Boa sorte – [Cine Brasil]

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Depois de assistir a esse filme tive uma dúvida: não sabia se o colocava na coluna Cinema e Subjetividade ou na Cine Brasil. Acabei optando pela última, pois já faz um tempo que essa coluna não aparece por aqui. Então vamos ao filme. João é internado numa clínica porque abusou dos remédios controlados usados por sua mãe. Lá ele conhece Judite, que não só usava remédios, como também outras drogas ilícitas. A convivência os aproxima e eles acabam se apaixonando. Só tem um pequeno detalhe: Judite é soropositiva e morrerá em breve, pois seu fígado já não pode sintetizar o coquetel devido ao excesso de drogas utilizadas por ela.

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Deborah emagreceu vários quilos para interpretar Judite, o que não interferiu em nada na sua beleza.

O filme não tem nada de extraordinário, mas é um drama interessante. Boa sorte discute questões como o uso abusivo de remédio tarja preta, a relação familiar, internação, o descaso em relação aos internos, a corrupção que pode existir nessas instituições, entre outras. Porém, o foco é a relação construída entre João e Judite. Ele é um rapaz que mal é notado por sua família. Foi parar numa clínica porque seus pais não sabiam o que fazer. Na verdade, eles mal conseguiam lidar com seus próprios problemas, como iriam lidar com os do filho? O caminho mais fácil foi a internação. Judite sempre foi adepta dos prazeres físicos. Para ela, sexo, drogas e rock on roll não eram uma metáfora, era sua maneira de viver. Seu talento, a pintura e sua válvula de escape, João.

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O sentimento era mútuo. Mas será que duraria…?

Algumas atuações me convenceram, outras nem tanto. João Pedro Zappa vive João e Deborah Secco, Judite. O elenco também conta com Fernanda Montenegro, como a avó de Judite, Cassia Kis Magro, a médica da clínica, Gisele Froés, a mãe de João, Felipe Camargo, o pai e Pablo Sanábio, Felipe, um dos internos da clínica. Menção mais do que honrosa para Enrique Diaz (adoro esse homem!) que transformou seu pequeno papel de enfermeiro em algo bastante consistente para o filme. A direção ficou por conta de Carolina Jabor e o roteiro adaptado por Jorge Furtado e Pedro Furtado, baseado no conto “Frontal com Fanta” de Jorge Furtado. A própria Deborah Secco teve uma participação na produção. Boa sorte rendeu algumas indicações e prêmios. Deborah Secco levou o prêmio de melhor atriz de cinema pela Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Jorge e Pedro Furtado levaram o de melhor roteiro adaptado.

Apesar de ser um drama, Boa sorte fala de amor. João sabia que Judite ia morrer, mas escolheu viver esse amor enquanto ela estivesse ali. Ele foi capaz, inclusive, de planejar sua permanência na clínica apenas para ficar com ela. Deborah pôde mostrar todo o sofrimento de sua personagem, assim como os momentos de alegria, que, não por acaso, eram ao lado de João. Mas o que me chamou a atenção em Judite foi seu desprendimento, que já era dela muito antes da doença. Ela ia morrer e aceitava isso, pois sabia o que tinha feito para chegar ali. Porém, sofria por não poder viver com João devido a sua condição. Acredito que Deborah atuou de uma forma verdadeira. O final esperado não surpreende, mas o filme como um todo sim. Ele consegue ser leve ao mesmo tempo em que traz questões pesadas. Boa sorte é um filme brasileiro que vale a pena ser assistido. Vamos valorizar nosso cinema, porque tem muita coisa boa por aí sim. E não se esqueça de deixar sua nota.

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Uma das cenas mais interessantes para mim, quando Judite dança como se não houvesse amanhã. Graças, é claro, a um coquetel contrabandeado por sua avó numa das visitas. Bom, ela realmente não sabia se teria um amanhã…

Nota do Autor: 8
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Aqui umas das músicas mais expressivas do filme, que representa bem o estilo de Judite

Rayana Lima
Formada em Psicologia e, atualmente, está terminando o Mestrado também em Psicologia. Adora diversos tipos de filmes e sempre gosta de assistir várias vezes aqueles que mais lhe agradam. Seu estilo preferido é suspense e terror, mas também adora um romance, uma comédia ou um drama bem construído. O estilo musical também é bem eclético, mas não peçam pra ela escutar Annita e afins. No seu tempo livre, ama dançar e gosta de jogar videogame. Mas só os de corrida, porque os de plataforma e RPG são lentos demais pra ela.

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