World of Warcraft: Sombras da Horda [Leitor Nerd]

vol'jin

Em Sombras da Horda acompanhamos Vol’jin no continente de Pandária, onde as lealdades ao chefe guerreiro Garrosh são colocadas à última prova quando um membro de sua própria facção trama assassiná-lo. Vol’jin logo precisa decidir a quem é leal – uma escolha que pode salvar ou ruir seu povo… E alterar para sempre o destino da Horda.

Quem escreve é Michael A. Stackpole, autor de incontáveis romances – entre eles, oito dentro do Universo de Star Wars, a quadrilogia The DragonCrown War Cycle e mais de dez no cenário BattleTech – e também game designer de RPGs – talvez o diferencial que tornou seu único livro de World of Warcraft tão bom.

Stackpole narra alguns dos acontecimentos da expansão Mist of Pandaria, especificamente o evento Rise of the Zandalari, quando um antigo clã troll reúne diversas outras tribos e invade Pandária para ressuscitar seus antigos mestres e reconquistar a glória da sua raça. Este enredo pode ser lido tanto como sequência do livro Marés de Guerra, onde começam as tensões entre Vol’jin e Garrosh, quanto como uma história individual, com todas as informações que o leitor precisa para entender o que está acontecendo e com foco em personagens e localidades inéditas nos outros livros.

Michael A. Stackpole

Falando nos personagens, o protagonista é o próprio Vol’jin, líder do clã Lançanegra e representante da raça troll na Horda, um caçador experiente, guerreiro implacável e líder obstinado, sempre zelando pelo seu povo e por sua fé. Depois de ser traído, Vol’jin é encontro à beira da morte por um velho amigo, Chen Malte do Trovão, um pandaren cervejeiro que já havia desbravado Azeroth em busca de novos métodos para aprimorar sua arte etílica e lutado ao lado da Horda durante os primeiros anos após a fundação de Durotar, mas que agora precisa defender a própria nação enquanto também descobre quais são seus verdadeiros anseios e ambições. Mas o maior desafio de Vol’jin é o seu convívio com o humano Tyrathan, um arqueiro da Aliança que também está se recuperando de seus ferimentos no mesmo monastério, obrigados a tolerar um ao outro e, ainda mais grave, ordenados a cuidar um do outro como condição para a estadia e no intuito de aprenderem juntos, passando por cima de todo o histórico de inimizade das duas raças.

O palco para todos esses conflitos é Pandária, um continente que esteve oculto sobre sua névoa por tanto tempo que foi considerado uma lenda. Uma terra com tradições exóticas e milenares e segredos e artefatos que deveriam permanecer no passado – e um cenário inspirador e cheio de novidades para os fãs de WoW e ainda mais surpreendente para os leitores casuais que estão começando a conhecer Azeroth.

Como um diferencial positivo em Sombras da Horda, a ação é bem narrada – ao contrário da maioria dos livros de WoW. Neste livro, batalhas são vencidas com estratégia, a movimentação das tropas marcam o ritmo do enredo e ninguém consegue fugir de uma prisão milagrosamente. E a participação de Vol’jin não se limita a derrotar seus inimigos, ele também enfrenta suas batalhas internas enquanto luta para sobreviver, para decidir de que lado do conflito está e para se tornar um líder muito maior do que ele jamais imaginou que seria. Além de tudo isso, parte do passado distante do mundo é apresentado com riqueza, aprofundando nossos conhecimentos sobre os trolls, sobre Pandária e até mesmo sobre a cosmologia de Azeroth.

Nota do Autor: 8
Nota do público:(0 votos) 0
Dê a sua nota:

sombras da horda world of warcraft

Mas como eu não consigo ler sem encontrar defeitos no enredo, eu não posso ser desonesto com os leitores e omitir certas falhas. Vol’jin e Tyrathan fazem amizade muito rapidamente, fazendo-nos questionar por que suas raças são inimigas, afinal – uma questão crônica em Warcraft, existem tantas pessoas legais e a favor do diálogo tanto na Aliança quanto na Horda, que não faz mais sentido haver qualquer inimizade entre as facções. Rivalidade talvez, inimizade não. Outra questão é que Vol’jin não tinha uma motivação forte para permanecer em Pandária por boa parte do enredo, ele é líder dos trolls, deveria pegar o primeiro navio assim que seus ferimentos começassem a sarar – lembrando que trolls têm regeneração acelerada -, em vez de ficar num longo vácuo entre estar impossibilitado de viajar e ficar ilhado durante a invasão dos Zandalari. Por fim, como nos demais livros de WoW, Sombras da Horda é uma história entre os eventos do jogo, o que sempre vai deixar uma lacuna faltando entre cada romance, tornando a série de livros de World of Warcraft um item para os jogadores, impedindo que os demais leitores acompanhem as sagas de Azeroth de forma literária. Se você não planeja jogar o MMO, ficará se perguntando o que aconteceu entre Marés de Guerra e Sombras da Horda, que narram o início dos eventos de Mist of Pandaria, e Crimes de Guerra, que narra o término do reinado de Garrosh e faz o elo com Warlords of Draenor.

Sombras da Horda é certamente o livro mais bem narrado e mais coerente da série WoW. Seus personagens são interessantes, a guerra mistura interesses políticos com um misticismo ancestral e Pandária se comprova um continente que veio para enriquecer ainda mais o vasto mundo de Azeroth. Não vou nem tentar disfarçar: Michael A. Stackpole escreveu o meu romance favorito de World of Warcraft.

risde of the zandalari

Bernardo Stamato
Vencedor do Concurso Cultura "Eu, Criatura" da Devir Livraria, formado em Letras, professor de Game Design e 3D Fundamental na empresa Seven Game e escritor (http://entrevirtudesevicios.blogspot.com/). Quando dá tempo para respirar, lê e joga PS3 também.

Bernardo Stamato publicou 96 posts. Veja outros.

Publicidade