa e forma muito impactante. Todos os primeiros contatos são assustadores. A forma como somos inseridos na trama é como se estivéssemos realmente vivendo aquilo. O plano o qual avistamos a nave pela primeira vez é estupendo e amedrontador de se assistir, assim como o primeiro contato com os seres e estes por consequência tornando todo o primeiro ato uma verdadeira obra de arte que poucos conseguem fazer.

No entanto, o filme acaba por se estendendo demais no seu segundo ato, cometendo aquilo que alguns dizem ser defeito nos filmes de Nolan, a famoso explicadinha. Sim, A Chegada possui isso também, mas não atrapalha, e sim a forma como ele se estende de forma desnecessário talvez dando para tirar uns 15 minutos de filmes. E ainda temos o final, comum plot-twist não impactante como filmes passados de Villeneuve, mas que funcionam mesmo assim, por mais que seja um pouco confuso aqui e ali principalmente com sua mensagem e moral.

As atuações são perfeitas, e quem brilha sem parar durante todo o longa é justamente Amy Adams como Louise, uma atuação contida, mas que constantemente, mesmo com poucas falas sobre a sua personalidade, transmite tudo de forma excepcional através de olhares e pequenas feições. É um trabalho digno de indicação ao Oscar. Ainda temos Jeremy Renner, diferente de tudo que já viu, não fazendo o mesmo badboy de sempre, mas sim um nerd inteligente e amoroso que ama a ciência. E também temos Forest Whitaker em um personagem bem secundário, mas consegue passar a sua presença autoritário que é necessária.

Com uma fotografia estonteante, melancólica e deprimente de Bradford Young, o filme tem a sua tonalidade esfumaçada e de constante ameaça junto de uma angustia contida. Aliás, os efeitos deste filme são magníficos. Os seres têm designes interessantes, porém não muito elaborados ou inspirados. Mesmo assim só a cena de entrada na nave já mostra a qualidade, junto dos planos mirabolantes e sempre muito diversos que Villeneuve utiliza.

E por fim a trilha sonora de Jóhann Jóhannsson, mesmo compositor de Sicario, que contribui para o peso do filme, sendo original e instrumental, nada de forma gritante, mas ao mesmo tempo impactante e estrondosa. É digna de indicação, e se não surgir nada a altura, um Oscar porque parte do espetáculo que é A Chegada vem de sua trilha perfeitamente composta.

A Chegada é um dos melhores filmes do ano sem dúvida, porém não é o filme perfeito que todos estavam falando. Independente disso, Villeneuve consegui criar um possível futuro cult, sendo talvez o melhor filme de aliens da última década. É um filme pesado, reflexivo e extremamente melancólico. Não espere confrontos, mas espera filosofia e indagações. Instigante, impactante e extremamente bem conduzido, A Chegada não é um filme para todos, mas se você for um dos alvos dela, com certeza esse filme mexerá com você.

Nota do Autor: 9.5
Nota do público:(10 votos) 8.1
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Trailer:

Arthur Lopes
Canal pessoal - Marmota Frita Fanático por cinema e video games em geral desde sempre, estuda administração mas seu verdadeiro amor permanece no mundo da sétima arte. Ama qualquer gênero cinematográfico, indo de romance até terror mas com preferência no drama, o que fez com que Batman - O Cavaleiro das Trevas se tornasse o seu filme favorito, consagrando Nolan como o mesmo. Mas também admira outros mestre do cinema como Eastwood e Tarantino. Escreve nas horas vagas e está adaptando um conto no intuito de transforma-lo em um roteiro para longa-metragem.

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