Tectoy, será que agora vai?

A empresa paulista colocou boa parte do mundo retrogamers em polvorosa com uma “pesquisa” acerca do Mega Drive e Master System.

Dia 1º de Junho de 2016 vai ser um momento marcante para muitos retrogamers que vivem no Brasil. Por que? Pelo simples fato da empresa suscitar  a vaga possibilidade de um relançamento de um dos mais amados consoles da SEGA no Brasil, seja este o Master System, seja o Mega Drive.

Para os mais novinhos que, provavelmente, não sabem o que está sendo dito aqui, o Master System foi um console de 8bits lançado pela SEGA em 1986 nos EUA, 89 no Brasil, para brigar diretamente com o NES (conhecido por aqui com os seus clones, como o Phantom System) e em 1989, para sair na frente da Nintendo, a SEGA lançava nos EUA o Sega Genesis, conhecido no Brasil como Mega Drive, sendo o mesmo lançado em 1990.

sega

Dos dois consoles “primordiais” criados pela SEGA, o último em questão fizera muito mais sucesso que o primeiro, chegando ao clímax do embate entre a Nintendo e a SEGA desta última aqui dominar mais de 50% do mercado americano e isto fora algo realmente importante.

CERTO, E O QUE ISTO SIGNIFICA?

Antes de passarmos um pouco mais adiante sobre o possível lançamento de um dos dois consoles – ou quem sabe os dois – aqui no Brasil. Devemos relembrar um pouco da Tectoy no final da década de 1980, onde, antes de mais nada, tínhamos uma coisa tinhosa chamada de reserva de mercado. E o que diabos veio a ser isto?

“Reserva de mercado é uma política governamental que impede legalmente o acesso e a importação de uma determinada classe de produtos e bens de consumo com vistas a uma pretensa proteção e desenvolvimento da indústria nacional e incremento da pesquisa científica interna.

Em 1984, a primeira lei sobre Informática no Brasil, a Lei Federal nº 7.232/84, estabeleceu a reserva de mercado para este ramo de atividade, induzindo fortemente o investimento do Governo e Setor Privado na formação e especialização de recursos humanos voltados à transferência e absorção de tecnologia em montagem microeletrônica, arquiteturas de hardware, desenvolvimento de software básico e de suporte, entre outros.

Embora não se possa negar a realização de grandes investimentos internos, a Política Nacional de Informática então em vigor acabou por engessar o desenvolvimento econômico do país e chegou a favorecer a pirataria de hardware e software, com o surgimento de diversas empresas nacionais que oficialmente fabricavam equipamentos ou desenvolviam sistemas copiados de projetos estrangeiros, principalmente de origem norte-americana (TRS-80, Apple Inc., Microsoft etc.).

A única empresa estrangeira que parece ter obtido autorização do governo brasileiro para comercializar microcomputadores no país, nessa época, foi a Hewlett-Packard, com seu modelo HP85B. A única restrição colocada pelo Governo foi a de que a máquina só poderia ser negociada para aplicações técnico-científicas, mas não para fins comerciais.

O fim da reserva de mercado, pela Lei Federal nº 8.248/91, incrementou o livre acesso da mão-de-obra especializada a recursos laboratoriais de ponta, já consolidados, testados e aprovados em economia de escala mundial e condicionou o investimento em novos projetos como contrapartida das empresas que se beneficiavam de incentivos fiscais concedidos ao desenvolvimento de produtos ou serviços com valor nacional agregado.

Como o objeto daquele investimento tanto podia ser constituído por projetos próprios das empresas beneficiárias, como por grandes projetos ou programas propostos pelo Governo, o momento foi oportuno para uma mudança de foco da Política Nacional de Informática, de hardware para software, de produção doméstica para economia de escala e competitividade nos mercados nacional e internacional.”

Fonte: Wikipedia

De uma forma bem simplista, você, como empresa, tinha de arrumar o seu jeito de produzir localmente um produto que era bem quisto lá fora, ou que vendia bastante, mas só que não poderia simplesmente fazer um acordo com as empresas X, Y ou Z lá de fora. E é por isto que o NES/Famicom veio a se tornar um dos consoles mais clonados aqui no Brasil.

A luta que a Tectoy teve àquela época para trazer a pistola Zillion foi deveras complicado, devido as questões acima, mas, ainda assim, a jovem empresa conseguiu fazer um belo negocio com a SEGA do Japão (SoJ), lançado o dito brinquedo em maio de 1988. Mas, mesmo com o sucesso de vendas, a SoJ estava muito relutante com a questão. Só que com o fracasso do Master System nos EUA, e percebendo que a empresa brasileira estava conseguindo um sólido mercado, um acordo fora firmado entre as duas para o lançamento do Master System no Brasil.

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Antigo logo da Tectoy

E isto abriu caminho para a verdadeira cultura gamer no Brasil. Serviços como Hotline, pequenos programetes, de dicas na Globo, uma assistência técnica e combate a pirataria, mais na região de Rio e São Paulo, fez com que a Tectoy se tornasse uma das grandes empresas gamers do Brasil, quiçá da America Latina.

Devido a este enorme sucesso, foi possível para a mesma trazer o Mega Drive quase que “recém-lançado” também para as nossas terras e, novamente, um console da SEGA viera a fazer um enorme sucesso.

Com isto, podemos perceber como a Tectoy foi vital para nós, gamers, quanto a questão de criar uma cultura de compras de jogos originais e ter uma presença oficial de uma gigante japonesa, na época, em nossas terras e, por isto, este movimento de trazer o Mega Drive ou o Master System realmente de volta pode ser uma virada de mesa ou tiro no pé.

CERTO, MAS FALOU, FALOU, E NÃO DISSE NADA

A questão é a seguinte, nobres leitores, você é uma empresa que a muito anda cambaleando também no mercado de eletrônicos desde que a sua grande fonte de renda secou. Os seus produtos tentam concorrer com outras grandes por aí, mas é algo deveras complicado. Então o jeito é tentar voltar àquele mercado que antes dera muita glória a sua empresa.

Mas, aí, temos um problema. Ao longo do caminho de tentar largar o osso, com os possíveis contratos feitos para com a SoJ, SoA (SEGA of America) ou, até mesmo a SoE (SEGA of Europe), a sua empresa lançara consoles de qualidade duvidosa. Meras plaquinhas com chip ROM com quantidade X de jogos emulando um sistema de uma forma que poucos, ou quase ninguém aprovara e, ainda assim, vendia bem pelo simples fato de estampar o nome de marcas consagradas, como é o caso do Master System ou Mega Drive.

Além do fato de dizer que tem não sei quantos centos jogos em memória, a grande maioria eram repetecos do que já existia em edições anteriores e nenhuma saia do local comum, isto é, somente jogos da SEGA. Um console não é feito apenas de jogos da sua empresa que o criou e sim de toda uma biblioteca daquilo que veio a formar o ambiente Master System ou Mega Drive.

E, a pior parte, os mesmos eram lançados completamente fechados, sem a possibilidade de se colocar um cartucho para que possamos escolher os títulos que queremos jogar, complicando, ainda mais, a imagem da Tectoy para o lado dos gamers e, principalmente, dos retrogamers fãs destes dois consoles.

Agora, neste dia 1º de Junho ela vem a perguntar como mostrado no excerto abaixo:

Fica aquele ranço em nosso paladar acerca desta questão. Houve, até o presente momento, 3.400 curtidas, 619 compartilhamentos e quase 1000 comentários acerca da questão e, hipoteticamente, a Tectoy está lendo todas as sugestões. Não existe, de minha parte, nada contra acerca de analisar o terreno de um possível mercado, mas, do que adianta, fazer isto, e voltar a lançar um Mega Drive 4? Ou um Master System IV sem o seu hardware original? Ou um hardware que imite (mas não emule) o que veio antes e possibilite a entrada de cartucho e apetrechos?

De que adianta fazer um dos dois sistemas acima e o mesmo não vier com um upscaler nativo? Ou controles que relembram por muito pouco a qualidade dos originais? Ou, até mesmo, um MS com seis botões?

Nós queremos algo assim!

Nós queremos algo assim!

Tectoy, não queremos refugo de estoque ou consoles que apenas tem em sua carcaça o nome dos sistemas consagrados, como eu já havia dito, e volto a repetir, queremos os consoles do jeito que eram, mas com as devidas melhorias para podermos instalar em nossas TV’s LCD’s, LED’s e assim vai.

Se for apenas uma revisitação com os seus aparelhos que não valem R$ 100,00, pois é um sistema emulado porcamente, ou, no caso de um relançamento devido, mas valendo R$ 200,00, R$ 300,00, este articulista não apoiaria a tal venda do produto, a não ser que o mesmo fosse tal qual o antigamente e se eu colocasse uma fita, um controle, um MEGA CD, funcionasse da mesma forma. Se nada disso acontecer, só coisa negativa vai sair dos meus textos que virão, como pessoa e sem ligação com este site que escrevo no momento.

Mas vamos ver quais serão os próximos passos da empresa. Veremos se eles vão levar em conta todas as dicas e sugestões das pessoas ou vão dar um tiro no pé e pegar mais um refugo de estoque que está guardado por aí.

E não percam hoje, mais um hangout acerca sobre o assunto, agora com o pessoal da Comunidade Mega Drive, às 18:00 ou 18:30!

Daniel G. Fernandes
Este ser é um viciado em games, sejam de consoles, sejam de PC's e tem uma paixão arrebatadora em Tecnologia, aficcionado em filmes dos anos 1980 e 1990, ele pode não se lembrar o nome do diretor, do filme ou do ator, mas quando tem opinião ele fala mesmo! SegaManiaco de Coração, ele também bate ponto nos sites Gamehall, Marketing & Games, Blast Processing, Brazuca Gamer e Comunidade Mega Drive!

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  • David Castro da Silva

    Um Mega Drive com resolução adequada para televisões atuais!? Já estaria na fila para comprar.