Sete Minutos Depois da Meia-Noite (A Monster Calls) – Crítica

Pegue Onde Vivem os Monstro e junto com a fantasia e obscuridade de O Labirinto do Fauno que você achará Sete Minutos Depois da Meia-Noite.

389192-jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx

Conor (Lewis MacDougall, Peter Pan) é um garoto de 13 anos com inúmeros problemas. Ao mesmo tempo que sofre bullying na escola, Conor vive com sua mãe (Felicity Jones, Rogue One: Uma Aventura Star Wars) que sofre de um câncer em estado terminal. Tentando lidar com as dificuldades, repentinamente em uma noite comum, Conor recebi a visita do Monstro (voz de Liam Neeson), uma árvore gigante que toda noite vai até a casa de Conor e o confronta, contando histórias, mas que quer tirar algo de Conor: A Verdade.

Sete Minutos Depois da Meia-Noite faz algo que eu amo: misturar fantasia com dramas reais. Como já dito, não é nada que Onde Vivem os Monstro e O Labirinto do Fauno já não tenham feito, porém por mais que ele acerte bem no meio, colocando a dose certa tanto de um quanto do outro, ele puxa para um lado mais emocional.

Dramas psicológicos não são novidades, nós até temos exemplos de terror como The Babadook para demonstrar que isso pode ser feito com maestria. Sete Minutos Depois da Meia-Noite mostra perfeitamente como criar esses dramas, utilizando a fantasia e magia, sem deixar tudo muito expositivo e sugestivo demais. A trama toda é muito fluida utilizando tanto do seu lado sombrio quanto da parte mais mágica. O filme, no entanto, não deixa em momento algum de focar no drama, que acaba até por ser algo um tanto quanto pesado (esse não é um filme para crianças), porém toda a história só existe por causa da sua melancolia e depressão.

Mas para que o longa não seja uma fossa de tristeza, ele traz justamente a fantasia. O Monstro é responsável por toda a parte mágica do filme, e para que isso ocorra de forma excelente ele conta histórias a Conor, todas profundas e mostrando o quão profunda a índole humana é e por consequência, como nós humanos somos complicados e muitas vezes ingratos. Além do simples roteiro de cada uma das histórias que são brilhantemente utilizadas para se encaixar com aquilo que o filme está retratando, elas possuem um visual magnífico, sendo a primeira sendo ilustrada em aquarela, mas de uma forma fantástica, e a segunda em animação, algo um pouco semelhante com o Conto dos Três Irmãos em Harry Potter.

Porém, o filme tem alguns pequenos pontos falhos, entre eles está justamente a relação de seus personagens, mais específico a de Conor com seu pai e a do bullying na escola. O filme é completamente apoiado em Conor, e é muito necessário que essas interações funcionem. Mas, por mais que elas não fracassem, as suas conclusões fazem com que no final do filme, pensemos em o que elas nos ofereceram em meio a toda grandiosidade do filme? Essas, e apenas essas, são vagas e com conclusões um pouco estranhas, principalmente a de Conor com o pai.

Mas todas as outras funcionam de forma brilhante, com personagens incríveis que fazem a história caminhar com o seu ritmo cauteloso e preciso, sempre tomando o seu tempo para que tudo aquilo que é para ser passado, seja feito de forma correta, precisa e eficiente, incluindo os momentos mais emocionantes que não chegam a apelar para a maravilhosa trilha sonora, original e instrumental que compõe todo o clima do filme de forma tão linda que as vezes nem sentimentos os pesos de suas notas.

E assim como seus personagens, o elenco todo se encaixa muito bem neles. Lewis MacDougall carrega o filme com perfeição nas costas. É um trabalho difícil para uma criança, já que se trata de uma trama muito dramática e que exige do ator para que sintamos aquilo que está sendo proposto. Ainda temos Felicity Jones como a mãe, a único papel da atriz em que me senti confortável, sendo simples, mas muito convincente. Toby Kebbell na pele do pai de Conor, e como já dito, algo restrito e pouco aparente, mas diferente dos papéis do ator. E ainda temos Sigourney Weaver como a avó de Conor, simplesmente brilhante, uma atuação que vai mudando o tom durante todo o filme, sempre se adaptando à trama e por fim Liam Neeson em um trabalho de voz espetacular!

A fotografia é muito bonita, muito semelhante a d’O Labirinto do Fauno, tentando levar para o lado sombrio, mas emocionante nos pontos em que precisa ser. E um show à parte nos momentos das histórias do Monstro que são de encher os olhos de lágrimas.

Sete Minutos Depois da Meia-Noite é lindo, mágico e incrível! A mistura de tons que tem, assim como suas influências, só mostra que o filme realmente está em um patamar bem acima da média. É um drama fantasioso, mas não se engane, não é para crianças. Sua temática é pesada, e seu drama tão bem conduzido que não é difícil arrancar lágrimas dos olhos dos espectadores. Com poucas falhas, Sete Minutos Depois da Meia-Noite consegue ser mágico e deslumbrante nos momentos certos e ao mesmo tempo nos arrebatar de forma precisa com o seu emocional fantasioso. Mágico e lindo, uma aventura para a vida toda!

Nota do Autor: 9
Nota do público:(3 votos) 9.8
Dê a sua nota:

279710-jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx 280804-jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx 304146-jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx 306334-jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx 311451-jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx

Trailer:

Arthur Lopes
Canal pessoal - Marmota Frita Fanático por cinema e video games em geral desde sempre, estuda administração mas seu verdadeiro amor permanece no mundo da sétima arte. Ama qualquer gênero cinematográfico, indo de romance até terror mas com preferência no drama, o que fez com que Batman - O Cavaleiro das Trevas se tornasse o seu filme favorito, consagrando Nolan como o mesmo. Mas também admira outros mestre do cinema como Eastwood e Tarantino. Escreve nas horas vagas e está adaptando um conto no intuito de transforma-lo em um roteiro para longa-metragem.

Arthur Lopes publicou 253 posts. Veja outros.

Publicidade