Planetes [Otaku Way]

Sabe a sensação de pegar algo para ler sem ter a mínima noção do que esperar? De cada página ser um surpresa não só agradável, mas também incrível? Tive essa experiência quando vi Planetes na banca há alguns meses, já tinha ouvido falar da obra, mas não imaginei que mergulharia em uma história tão profunda e marcante.

Em 2074, a humanidade já está dando longos passos em direção ao espaço, as viagens na terra são mais rápidas usando voos acima da estratosfera, e as primeiras colônias fora do planeta são instaladas. E com esses avanços para fora da Terra, novos problemas surgem, os acidentes na órbita terrestre deixam uma série de detritos que ficam a deriva, e para isso existe uma equipe de “lixeiros espaciais” que passam os dias orbitando o planeta recolhendo esses detritos.

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Um plot bem simples, mas que se mostrou um jornada sobre existência e humanidade. Durante as quatro edições do mangá, acompanhei a vida de Hachimaki, um desses catadores, que tem o sonho de comprar a sua própria nave e se tornar um astronauta e essa é sua única motivação no começo, o que faz dele um homem extremamente frustrado e egoísta. Mas durante o desenvolvimento da história, ele vai tendo experiências que o fazem crescer como pessoa, emocional e espiritualmente.

Além de Hachi, outros personagens tornam esse mangá algo único. Yuri e Fee são muito mais do que meros coadjuvantes na história, cada um protagoniza seus próprios capítulos, que tem ritmo próprio e influenciam a história como um todo. Essa variedade de personagens e narrativa, faz com que Planetes seja uma verdadeira montanha-russa emocional, me fazendo logo no primeiro volume ir desde as lágrimas até gargalhar compulsivamente. Precisa de mais para conquistar um leitor?

Se você ainda precisa de mais, o mangá se mostra um grande Sci-fi épico sobre a conquista espacial. Todos os conceitos científicos apresentados na história são extremamente precisos, incluindo alguns que acabaram confirmados depois da publicação do mangá em 2001, mostrando um ótimo exemplo daquilo que é chamado ficção científica hard. A história também apresenta diversas discussões filosóficas durante os capítulos, que vão desde o lugar de cada um no universo, até questionamentos sobre amor, família e morte, dando à obra a profundidade que a tornou tão marcante.

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Um pequeno exemplo da qualidade do traço de Makoto Yukimura

A arte de Makoto Yukimura é outra coisa absurda do mangá. A quantidade de detalhes em cada quadro é algo lindo de se ver, principalmente pela história, em sua maioria, se passar dentro de naves e bases espaciais. Ele tem um cuidado com os detalhes de cada painel e cada tubulação estar no seu devido lugar, esse cuidado também é visto nas paisagens e na representação das emoções dos personagens. O único ponto que não é negativo, mas incomoda um pouco é a mudança brusca na cor do cabelo do Hachi do capítulo 2 para o capítulo 3, mas isso é totalmente passável.

Planetes teve sua adaptação para anime produzida pela Sunrise em 2003 e contou com 26 episódios. No Brasil, o mangá foi publicado pela Panini em 2015, em uma das edições mais bonitas do ano, lançado com páginas coloridas, papel offset, orelhas com comentários do autor e capa com laminação fosca e verniz, fazendo cada centavo valer, principalmente com a última edição que teve mais de 300 páginas. E foi pra mim, facilmente, a melhor publicação em quadrinhos de 2015, em qualidade de publicação e de conteúdo.

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Capa nacional do primeiro volume.

Com toda a certeza uma das melhores surpresas que tive nos últimos anos, Planetes apresenta uma história complexa e imensamente cativante, que traz discussões pertinentes sobre a vida, através de personagens extremamente falhos e humanos. Um mangá obrigatório na lista de leitura de qualquer fã de ficção científica!

Guilherme Vitoriano
Devorador de Livros e Quadrinhos, domador de jogos.e Nerd assumido. Apreciador de uma boa música e apaixonado por suas meninas.

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