Beleza Oculta (Collateral Beauty) – Crítica

Um dia irei entender o critério dos atores para escolher seus filmes.

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Após a morte de sua filha, Howard (Will Smith, Esquadrão Suicida) entra em profunda depressão, se isolando dos amigos e trabalho. Após escrever cartas terapêuticas para a morte, tempo e amor, seus amigos elaboram um esquema para tirar Howard da depressão. Sendo assim, eles contratam três atores para que interpretem cada um dos temas das cartas, e começam a jornada pela recuperação do amigo.

Você já deve ter visto aquele filme bobo e descompromissado que não fez diferença alguma na sua vida no fim das contas. Digamos que Beleza Oculta ande por essa linha.

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Não vou dizer que a história toda de Beleza Oculta seja ruim. De maneira alguma. Mas o problema aqui é como as coisas são realizadas, na verdade. A trama se desenrola bem, cria um filme harmonioso e leve em boa parte. Obviamente, parte da sua temática é pesado, aliás, estando tratando de luto aqui, o luto de um pai com a filha. Mas a direção consegue tratar desse tema horrível que consegue criar cenas bem comoventes (em específico, a última), porém também consegue inserir humor, sem deixar que tire o impacto da outra temática.

O problema de Beleza Oculta é que ele se acha um filme complexo e profundo na sua essência. Mas ele não vê que ele em si, não tem nada de demais. O filme carrega certos mistérios completamente evidentes que é muito provável que você desvende na mesma hora em que eles são jogados no ar. Mas no fim das contas, ele tem a coragem de explicar algo que qualquer criança do ensino fundamental consiga deduzir antes mesmo de ser revelado.

Além disso, o filme tem muitas sub tramas, é basicamente uma para cada personagem e todas elas são solucionadas do modo mais conveniente possível, como se aquilo não fosse um real problema para eles. Sem contar que as motivações de alguns personagens são duvidosas durante todo o filme, e no final não é dado a motivação real e continua sendo uma incógnita de quem está assistindo. Isso tudo faz com que o espectador se sinta burro, porque o filme explica o que não precisa e faz errado aquilo que era simples.

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No entanto, algo que não podemos reclamar é de elenco que possui nomes de grande peso. Will Smith é o melhor ator do filme, levando consigo uma dor pessoal e que se entrega muito em sua última cena, emocionando bastante. Ainda temos Edward Norton como um dos amigos de Howard, um personagem mal escrito, mas que está bem. Kate Winslet bem na média como uma das funcionárias da empresa de Howard, assim como Michael Peña que faz bem o alívio cômico sem extravagar, mas tem uma sub trama patética e mal solucionada. Naomie Harris como uma psicóloga de autoajuda que está desperdiçada. Helen Mirren com muito bom humor interpretando a Morte, Keira Knightley mal utilizada como Amor e Jacob Latimore como Tempo, ator que me surpreendeu sendo muito carismático.

A fotografia é bonitinha, apenas compõe o filme para contar a sua história, deixando mais evidente que tudo roda em torno do personagem de Will Smith.

E ainda temos uma trilha sonora muito boa, com músicas de letras que se encaixam de forma muito boa na trama. Entre elas temos Kaleo com Way Down We Go e também One Republic com Let’s Hurt Tonight. Talvez o melhor fator do filme.

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Beleza Oculta é um filme bem Sessão da Tarde. É bobinho, com lição de moral e descompromissado. Mas é inegável que ele acha que é muito além disso. A forma como ele trata seu público, achando que todos são amebas chega a irritar da mesma forma como ele pretende ser profundo e no fim das contas mais escreve mal do que bem esse roteiro. Não ofende, mas não agrada. No fim das contas, fica na média.

Nota do Autor: 5
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Arthur Lopes
Canal pessoal - Marmota Frita Fanático por cinema e video games em geral desde sempre, estuda administração mas seu verdadeiro amor permanece no mundo da sétima arte. Ama qualquer gênero cinematográfico, indo de romance até terror mas com preferência no drama, o que fez com que Batman - O Cavaleiro das Trevas se tornasse o seu filme favorito, consagrando Nolan como o mesmo. Mas também admira outros mestre do cinema como Eastwood e Tarantino. Escreve nas horas vagas e está adaptando um conto no intuito de transforma-lo em um roteiro para longa-metragem.

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