Kubo e as Cordas Mágicas (Kubo and the Two Strings) – Crítica

Se Kubo disputar, talvez a Disney não vença o Oscar de melhor animação este ano.

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Kubo é um garoto comum que vive sozinho com sua mãe no Japão. Apenas conhecendo o pai pelas histórias que sua mãe conta, Kubo vive a vida as contando para as pessoas da pequena vila, junto de seu shamisen (uma espécie de violão japonês) que tem poderes mágicos. Porém, certo dia, espíritos malignos que procuram por Kubo o encontram, e a única forma de combate-los é encontrando as três peças de uma armadura lendária. Kubo agora embarca em uma jornada através da espiritualidade, aventura e amor.

Kubo e as Cordas Mágicas é mais uma animação do estúdio Laika, este que é especializado em animação stop-motions como ParaNorman, Coraline e Boxtrolls. Kubo é de longe o melhor de todo o estúdio, e muito provavelmente, do ano.

Logo de início, é notável que Kubo não é uma animação convencional, algo nos padões Disney / Pixar ou até mesmo Dreamworks. Todo seu roteiro e história é algo fora do comum, algo que por mais que tenha humor, acaba se voltando para algo mais sério e subjetivo em inúmeros pontos. Obviamente, a animação tem uma grande inspiração da lenda oriental Jornada Para o Oeste, está que conta a peregrinação de Xuanzang para a Índia em busca de escrituras sagradas do budismo, junto de Sun Wukong, mais conhecido como Rei Macaco.

A mesma lenda inspirou outra obra-prima dos animes e animações (e até mesmo da cultura pop), Dragon Ball. No caso, aqui, acompanhamos Kubo junto da Macaca, sua guardiã, em busca das peças da armadura, e toda essa peregrinação é mais do que uma simples aventura, talvez não aos olhos das crianças que irão se maravilhar com um gigante esqueleto com espadas fincadas no crânio, ou até mesmo duas irmãs gêmeas do mal que lutam contra uma macaca, mas no fim das contas, Kubo é mais que só isso aos olhos daqueles que entendem, daqueles que enxergam além de sua beleza exterior e admiram a sua mensagem filosófica e existencial.

Junto de toda sua jornada, o filme consegue trabalhar muito bem essa filosofia subjetiva, algo mais disfarçado no filme com metáforas e analogias, e consegue fazer com que ele funcione como uma animação para crianças. Além da seriedade que é predominante, mas que é muito bem compensada com a comédia pontual e muito bem-feita graças ao carisma dos seus personagens. O único defeito de Kubo é justamente a mudança de tom as vezes brusca demais. Em certos momentos está acontecendo um intenso drama que é interrompido para uma luta, ou algo do tipo. Mas nada que tira sua magia.

Além de tudo, o filme é complementado por sua dublagem, que na versão brasileira é muito boa, algo que consegue compor o filme de forma excelente, mas que na versão americana deve ser incrível também, já que contamos com as presenças de Art Parkinson, Charlize Theron, Ralph Fiennes, Rooney Mara, Matthew McConaughey entre outros atores japonês que devem compor os moradores da vila. Mas talvez, a forma da dublagem mais nos ajudar a nos imergir dentro do longa seria se ela fosse apenas japonesa. Mas, com certeza, seria algo que muitos reclamariam.

A animação é espetacular e disfarça muito bem o stop-motion que estamos acostumados, com aquele estilo mais travado. Em Kubo é tudo muito fluido, por mais que seja notável, e como já dito, as características orientais não são descartadas tendo um estilo único em tudo. Seja personagens, elementos naturais, monstros, tudo! Isso junto da fotografia incrível do longa, cheia de cores predominantemente pastéis, e algo que impressiona a todo momento que ocorre, as transições de cena.

E por fim a trilha sonora espetacular, composta em muito pelo som do já citado, shamisen, que é um artifício crucial em toda sua trama, e que além de tudo ainda conta com uma versão cover de While My Guitar Gently Weeps de Geroge Harrison do The Beatles, mas aqui feita por Regina Spektor em meio à uma ambientação oriental pura.

Kubo e as Cordas Mágicas é (até o momento) a melhor animação do ano. Toda sua história é fantástica e emocionante. Acompanhar a jornada de Kubo é algo que enche os olhos dos espectadores de admiração do começo ao fim com seu tom diferenciado, aliás, único. Zootopia foi espectadular, porém o que ele tem de críticas sociais, Kubo tem de coração, alma, cultura e paixão. É um filme emocionante, para crianças e adultos e que com a imersão correta, pode tocar o coração de muita gente de forma única.

Nota do Autor: 9.5
Nota do público:(5 votos) 7.7
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Trailer:

Arthur Lopes
Canal pessoal - Marmota Frita Fanático por cinema e video games em geral desde sempre, estuda administração mas seu verdadeiro amor permanece no mundo da sétima arte. Ama qualquer gênero cinematográfico, indo de romance até terror mas com preferência no drama, o que fez com que Batman - O Cavaleiro das Trevas se tornasse o seu filme favorito, consagrando Nolan como o mesmo. Mas também admira outros mestre do cinema como Eastwood e Tarantino. Escreve nas horas vagas e está adaptando um conto no intuito de transforma-lo em um roteiro para longa-metragem.

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  • RΩdгi9Ω.Ω6iıbΩЯ

    Estou animado por essa animação.

  • Lucas

    Infelizmente não vai ganhar o Oscar de melhor animação porque a Disney/Pixar é a preferida da academia e sempre ganha a ate quando não mereçe.

    • Arthur Lopes

      nem sempre cara. realmente houveram filmes que não mereciam como Big Hero 6 no lugar de Como Treinar o Seu Dragão 2. mas muitos outros filmes já ganharam em cima da Disney. espero q esse seja mais um

  • Lucas

    Monopólio da Disney/Pixar na no Oscar de animação só ganham eles.