A Vigilante do Amanha: Ghost in The Shell (Ghost in The Shell) – Crítica

ghost-in-the-shell-poster_u849Passou-se um bom tempo desde que vim a publicar aqui neste estabelecimento. Depois de idas, vindas e muitas promessas, cá estou aqui para escrever acerca de um filme que fui com expectativa zero e sai com muito shell e pouco ghost.

A Vigilante do Amanhã: Ghost in The Shell já vem com aquela coisa que não consigo conceber nas paragens nacionais de colocar um título enorme e como o subtítulo o nome do filme em inglês. Por que não colocar simplesmente como “Fantasma da Máquina” ou “Fantasma na concha”? Apesar de soar completamente ridículo, pelo menos não precisaria ter um título gigantescamente enorme para se anunciar num trailer em português.

Nada contra em tentar aportuguesar alguns títulos, mas é que, vamos e convenhamos, tem filmes, desenhos, livros, que a tradução não fica legal e o título perde muito sentido quando o é feito. Já imaginaram se traduzissem o Assassin’s Creed para Credo do Assassino? Neste caso não é que perca o sentido, é porque a sua marca tem a sua força no seu original. Credo do Assassino soa como um filme policial para gente.

Mas, enfim, eu deveria estar mais é falando do filme que eu vi do que divagando pelas escolhas inusitadas das distribuidoras brasileiras e suas traduções tresloucadas.

Pois bem, antes de começar a falar sobre o filme em si, vamos deixar aqui a sinopse do mesmo?

Em um mundo pós-2029, é bastante comum o aperfeiçoamento do corpo humano a partir de inserções tecnológicas. O ápice desta evolução é a Major Mira Killian (Scarlett Johansson), que teve seu cérebro transplantado para um corpo inteiramente construído pela Hanka Corporation. Considerada o futuro da empresa, Major logo é inserida no Section 9, um departamento da polícia local. Lá ela passa a combater o crime, sob o comando de Aramaki (Takeshi Kitano) e tendo Batou (Pilou Asbaek) como parceiro. Só que, em meio à investigação sobre o assassinato de executivos da Hanka, ela começa a perceber certas falhas em sua programação que a fazem ter vislumbres do passado quando era inteiramente humana.

Mais do mesmo

Apesar de ser baseado no aclamadíssimo anime do mesmo nome – e este numa série de mangá lançado no Japão –, temos, em sua essência, a descaracterização de muitos elementos  que foram mostrados no anime, fazendo que o espectador ache que tudo passe a girar em torno da Major Mira Killian, onde, na verdade, ela é apenas um dos espectros que mostra um ponto especifico da visão daquele universo, se levarmos em consideração a obra original.

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A história segue um ritmo bem compassado dos típicos filmes de ação, colocando um vilão humano como o principal alvo da trágica trajetória de Mira e a sua vida após o acidente onde os seus pais morrem. Bem diferente daquilo que é mostrado no anime, onde a personagem não é a única completamente cibernética, o filme deixa a entender que a evolução tecnológica de transferência cerebral para um corpo tecnológico estaria começando agora com a Major.

As questões filosóficas que tangenciam o mangá e o anime não passam de meras lembranças no filme americano. Ainda assim, a parte que tange a ação, faz com que o filme seja agradável de ser assistido para aqueles que não assistiram o anime e, tão pouco, leram o mangá. Claro que apesar de nos trailers mostrarem muitas cenas de ação, estas não são tantas assim no filme em si, que, diferentemente do anime, saem as divagações e o que temos são os lapsos de memória da Major ou um elemento que ligue a conspiração da Hanka, inexistente na obra original.

Queria ver um Deus Ex desse jeito

Se a história em si é resumida a, basicamente, um filme de ação e uma empresa má fazendo o mal para muita pessoa de bem – OCP manda um alô para a Hanka Corporation -, temos nos cenários de A Vigilante do Amanhã um trabalho acima da média em um filme de Ficção Cientifica baseado num futuro ciberpunk.

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Das roupas que combinam bem com aquele possível futuro juntamente com os gigantescos prédios, propagandas em todos os lugares e uma imersão a realidade virtual, dá características únicas ao filme. Espero que o novo Blade Runner siga esta tendência, pois, a Vigilante do Amanhã fez uma ótima homenagem ao cyberpunk, neste sentido. E, destes cenários, já imaginei que um Deus Ex, um dos melhores jogos de cyberpunk já feitos, poderia ser feito se tivesse este nível de esmero.

Muito Shell, pouco Ghost

Agora porque a minha birra com uma história supérflua estilo Robocop deste filme? Por um simples motivo, enquanto que vemos em Robocop um humano que virou máquina e voltou a ser humano novamente, feito de uma forma compassada e interessante, não temos a mesma fluidez na Vigilante do Amanhã, sendo que a premissa do título Ghost in The Shell – que podemos realmente traduzir como o Fantasma na Máquina – tem um cunho muito mais espiritual e filosófico.

Esta cena é do anime, mas essencial para a sua trama original, que não é vista no filme... pena.

Esta cena é do anime, mas essencial para a sua trama original, que não é vista no filme… pena.

Muitos irão defender que A Vigilante do Amanhã é uma mera adaptação e que nestas temos que recorrer a outros meios para se contar uma histórias, muitas vezes saindo do eixo original da filosofia por detrás desta base. Esta perca se dá em quase todas as adaptações. Algumas conseguem fazer algo realmente novo e interessante, outras se perdem no egocentrismo do estúdio de apenas pegar algo famoso e cultuado e criar um produto de massa.

Nada contra esta questão, pois todos aqui somos iguais e merecemos que produtos sejam criados e consumido por todos, mas vamos e convenhamos, você que é fã de uma série, de um quadrinho, de um livro ou desenho, quando você vê a deturpação completa de uma história ou o desvio de caráter de um personagem (Silvester Stallone, Juiz Dredd, cof cof, tirando capacete, cof cof), é de fazer a pessoa invocar o inferno para dar um tapa nos diretos, produtores e até no carteiro envolvido no projeto. Enfim…

Para quem não assistiu ao anime, posso resumir o mesmo da seguinte forma:

E se as máquinas ganhassem consciência. Estariam elas vivas? Será que elas poderiam vir a se tornar o real próximo estágio da evolução humana? Seriam os nossos corpos meras cascas onde se encontra os nossos fantasmas e a quintessência de ser vivo é muito mais além de apenas pura consciência?

E esta coisa não vemos neste filme, que, faz homenagens rasas utilizando-se de algumas cenas icônicas e olhe lá. Se você gosta de um bom filme de ação, este é o seu filme, mas se quer uma adaptação bem trabalhada, passe longe! 

Aproveite e vá ler o mangá e depois assistir o anime original!

Nota do Autor: 5
Nota do público:(3 votos) 6.6
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Assista também as opiniões de Leandro Vallina e Mau Franco sobre esse filme no “Saindo do Cinema”

 

Daniel G. Fernandes
Este ser é um viciado em games, sejam de consoles, sejam de PC's e tem uma paixão arrebatadora em Tecnologia, aficcionado em filmes dos anos 1980 e 1990, ele pode não se lembrar o nome do diretor, do filme ou do ator, mas quando tem opinião ele fala mesmo! SegaManiaco de Coração, ele também bate ponto nos sites Gamehall, Marketing & Games, Blast Processing, Brazuca Gamer e Comunidade Mega Drive!

Daniel G. Fernandes publicou 49 posts. Veja outros.

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  • leandrovallina

    AGORA EU SEI!!! Agora eu sei como é ser um fanboy/hater!!

    Eu tambem assisti a animação e isso estragou o filme pra mim! Por mais que não estragou tanto, ja que dei uma boa nota 7, mas a animação é muito melhor.

    A partir de hoje voltarei a ser o noob que tanto me orgulho, não quero mais ter essa experiencia de novo hahaha

  • danielgfm

    Esta é uma experiência única no qual anos e anos e anos e anos lendo quadrinhos e vendo desenho animado japonês não consegue lhe extirpar a sensação que roliudi fode com tudo.

    Espere por Akira!