Warcraft [Leitor Nerd]

Há muito, Azeroth está em paz. Após expulsar os trolls, com a ajuda de Medivh, Guardião do reino, humanos vivem em paz com os vizinhos elfos e anões. Mas um novo mal desponta no horizonte, e a guerra ameaça engolfar mais uma vez os domínios do justo rei Llane. Uma raça temerária de invasores, os guerreiros orcs, insuflados pelo feiticeiro Gul’dan e liderados pelo monstruoso Mão Negra, fogem de seu mundo agonizante em busca de caça e oportunidades. E assim começa uma espetacular saga sobre poder e sacrifício, na qual a guerra tem muitas facetas e todos lutam por algo.

Quem escreve a novelização oficial do filme Warcraft é Christie Golden, aclamada por diversos romances dentro do Universo do jogo, como A Ruptura, Marés de Guerra, Crepúsculo dos Aspectos, Crimes de Guerra e o prelúdio do filme, Durotan. Apesar da fama da autora, eu particularmente não gosto do seu estilo, que costuma ter furos de enredo críticos e um excesso de doçura e sentimentalismo que acabam descaracterizando certos personagens.

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Se você assistiu ao filme, não terá nenhuma grande surpresa com o livro. O diferencial é a narrativa mais intimista, que apresenta o ponto de vista dos personagens, o que traz mais profundidade e até novas informações – como a semelhança entre Callan, o filho de Lothar, e sua falecida mãe, citada apenas em reflexões do personagem -, mas que pode limitar e até mesmo mudar a impressão de algumas cenas – é inevitável que a autora tenha tido as próprias conclusões a respeito do roteiro e tenha impresso sua visão particular em suas páginas. Além disso, algumas poucas cenas adicionais foram inclusas, como um diálogo entre Grommash Grito Infernal – criminosamente negligenciado no filme – e Durotan.

Através da narrativa do romance, os personagens ganham uma nova dimensão, geralmente imbuídos de mais emoções e mais fragilidades do que no filme. Por exemplo, no filme, Lothar termina sem dúvidas a respeito da sua opinião sobre Garona, enquanto no livro é dito que ele notou um detalhe que poderia gerar dúvidas. Por um lado, o afeto de Lothar por Callan é mais explorado, seu zelo e suas preocupações expostos de forma interessante, por outro, Durotan e Draka demonstram um sentimentalismo incoerente – no filme, o amor entre os dois é bruto e ríspido, no livro, Golden não consegue narrar um romance sem ser piegas.

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O livro poderia apresentar mais novidades, explicar melhor a guerra, até ter algumas batalhas extras. Livros sempre são mais extensos do que filmes, não há motivo para limitar o enredo do romance ao roteiro original. Além desse defeito, os orcs demonstram ternura excessiva, como em todos os livros da autora, ao ponto de descaracterizar o que vimos no filme. O amor pode se manifestar de várias formas, mas Christie Golden ainda não aprendeu isso.

Se o filme bastou para você, o livro não tem nada a acrescentar. Por outro lado, quem quiser uma reinterpretação dos personagens ou for fã do jogo e/ou do filme, é uma repaginada até que divertida.

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Bernardo Stamato
Vencedor do Concurso Cultura "Eu, Criatura" da Devir Livraria, formado em Letras, professor de Game Design e 3D Fundamental na empresa Seven Game e escritor (http://entrevirtudesevicios.blogspot.com/). Quando dá tempo para respirar, lê e joga PS3 também.

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