Procurando Dory [Crítica]

Quando eu soube que Procurando Dory estava em produção, uma pergunta me veio à cabeça imediatamente: “Precisava continuar Procurando Nemo?”. Sinceramente, não. Assista Procurando Nemo e você vai ver que uma sequência é completamente desnecessária. O filme é divertido, a animação é bem-feita, a história é completa e toda a produção envelheceu bem. E a Pixar lançou Procurando Dory e nos trouxe outra pergunta.

Procurando Dory 1

“Então, por que uma sequência?” Quantas vezes você já assistiu Procurando Nemo? Eu assisti várias. E por mais que toda a trama esteja completa, existe um detalhe em falta: a Dory. A gente não sabe absolutamente nada sobre ela. A personagem cumpre seu papel de alívio cômico e torna toda a jornada Marlin atrás do seu filho, Nemo, mais divertida e até mesmo possível, mas Dory sempre foi o maior ponto de interrogação no primeiro filme. Dory estava incompleta.

“E o que mudou?” Toda sequência precisa de novidades. Personagens amados precisam voltar, pontos em aberto precisam ser fechados, os momentos consagrados precisam ser homenageados. Mas isso não basta. Felizmente, Procurando Dory traz novos personagens, um cenário novo e um ritmo de narrativa completamente diferente do primeiro filme.

Procurando Dory 3

Depois de um ano vivendo com Nemo e Marlin, Dory tem lapsos de memória e, naturalmente, fica agoniada ao perceber que não vê sua família há muito tempo – e nem mesmo sabe quanto tempo. Em vez de uma longa jornada através do oceano como em Procurando Nemo, o novo filme se passa quase todo dentro de um aquário destinado a recolher e tratar animais marítimos que são encontrados sob ameaça. Dentro deste cenário, o filme consegue apresentar incontáveis espécies de animais e promover uma aventura tão emocionante quanto a do primeiro filme, sem precisar repetir ou imitar o seu roteiro.

É encantadora a forma como a falta de memória da Dory guia a narrativa tanto quando ela se lembra de algum fragmento de lembrança e corre por alguma resposta, quanto quando ela simplesmente se esquece o que estava fazendo e muda de rumo. Procurando Nemo foi uma jornada linear de um pai em busca de um filho, enquanto Procurando Dory é uma jornada labiríntica de uma filha procurando os pais.

O estreante que se destaca é o Hank, um polvo de sete tentáculos. Ele é o total contraste de Dory, mal-humorado, antissocial e ranzinza, o que funciona perfeitamente para complementá-la quando se oferece para ajudar em troca de um favor. O detalhe mais curioso é que ambos Dory e Hank são deficientes: a falta de memória é um obstáculo constante em sua jornada, enquanto a falta de um tentáculo agride a autoestima de Hank, por mais que ele ainda tenha mais sete à disposição. Além de Hank, Destiny e Bailey também são decisivos para Dory encontrar sua família. Destiny é uma tubarão-baleia com graves problemas de visão, que vive dando de cabeça dentro do próprio aquário, uma personagem que mesmo com um sério problema pessoal, não deixa de ajudar sempre que pode. Bailey, por sua vez, é uma beluga que se recusa a usar sua ecolocalização por puro medo, afirmando ser incapaz de fazer o que qualquer animal da sua espécie faz, uma referência às pessoas que não são deficientes, mas acreditam que são com tanta força que acabam vivendo “presas em aquário”.

Procurando Dory 4

Ah, e sabe aquele curta-metragem que a Pixar sempre traz antes dos seus filmes? Dessa vez, ela se superou! Piper é a história de um passarinho que precisa finalmente sair do ninho e pegar sua própria comida. Uma premissa mais do que simples, mínima, mas que nos encanta na sua extrema qualidade de animação e em todas as suas metáforas sobre a vida, tirando risadas das crianças e botando os adultos para pensar sobre como a vida é engraçada – principalmente em seus detalhes… Mínimos.

A última pergunta que sobrou a respeito de Procurando Dory é “e vale a pena?” Sinceramente… Muito. Procurando Dory é tão bom quanto seu antecessor em história, em risadas e em encanto. A Pixar soube ser diferente e soube homenagear em cada ponto crítico que poderia tornar o filme repetitivo ou fascinante.

Ontem eu assisti Procurando Nemo ao lado dos meus amigos de escola e hoje eu vou levar minha filha para assistir Procurando Dory com a certeza de que nós dois vamos rir até cansar.

Nota do Autor: 10
Nota do público:(3 votos) 7.8
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Procurando Dory 2

Bernardo Stamato
Vencedor do Concurso Cultura "Eu, Criatura" da Devir Livraria, formado em Letras, professor de Game Design e 3D Fundamental na empresa Seven Game e escritor (http://entrevirtudesevicios.blogspot.com/). Quando dá tempo para respirar, lê e joga PS3 também.

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