Assassin’s Creed: Unity [Leitor Nerd]

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O caos toma conta de Paris. A outrora Cidade Luz está mergulhada numa era de escuridão e terror. Numa época em que a divisão entre ricos e pobres se torna extrema e uma nação inteira cai de joelhos sob os desmandos de seus líderes, dois jovens, irmãos de coração – Arno Dorian e Élise de la Serra -, se unem na luta para trazer à justiça os assassinos do pai. Mas justiça pode ser um conceito particular.

Oliver Bowden é o pseudônimo de Anton Gill, historiador e escritor inglês. Nasceu em Ilford, Essex em 1948 e é filho de mãe inglesa e pai alemão. Vive atualmente em Paris, França. Oliver Bowden escreveu várias adaptações literárias da série Assassin’s Creed e estudou em Chigwell School e no Clare College. Antes de tornar-se escritor, trabalhou em teatros, especialmente no Royal Court Theatre em Londres, no Conselho de Artes e na emissora de televisão BBC.

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A primeira grande diferença do romance de Assassin’s Creed Unity com os seus antecessores é a protagonista Élise: uma mulher, em vez da predominância masculina anterior, e uma Templária, em vez de Assassina. O lado bom disso é a renovação da série, tirando o leitor do lugar comum e trazendo um ponto de vista totalmente novo para o livro. Porém, Élise nem sequer é personagem jogável no game, o que complica o enredo. O protagonista do jogo, Arno, mal aparece no livro e boa parte do enredo é obscurecido por esse motivo. Além disso, grandes figuras do jogo, como o Assassino Bellec, figuras históricas como Napoleão e Marquês de Sade e até mesmo o vilão da trama têm a participação reduzida a cenas curtas ou total omissão.

Unity se destaca pela ambientação da França antes e durante a Revolução. Seus personagens estão imersos na tensão da guerra civil e diversos fatos históricos influenciam a sua jornada. Tanto o clima de um país em desespero quanto os acontecimentos históricos reais são apresentados de forma interessante e dinâmica, contribuindo para a narrativa. O único problema aqui é o lado sobrenatural da série. Assassin’s Creed é uma história quase completamente realista, com elementos sutis – porém determinantes – de ficção científica. Neste livro, Arno Dorian tem certos poderes, que não são explicados em momento algum, fazendo parecer que tudo não passa de uma solução milagrosa para os buracos no enredo, da mesma forma que as Relíquias do Éden e os Sábios têm participação na história, mas acabam parecendo deslocados com o clima geral do romance pela falta de contexto.

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O enredo é divertido, a leitura é saborosa, mas só se você acompanhou os livros anteriores. Élise é uma mulher astuta e lutadora, temperamental e determinada. Sua personalidade arredia é o que torna o romance interessante. Mas, como adaptação do enredo do jogo, Arno fez falta. O livro precisaria de, no mínimo, o dobro de tamanho para narrar as aventuras do Assassino, ou um segundo livro, apresentando a participação e o ponto de vista dele. Eu adoro livros com protagonistas femininas, mas, infelizmente, o roteiro do jogo impediu que o livro Assassin’s Creed Unity tivesse essa abordagem de forma bem elaborada.

Caso você acompanhe a série de romances do Assassin’s Creed, Unity inova com uma narrativa bem diferente de seus antecessores, mas caso você ainda não tenha lido nada dessa saga, seria melhor começar com A Cruzada Secreta ou Bandeira Negra.

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Bernardo Stamato
Vencedor do Concurso Cultura "Eu, Criatura" da Devir Livraria, formado em Letras, professor de Game Design e 3D Fundamental na empresa Seven Game e escritor (http://entrevirtudesevicios.blogspot.com/). Quando dá tempo para respirar, lê e joga PS3 também.

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  • Rafael Antunes

    Acabei de ler este livro, e como sou fã da série já li e tenho todos os outros, gostei, mas não a ponto de coloca-lo na frente dos outros, acredito que este titulo junto com o Renegado tenham sido os mais fracos da série.
    Um bom livro para começar e não querer largar este universo seria o da Renascença!