Alice Através do Espelho [Crítica]

Por que não podemos viver dos nossos sonhos? E quem disse que não podemos?

Alice Através do Espelho 4

Alice – Mia Wasikowska – é uma sonhadora. Porém, o mundo não quer saber dos seus sonhos. Ela quer navegar e liderar frotas comerciais enquanto seus “colegas” querem que ela assuma um emprego de escritório. O que seria loucura: encontrar um espelho e voltar ao País das Maravilhas ou aceitar um destino imposto?

O enredo de Alice Através do Espelho gira em torno da protagonista numa jornada para salvar o Chapeleiro Maluco – Johnny Depp -, que acha que pode trazer sua família de volta à vida, nos levando a conhecer melhor o passado do Chapeleiro, tanto quanto à revelação da briga que tornou as irmãs Rainha Branca – Anne Hathaway – e Rainha Vermelha – Helena Bonham Carter – em inimigas. Entretanto, o Tempo – Sacha Baron Cohen – jamais poderia permitir alguém arriscar o equilíbrio do Universo numa busca tão “egoísta”.

Alice Através do Espelho

O filme é dividido entre as viagens de Alice através de diferentes épocas do País da Maravilha, desde a infância de seus habitantes ao fatídico ataque de Jabberwock, o dragão, e cenas puramente focadas em CGI, que ambientam o cenário surreal e a transição entre um período e outro. Como o enredo é totalmente focado na Alice, no Chapeleiro, na Rainha Branca e na Rainha Vermelha – todos personagens que já foram apresentados anteriormente -, há mais atenção e mais desenvolvimento para cada um, tornando a história de Através do Espelho bem melhor do que a do seu antecessor, No País das Maravilhas – que simplesmente recontou a animação clássica da Disney.

Em Através do Espelho, Alice enfrenta seus temores em relação àquilo que deseja ser e o que a sociedade exige dela, o Chapeleiro entra em foco e até é humanizado conforme assistimos o que causou sua loucura – e o quanto um sonho impossível pode se tornar realidade -, a Rainha Branca revela que não é exatamente uma bonequinha de porcelana e até mesmo ela já errou na vida e a Rainha Vermelha, além de ser a personagem mais divertida em sua rabugentice, finalmente mostra que sua maldade até tem alguma justificativa – apesar dela ainda ser uma megera imperdoável.

Toda a identidade visual criada por Tim Burton – que retorna como produtor desta vez – para o primeiro filme foi mantida com fidelidade e manteve-se agradável, mesmo que não surpreenda mais. Os efeitos especiais são boa parte do filme e não decepcionam, apesar de que poderia ter menos CGI e mais diálogos. A narrativa poderia ser menos mastigada e mais metafórica e os atores, por sua vez, fizeram um trabalho sob medida, não decepcionaram, mas também não surpreenderam.

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Particularmente, tenho o dever de confessar que não sou fã do Chapeleiro Maluco do Johnny Depp – é legal, porém a sua maquiagem e figurino são as únicas coisas originais em sua atuação de louco genérico. Tanto quanto Depp tem uma atuação medíocre, Helena Bonham Carter se exalta como uma personagem que tinha tudo pra ser apenas mais uma vilã, entretanto acaba cativando tanto em sua fúria histérica quanto em seus ressentimentos e amarguras mais profundos.

Alice Através do Espelho é melhor do que eu esperava. Consegue ser mais maduro do que o primeiro, agradando crianças e adultos e, mesmo em seus clichês, é divertido e pitoresco – e até um pouco tocante.

Nota do Autor: 8
Nota do público:(2 votos) 6.5
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Alice Através do Espelho 2

Bernardo Stamato
Vencedor do Concurso Cultura "Eu, Criatura" da Devir Livraria, formado em Letras, professor de Game Design e 3D Fundamental na empresa Seven Game e escritor (http://entrevirtudesevicios.blogspot.com/). Quando dá tempo para respirar, lê e joga PS3 também.

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