A Vida Imortal de Henrietta Lacks (The immortal life of Henrietta Lacks) – Crítica

A primeira vez em que eu ouvi falar de Henrietta Lacks foi em 2011, quando foi publicado no Brasil o livro “A Vida Imortal de Henrietta Lacks” e sobre ele foi feita uma matéria na Revista Superinteressante. Antes disso, nem nas aulas de biologia aquelas células – e a dona delas – tinham sido mencionadas.

Nos vanos seguinte, todos os encontros que eu tive com as células HeLa e a história de Henrietta tinham uma constante: o foco era em como a família dela nunca recebeu um tostão pelas pesquisas científicas feitas com as células, retiradas sem a permissão da paciente ou de seus familiares. E fui ver a adaptação do livro para a TV pensando que este novamente seria o foco da história.

Bem, se eu tivesse lido o livro de Rebecca Skloots eu não estaria esperando uma história sobre direitos de células. Embora Rebecca seja formada em ciências biológicas, como boa jornalista tentando escrever um best-seller, ela focou no elemento humano e foi bem-sucedida. E o filme resolveu seguir a mesma fórmula, ainda que de forma diferente.

Após uma breve introdução, chegamos a 1999, quando Rebecca (Rose Byrne) decide escrever o livro e consegue o contato de uma das filhas de Henrietta, Deborah (Oprah Winfrey). Deborah se altera entre alegre por ver a história de sua mãe contada, reticente pensando que Rebecca vai se aproveitar da família, e desesperada para descobrir mais sobre seu passado.

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Dois outros filhos e o marido de Henrietta estão amargos com o Johns Hopkins Univeristy, instituição que fez a coleta das células e começou a fazer experiências com elas. Eles reclamam por nunca terem recebido nada dos lucros que a instituição obteve nas décadas seguintes.

O filho mais novo de Henrietta, Zakariyya (Reg E. Cathey), também quer ajudar Rebecca, mas ele tem um passado complicado, tendo sido preso e estando então internado em uma clínica, propício a ataques de raiva. E por falar em clínica, Deborah revela que Henrietta teve uma quinta filha, Elsie, que morreu aos 15 anos, internada em uma instituição para doentes mentais.

Mais do que tudo, este é um filme sobre uma filha em busca da mãe – nem que encontre ao fim apenas células imortais e lembranças. Deborah tinha dois anos quando a mãe morreu, e deseja saber mais sobre quem foi Henrietta – coisa que sua família não quer falar, pois “não costumam comentar sobre pessoas mortas”.

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Embora haja um quê de superstição na família de Deborah, é inegável que por muito tempo os médicos os consideraram incapazes de compreender qualquer coisa por serem negros. Primeiro, tiraram um pedaço do tumor de Henrietta para fazer experiências com as células – sem permissão ou explicação. Depois, deram continuidade às investigações tirando amostras de sangue dos filhos dela – mentindo sobre a finalidade dos exames. Eles foram maltratados, sabem disso e estão com medo de que isto volte a acontecer. Cabe a Rose desfazer este malfeito.

É inegável que a performance de Oprah é ótima, sofrida e emocionada na medida certa. Entretanto, o filme é relativamente curto, e eu gostaria de ver mais do desenvolvimento de alguns personagens, como de todos os filhos de Henrietta. Foi sábio, entretanto, apresentar vinhetas da vida de Henrietta (interpretada por Renée Elise Goldsberry) em flashback.

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Ao final, embora as células de Henrietta tenham dado origem à indústria biomédica, não formei juízo sobre se o que foi feito foi certo ou errado – o filme tenta justificar que foi tudo OK, mas não me convenceu. Fiquei convencida apenas da força das histórias humanas, e de que filmes sobre busca das origens nunca sairão de moda.

Nota do Autor: 7
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Leticia Magalhães
Letícia Magalhães é estudante universitária e tem dois livros publicados. Atualmente mantém o blog Crítica Retro, sobre cinema clássico, e colabora também nos sites Leia Literatura, Antes que Ordinárias, Red Apple Pin-Ups e Gene Kelly Fans.

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