Até o Último Homem (Hacksaw Ridge) – Crítica

Filmão!!!

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Desmond Doss (Andrew Garfield, Silêncio) é um jovem do sul dos EUA que durante a 2ª Guerra Mundial se alista para o exército, porém o faz com uma condição: ir para a guerra sem encostar em uma única arma. Seguindo a sua religião à risca, Desmond acredita em servir seu país sem a violência, e assim o filme acompanha a jornada do garoto em meio aos treinamentos do exército e uma das guerras mais sangrentas demonstradas no cinema.

Acho que todos conhecem o nome Mel Gibson. Envolto em várias polêmicas como o alcoolismo, machismo, racismo, etc, esta é uma das figuras mais marcantes da história do cinema e da atualidade. Sempre tratando as histórias de forma extremamente intimista, Gibson faz com que adentremos em seus filmes, sentindo tudo nele junto de sua violência visceral. Entre seus filmes estão Coração Valente, Apocalypto, A Paixão de Cristo e agora Até o Último Homem.

Devo admitir que este deve ser o melhor filme de guerra da última guerra, sendo possível criar um grande paralelo com outro clássico do gênero que é Nascido Para Matar de Stanley Kubrick.

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Em Até o Último Homem acompanhamos toda a sua trajetória, desde a vida na cidade sulista até o seu treinamento e julgamentos por não aceitar o porte de armas e finalmente, a guerra. Cada ponto da história é contado com calma e aprofunda os seus personagens com suas motivações, traumas e vícios, algo que filmes normalmente não se interessam. O foco principal é de Desmond Doss, mas é fácil começar a se interessar pela vida de seu pai, por exemplo.

Além de toda a caracterização da época que é feito principalmente no primeiro ato durante a vida de Desmond, Até o Último Homem é um filme que consegue nos trazer gêneros diversos em que todos eles funcionam. O filme aborda bastante um romance que não fica em momento algum forçado, tendo uma química perfeita entre Andrew Garfield e Teresa Palmer, que traz a leveza ao filme com uma doçura e, no fim das contas, até um gosto amargo a boca. O filme cria dramas familiares assim como os pessoais, algo que é mais focado no personagem de Hugo Weaving, o pai de Desmond, e que está excelente no papel, o melhor de sua carreira nos últimos anos.

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E tirando o treinamento, que consome quase todo o segundo ato inteiro, e que é muito bem construído, servindo muito para mostrar como a paz não é algo quase “dispensável” em uma guerra, que ainda nos traz figuras muito marcantes e bem utilizadas como a de Vince Vaughn e Sam Worthington, nós temos a batalha de Hacksaw Ridge.

A batalha de Hacksaw Ridge é algo que não pode ser descrito, apenas sentido. Toda a guerra retratada no filme é uma experiência. O primeiro contato, quando os soldados sobem a colina e adentram o campo de batalha é um show de sensações! São cerca de 10 minutos contínuos extremamente bem trabalhados, com uma direção impecável que faz com que nos sintamos agoniados. A guerra não é glamorosa, e não importa o quão patriota você seja, em meio a todo sangue de um campo de batalha, ainda é possível que existam pessoas que mantenham sua sanidade. Essa é uma das cenas mais marcantes que já vi no cinema, e com certeza é uma das melhores cenas em filmes de guerra que já foram feitas. Há tanta violência, tanta morte, junto de uma imersão tão precisa do espectador, que quase conseguimos sentir o aroma fétido do local, em meio a sujeira, explosões e tiros.

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Esse é um filme que merece muito destaque a todo o seu trabalho de som, seja edição e mixagem, pois ver Até o Último Homem é como estar no meio da guerra, e para que você sinta esse impacto, é obrigatório ver esse filme no cinema.

E por fim, temos a trilha sonora, algo extremamente pontual e utilizado nos momentos mais oportunos. É original e instrumental, e traz tanto a grandiosidade de uma batalha, quando a doçura do amor entre duas pessoas. Cada batida é uma morte; cada sinfonia é uma lágrima; e cada nota tocada é uma gota de sangue escorrendo.

Até o Último Homem é meu filme favorito de guerra dos últimos anos, e muito provavelmente, o meu favorito deste ano. Este é um filme que não é para qualquer um. Por mais que haja muitos temas envolvidos nele, seu chamariz é a guerra com sua violência, e junto disto ele nos traz muito sangue e agonia. Gibson não faz filme sempre, mas quando faz, ele nos dá um presente que é uma real experiência cinematográfica. Este é um filme grandioso, denso, visceral e de violência crua. Este é um filme aonde o sangue jorrado é sentido em seu rosto e o cheiro de morte sentido à distância. Até o Último Homem é uma obra-prima!

Nota do Autor: 10
Nota do público:(11 votos) 8.9
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Trailer:

Arthur Lopes
Canal pessoal - Marmota Frita Fanático por cinema e video games em geral desde sempre, estuda administração mas seu verdadeiro amor permanece no mundo da sétima arte. Ama qualquer gênero cinematográfico, indo de romance até terror mas com preferência no drama, o que fez com que Batman - O Cavaleiro das Trevas se tornasse o seu filme favorito, consagrando Nolan como o mesmo. Mas também admira outros mestre do cinema como Eastwood e Tarantino. Escreve nas horas vagas e está adaptando um conto no intuito de transforma-lo em um roteiro para longa-metragem.

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  • Maurício Monteiro

    Olha o hype!! Hehe

  • Rodгi9o.06iıboЯ

    Em O Resgate do Soldado Ryan tambem tinha um combatente bund-pacifista e deu no que deu.

  • Arthur Lopes

    mas rapaz, veja esse ai

  • Arthur Lopes

    é bom cara, relaxa