O Bom Gigante Amigo (The BFG) – Crítica

Mas o que é isso, Spielberg?

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Sophie (Ruby Barnhill) é uma órfã em plena Inglaterra que, certa noite, avista um gigante andando pelas ruas. O gigante ao notar que foi visto, captura Sophie e a leva para o mundo dos gigantes, onde BFG (Mark Rylance, Ponte dos Espiões) vive. BFG então conta sobre sua vida e o que faz, e que tem medo dos outros gigantes que se alimentam de humanos de invadirem o mundo real. Sendo assim, BFG e Sophie começam a armar um plano para deter os gigantes do mal.

Pode não ter parecido, mas foi extremamente difícil de se escrever a história desse filme. E este é o problema d’O Bom Gigante Amigo, ele é um filme sem história.

Spielberg sempre foi fã de trazer o mágico para as telonas, seja em animação ou live-action. E.T., As Aventuras de Tintim, Hook, Indiana Jones e até mesmo Jurassic Park são provas disso, porém, O Bom Gigante Amigo parte mais para a fantasia, o fantástico que irá fazer tanto os olhos das crianças quanto os dos adultos brilharem. Mas nem tudo é perfeito, e este pode ser considerado um dos piores filmes da carreira de Spielberg.

O motivo real, é simples, o filme carece de uma história real. Spielberg tinha tudo que queria na mão: um ator excelente como Mark Rylance e efeitos especiais de ponta, mas esqueceram de um roteiro nessa história. Toda a trama se baseia em artifícios filosóficos que as crianças não vão entender ou não vão ligar, já que até mesmo os adultos pouco se importam. O ritmo do filme é tenebroso, criando um clima completamente tedioso e chato apenas melhorando, um pouco com uma cena em específico no palácio da Inglaterra, em meados do terceiro ato quanto o filme já está para acabar. Sem contar que a trama de derrotar os gigantes malignos é apenas inserida no terceiro ato, deixando todo o resto do filme com enrolações, conversas entre Sophie e BFG, cujos diálogos simplesmente não funcionam.

O filme também tem o problema, além de não conseguir decidir o que ele está contando, qual história quer nos passar, de não saber criar uma aventura ou até mesmo comédia. Como já dito, o longa se apoia muito em temas filosóficos que são interessantes, mas apenas, e a parte da aventura, o momento de vermos uma criancinha com um gigante em uma terra de gigantes, nunca chega. Claro que Spielberg consegue divertir alguns momentos em que Sophie precisa se esconder dos gigantes do mal, mas nada que chegue perto de salvar o filme. E a comédia também que é quase inexistente, baseada em piadas de pum e no modo errado como BFG fala.

O elenco possui nomes bons, mas completamente mal aproveitados. A revelação da vez é Ruby Barnhill, interpretando Sophie, e a menina mostra em quase 120 minutos que não sabe atuar, com uma atuação completamente caricata de quem não tem experiência. Torçamos para que ela melhore. E quem salva um pouco é Mark Rylance como BFG, que mesmo por traz da captura de movimento a qual seu personagem é criado, consegue ser extremamente expressivo e se entrega ao personagem, tanto no modo de falar como agir.

A fotografia é linda e junto do CGI maravilhoso consegue criar ambientes lindos, uma terra inexplorada que beira o terror junto de magia, mas que possui seus segredos lindos e muito bem explorados.

E a trilha sonora de John Williams, o rei da trilha sonora, que cria músicas bonitas que compõe o filme, porém estão longe de salvar essa péssima história.

O Bom Gigante Amigo tinha muitos pontos altos que poderiam criar um filme muito bonito, mágico e fantástico, porém tudo que nos trazem é uma animação que não agrada os adultos e está longe de divertir as crianças devido a sua história terrível, sem rumo e sem propósito que só decepciona devido ao fato de ser um longa criado pelas mãos de um mestre como Steven Spielberg.

Nota do Autor: 4
Nota do público:(6 votos) 8.3
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Trailer:

Arthur Lopes
Canal pessoal - Marmota Frita Fanático por cinema e video games em geral desde sempre, estuda administração mas seu verdadeiro amor permanece no mundo da sétima arte. Ama qualquer gênero cinematográfico, indo de romance até terror mas com preferência no drama, o que fez com que Batman - O Cavaleiro das Trevas se tornasse o seu filme favorito, consagrando Nolan como o mesmo. Mas também admira outros mestre do cinema como Eastwood e Tarantino. Escreve nas horas vagas e está adaptando um conto no intuito de transforma-lo em um roteiro para longa-metragem.

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