Animais Noturnos (Nocturnal Animals) – Crítica

2016 não poderia terminar com uma estreia melhor, um filme difícil, não para todos, mas de indiscutível qualidade.

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Susan (Amy Adams, A Chegada) é uma negociante de arte que vive de forma infeliz com seu marido. Porém, tudo muda quando Susan recebe o manuscrito de um livro chamado Animais Noturnos, escrito pelo seu ex-marido, Tony Hastings (Jake Gyllenhaal, Demolição). Sendo assim, acompanhamos a história do livro através dos olhos de Susan, ao mesmo tempo que descobrimos traumas passados da protagonista, assim como a melancolia de sua vida.

Dirigido por Tom Ford, este é um filme adaptado do livro Tony e Susan, e já digo aqui que não é um filme para todos.

Aqui nós temos um intenso drama de reflexão, além de uma história visceral e tremendamente bruta. É quase como se tivéssemos dois filmes em um, porém ambos se conectam, sempre de forma discreta e quase imperceptível e torna a história do todo ainda mais única.

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Pense no visual do filme Demônio de Neon, com um pouco da violência de Drive, até mesmo a impiedade de Oldboy, o surrealismo de alguns filmes de David Lynch e até mesmo a forma de se contar uma história de David Fincher. Ótimas influências que criam um filme incrível.

Aqui as histórias são contadas sempre em paralelo, três em específico, sendo eles o passado da protagonista, seu presente e o livro. Cada época possui o seu visual próprio, o passado com um visual mais comum, mostrando o amor do casal, assim como a amorosidade dos momentos. Já no presente, tudo é estético, algo que até foge do real e mostra uma realidade exagerada que cria um contraste com as outras camadas do longa, mas que a partir de um ponto transborda e foge do aceitável. E por fim o visual do livro, algo brutal e cruel, em certos pontos cru demais e que nunca deixa essa atmosfera de imundice sanguinária que habita toda a sua história.

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Tudo isso é ajudado pela edição magnífica que consegue transitar nas três ‘dimensões” do longa sem nunca ser óbvio, cansativo e confuso. As histórias se completam, cada uma contribui para o entendimento profundo que a outra está apresentando. É de extrema importância que se preste atenção aos detalhes deste filme, sua simbologia é meticulosa e precisa. As cores são importantes, sendo muito referidas a teóricos portais que transitam nas dimensões do filme, da mesma forma que nenhuma frase ou até mesmo palavra, acaba sendo posta no roteiro por acaso. Tudo é calculado e não há espaço para devaneios, ou o filme pode perder o sentido para você.

O elenco é de primeira, e mesmo atores que não se destacam tanto por suas atuações, estão fantásticos aqui. Amy Adams faz um papel muito complicado, no passado demonstrando as dúvidas de suas escolhas no decorrer da vida, assim como no presente é forte a presença do personagem refletindo e pensando, tudo isso sem deixar o filme cansativo. Jake Gyllenhaal é o personagem mais interessante do filme, não sendo um galã e muito menos um herói, ele é um homem comum que sente medo e dor, conseguindo demostrar sua tristeza assim como sua dor na hora que precisa. Michael Shannon está no elenco também e fantástico! É o personagem mais enigmático de todo o longa, com decisões duvidosas, motivações questionáveis e que deixa o público com um constante desconforto por não saber do que ele é capaz. E por fim, Aaron Taylor-Johnson, um vilão trabalho com muito esmero que traz uma profundidade ao seu personagem mesmo com muito pouco tempo de tela.

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A fotografia é impecável. Todo o visual é trabalho com muito cuidado, sabendo diferenciar suas dimensões e seus visuais próprios. Destaque para o mundo sujo e visceral do livro.

E por fim a trilha sonora que traz muito do estilo noir dos anos 40 e 50, mantendo um clima misterioso em sua atmosfera, incomodando o suficiente para que o espectador acabe por esperar sempre o pior desta história.

Animais Noturnos consegue fechar o ano de forma excelente! Uma história de muitas camadas que não irá agradar todos, mas que mantém a sua qualidade do começo ao fim. É desde um drama pessoal sobre as decisões que são feitas ao decorrer de nossas vidas até uma história de vingança dentro de uma história de vingança. Mas além de tudo, é um filme inteligente que sabe instigar e faz um dos melhores finais do ano, deixando margem para interpretações próprias e um imenso desconforto em seu interior.

Nota do Autor: 9.5
Nota do público:(9 votos) 8.8
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Trailer:

Arthur Lopes
Canal pessoal - Marmota Frita Fanático por cinema e video games em geral desde sempre, estuda administração mas seu verdadeiro amor permanece no mundo da sétima arte. Ama qualquer gênero cinematográfico, indo de romance até terror mas com preferência no drama, o que fez com que Batman - O Cavaleiro das Trevas se tornasse o seu filme favorito, consagrando Nolan como o mesmo. Mas também admira outros mestre do cinema como Eastwood e Tarantino. Escreve nas horas vagas e está adaptando um conto no intuito de transforma-lo em um roteiro para longa-metragem.

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